De acordo com pt.wedoany.com-Duas estações de tratamento de esgoto em Belo Horizonte processam mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia, operadas pela Copasa. O efluente tratado apresenta redução na carga poluente e é lançado nos corpos d'água dentro dos padrões exigidos.

Essas duas instalações são a Estação de Tratamento de Esgoto Arrudas (ETE Arrudas), localizada na divisa entre a capital e Sabará, e a ETE Onça, em Belo Horizonte. O esgoto é coletado por redes subterrâneas e passa por processos físicos e biológicos nas estações, sendo liberado somente após atender aos parâmetros ambientais de qualidade da água.
A ETE Arrudas tem capacidade de tratamento de 2.300 litros por segundo, o que equivale a cerca de 199 milhões de litros por dia em operação contínua de 24 horas. O efluente é despejado no Rio Arrudas, que integra a bacia do Rio das Velhas. Já a ETE Onça opera atualmente com vazão de 1.800 litros por segundo, aproximadamente 155 milhões de litros por dia. Juntas, as duas estações tratam cerca de 354 milhões de litros diariamente.

O objetivo do tratamento de esgoto não é transformar o material coletado em água potável, mas reduzir sólidos, matéria orgânica e outros componentes poluentes, minimizando impactos nos rios, na saúde pública e nos ecossistemas aquáticos. Segundo dados da Copasa, a ETE Onça atende 50% da população de Belo Horizonte e pouco mais de 50% da população de Contagem, estando sua operação relacionada à melhoria da qualidade da água do Ribeirão do Onça e do Rio das Velhas. Já a ETE Arrudas atende bacias de parte da capital.
A Copasa anunciou um projeto de ampliação e modernização da ETE Onça, com planos de aumentar a capacidade de tratamento de 1.800 para 2.700 litros por segundo. O investimento é de aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo a construção de uma etapa de tratamento terciário para remoção de nutrientes como nitrogênio e fósforo, além de desinfecção por radiação ultravioleta. O projeto também prevê unidades de controle de odores, reúso do efluente tratado dentro da estação e sistemas de monitoramento em tempo real.

Essa ampliação, que atualiza os processos existentes e expande a capacidade de atendimento, é considerada pela Copasa o maior investimento individual da empresa, com prazo estimado de 72 meses.
O lodo gerado no processo passa por etapas de estabilização, desidratação, transporte e disposição final. Na ETE Arrudas, o biogás é utilizado para geração de energia elétrica por meio de microturbinas, com capacidade instalada de 2,4 MW, projeto reconhecido pelo Ministério das Cidades. O plano de modernização da ETE Onça inclui duas centrais de tratamento de lodo e digestores anaeróbios, associados ao futuro aproveitamento de biogás e lodo.
A Copasa concluiu em junho de 2025 a expansão do sistema de reúso em seis estações de tratamento de esgoto da região, com economia estimada de cerca de 66 milhões de litros de água potável por ano. A água de reúso é utilizada em processos internos, como desidratação de lodo, preparo de polímeros e limpeza operacional, substituindo o consumo de água tratada. A ETE Arrudas é uma das unidades contempladas no projeto de reúso, enquanto a ETE Onça já possui sistema de reúso desde 2013. As ETEs Bandeirinhas, Justinópolis, Nova Contagem, Santa Luzia e Vale do Sereno também estão incluídas no projeto.

As redes de coleta exigem a separação correta dos resíduos. Óleo de cozinha, lixo, plásticos e outros sólidos que entram no sistema aumentam o risco de entupimentos e dificultam a triagem. A escala de operação das duas estações de tratamento demonstra que o saneamento na região metropolitana abrange etapas completas, incluindo coleta, tratamento, controle de qualidade, gestão de lodo, reúso de água e aproveitamento energético.
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