De acordo com pt.wedoany.com-O YouTube anunciou na quarta-feira (27) que reforçará a detecção de vídeos gerados por inteligência artificial publicados pelos usuários e aplicará automaticamente um rótulo em conteúdos com alto grau de realismo, para indicar o uso de tecnologia de IA.

As regras da empresa, em vigor desde 2024, dependiam principalmente da autodeclaração dos usuários, uma exigência que não foi totalmente cumprida. Para conteúdos mais realistas, a plataforma colocará o aviso de material gerado por IA em uma posição mais visível do que antes. Já para conteúdos feitos com IA, mas considerados pela empresa como "não realistas, animados ou com modificações leves", o rótulo permanecerá no campo de descrição do vídeo, com menor visibilidade.
Essas atualizações foram anunciadas em entrevistas com jornalistas no Brasil e em países europeus. No Brasil, as regras dialogam diretamente com as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre propaganda eleitoral e conteúdo político nas redes sociais. Em 2024, a corte já havia determinado a obrigatoriedade de rotulagem de conteúdo sintético em propaganda eleitoral. Este ano, foi acrescentada a responsabilidade solidária das redes sociais quando não removerem conteúdos considerados "de risco". Um dos riscos é a publicação de conteúdo gerado ou modificado por IA que não cumpra as regras de rotulagem e outras proibições eleitorais. O TSE também manteve a proibição de deepfakes, independentemente de seu propósito ser prejudicar ou beneficiar um candidato, e proibiu a publicação de conteúdo relacionado a IA nas 72 horas anteriores à eleição.
Em 2024, o YouTube estabeleceu que os proprietários de canais deveriam informar, ao enviar um vídeo, se ferramentas de IA foram usadas. Quase dois anos depois, a empresa anunciou que, a partir deste mês, implementará "novos sinais internos para ajudar a identificar conteúdo gerado por IA" e que aplicará o rótulo automaticamente se os sistemas da plataforma detectarem "uso substancial de IA realista". O anúncio afirma que, à medida que a tecnologia for aprimorada, os usuários poderão alterar essa classificação automática. Segundo a empresa, a única situação em que esse status será mantido permanentemente é quando o conteúdo for criado com as próprias ferramentas de IA do YouTube ou quando o arquivo de vídeo contiver "metadados C2PA" (um tipo de informação técnica que equivale a um selo de que o conteúdo foi totalmente gerado por IA).
Questionada se a alteração de status pelo usuário será necessariamente aceita ou ainda passará por análise da equipe do YouTube, a empresa respondeu apenas que essa atualização feita pelo usuário "não é um recurso". Isso sugere, portanto, que não há análise adicional para os casos que não se enquadram no status permanente. De acordo com o YouTube, o rótulo em si não altera a forma como o vídeo é recomendado na plataforma, nem impede a monetização. A empresa também afirmou que se reserva "o direito de agir" contra usuários que reiteradamente não divulgarem o uso de IA.
Por outro lado, ainda não está claro em que medida a empresa já adotou essa aplicação automática de rótulos. Isso porque o anúncio de 2024 já afirmava que isso poderia ser feito em alguns casos, "especialmente se a modificação ou conteúdo sintético tiver o potencial de confundir ou enganar as pessoas". Quando questionada se os rótulos já estavam sendo aplicados automaticamente e em quais situações, a empresa respondeu: "Há muito tempo investimos em sistemas capazes de aplicar nossas políticas, e esta atualização visa especificamente aproveitar o poder da detecção automatizada para ajudar os criadores a divulgar informações e fornecer aos espectadores a transparência que eles sempre solicitaram."
A empresa também anunciou que está expandindo para todos os usuários com 18 anos ou mais uma ferramenta de detecção de deepfakes baseada na aparência facial de uma pessoa. A ferramenta rastreará vídeos já publicados na plataforma nos quais o rosto da pessoa apareça e que possam ter sido modificados ou criados por IA, com lançamento gradual nas próximas semanas. Por meio de uma varredura inicial da plataforma, o usuário poderá visualizar o conteúdo listado e solicitar a remoção da parte gerada ou modificada por IA. Segundo a empresa, a remoção não é automática e dependerá da análise e dos critérios de suas diretrizes de privacidade.
Amjad Hanif, vice-presidente de produtos para criadores do YouTube, afirmou: "Esta ferramenta é única no setor porque pesquisará todo o conteúdo publicado no YouTube para descobrir se há [seu rosto] correspondente a conteúdo criado sem o seu conhecimento." De acordo com a Folha de S.Paulo, a medida começou a ser disponibilizada em março deste ano como piloto para figuras públicas, como políticos e jornalistas. Os usuários que consentirem em se registrar precisarão enviar um documento de identidade oficial e gravar um breve vídeo do rosto (como uma selfie). É necessário possuir um canal no YouTube (mesmo que não utilizado) para usar a ferramenta. De acordo com as regras, os fatores considerados pela plataforma ao avaliar uma solicitação de remoção incluem: se o conteúdo é sintético ou modificado, se é realista ou se apresenta paródia, sátira ou outro aspecto de interesse público.
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