Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis transformam ancilóstomos geneticamente modificados em fábricas de medicamentos
2026-06-04 17:28
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De acordo com pt.wedoany.com-Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis modificaram geneticamente com sucesso um parasita intestinal, o ancilóstomo, para produzir e administrar medicamentos terapêuticos dentro de um hospedeiro vivo. Os resultados foram publicados na revista Nature Communications.

Um ancilóstomo brilhando sob um fundo de luz azul

O ancilóstomo é um parasita que vive no intestino humano, afetando centenas de milhões de pessoas em regiões tropicais com recursos escassos. Eles podem sobreviver no corpo humano por anos e secretam moléculas para coexistir com o hospedeiro. A equipe de pesquisa aproveitou esse mecanismo biológico dos ancilóstomos para realizar a primeira modificação genética do parasita, fazendo com que ele produzisse um anticorpo capaz de neutralizar a tetrodotoxina, uma neurotoxina letal produzida por baiacus e outros organismos marinhos, para a qual atualmente não existe antídoto. Em experimentos com animais, os ancilóstomos modificados, após colonizarem o hospedeiro, produziram a antitoxina e a secretaram na corrente sanguínea, neutralizando parcialmente a toxicidade da toxina.

O autor sênior, Dr. Makedonka Mitreva, PhD, professor catedrático Gordon R. Miller na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis (WashU Medicine), afirmou que os ancilóstomos, após milhões de anos de evolução, já possuem a capacidade de sobreviver por longos períodos no corpo humano e de transportar moléculas. A equipe questionou o que aconteceria se, além das cerca de 1.000 substâncias já secretadas pelos ancilóstomos, fosse adicionada uma molécula humana com efeito terapêutico. Este estudo demonstra que o conceito é viável.

A vantagem dos ancilóstomos como plataforma de administração de medicamentos reside em suas características biológicas. Larvas de ancilóstomos em número controlado entram no corpo humano por meio de pílulas orais ou administração cutânea, como cremes, migram para o intestino delgado e se estabelecem, geralmente por vários anos. Como os ancilóstomos não se reproduzem dentro do hospedeiro, o número de vermes permanece fixo, mantendo a infecção sob controle. Caso seja necessário eliminar a infecção, uma única dose oral de medicamento antiparasitário pode eliminar os ancilóstomos em 24 horas. Embora a infecção natural por ancilóstomos possa causar sintomas digestivos leves, a infecção crônica é grave para crianças, gestantes e indivíduos desnutridos, o que ressalta a importância de controlar rigorosamente a infecção para fins terapêuticos.

Este estudo de prova de conceito utilizou anticorpos neutralizantes da tetrodotoxina, financiado pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa do governo dos EUA (Defense Advanced Research Projects Agency), com o objetivo de encontrar soluções para ameaças biológicas e químicas em áreas remotas. A equipe de pesquisa baseou-se em mais de vinte anos de estudos genômicos de ancilóstomos para localizar locais viáveis no genoma do parasita, inserindo genes com instruções para produzir a nova antitoxina, garantindo que a inserção não interrompesse a atividade dos genes circundantes e promovendo a secreção da antitoxina pelo verme no hospedeiro. O sangue coletado de hamsters infectados com ancilóstomos geneticamente modificados neutralizou parcialmente a tetrodotoxina, enquanto o sangue de animais infectados com vermes não modificados não apresentou capacidade de neutralização.

Mitreva destacou que o nível de neutralização alcançado no estudo pode representar apenas uma fração do que a plataforma pode eventualmente atingir. Ela chamou essa plataforma de "chassi configurável" (configurable chassis), cujos componentes ainda estão sendo otimizados para aumentar a produção e secreção de proteínas terapêuticas. Como os vermes residem no intestino, parte das substâncias que secretam permanece no trato intestinal, o que significa que a concentração de moléculas terapêuticas no intestino pode ser significativamente maior do que no sistema circulatório, tornando a plataforma adequada para terapias direcionadas ao intestino.

Pesquisas futuras, antes do uso em humanos, exigirão avaliações rigorosas de segurança, incluindo estratégias de contenção biológica, como a engenharia genética para impedir que os vermes produzam ovos, protegendo assim o hospedeiro e o meio ambiente. Doenças inflamatórias intestinais, alergias alimentares e doenças crônicas que requerem tratamento medicamentoso contínuo são candidatos promissores para o desenvolvimento futuro desta plataforma.

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