De acordo com pt.wedoany.com-Pesquisadores desenvolveram um algoritmo baseado em inteligência artificial para identificar amostras comuns de vida marinha contrabandeada, como barbatanas de tubarão, cavalos-marinhos e pepinos-do-mar, com uma precisão geral de 92%. O estudo visa resolver o desafio de detectar o tráfico transfronteiriço de vida selvagem marinha.

A Dra. Vanessa Pirotta, da Universidade Macquarie, primeira autora do estudo, cujo artigo foi publicado na revista Frontiers in Marine Science, afirmou que o comércio de vida selvagem é cruel e antiético. Muitas pessoas podem estar tomando conhecimento pela primeira vez do crime de tráfico ilegal de vida selvagem marinha, cujo alvo não se limita a espécies conhecidas como chifres de rinoceronte e marfim.
Estima-se que o comércio ilegal global de vida selvagem marinha movimente dezenas de bilhões de dólares anualmente, representando uma enorme ameaça para espécies ameaçadas de extinção. O tráfico para alimentação, medicamentos, fabricação de adornos ou como animais de estimação agrava a situação de populações biológicas já frágeis. Além disso, a vida marinha contrabandeada viva, se escapar, pode se tornar espécie invasora em outros ecossistemas. No entanto, as dificuldades práticas na fiscalização do contrabando dificultam a contenção eficaz dessas atividades e a avaliação precisa de seu impacto ecológico.
A equipe de pesquisa adaptou equipamentos existentes de tomografia computadorizada de raios X usados em aeroportos. Esses equipamentos, originalmente projetados para detectar explosivos e riscos biológicos, podem realizar múltiplas varreduras de raios X em um único item e gerar imagens tridimensionais. Os pesquisadores treinaram o algoritmo usando redes neurais para identificar espécies comuns contrabandeadas nessas imagens, com o objetivo de criar um sistema inteligente capaz de marcar automaticamente bagagens suspeitas para verificação manual.
O estudo focou na identificação de barbatanas de tubarão, cavalos-marinhos e pepinos-do-mar. As barbatanas de tubarão são um ingrediente popular, enquanto cavalos-marinhos secos são frequentemente comercializados para medicina tradicional. O contrabando de pepinos-do-mar tem menos registros, mas sabe-se que sofrem sobrepesca ilegal há muito tempo, e os pesquisadores acreditam que o volume real de contrabando pode ser maior do que os registros existentes indicam.
A equipe realizou um total de 298 conjuntos de amostras digitalizadas, incluindo 20 amostras de pepinos-do-mar, 30 de cavalos-marinhos e 18 de barbatanas de tubarão, a maioria proveniente de cargas contrabandeadas apreendidas anteriormente. Para cada amostra, os pesquisadores ajustaram a posição e combinaram diferentes cenários, capturando cinco conjuntos de imagens cada, além de criar digitalizações mistas contendo múltiplas amostras. Eles também simularam métodos de ocultação usados por contrabandistas, envolvendo as amostras em papel alumínio, roupas ou escondendo-as dentro de brinquedos infantis antes da digitalização. Além disso, o estudo utilizou a técnica de projeção de imagem de ameaça, sobrepondo essas imagens digitalizadas a tomografias computadorizadas de bagagens sem itens proibidos, para recriar o cenário real de itens contrabandeados escondidos na bagagem. Após o treinamento do algoritmo, os pesquisadores o testaram com um novo conjunto de imagens.
Os resultados dos testes mostraram que o algoritmo teve uma precisão geral de 92%. A precisão para barbatanas de tubarão foi de 95%, para cavalos-marinhos de 96% e para pepinos-do-mar de 86%. A taxa de falsos alarmes do algoritmo foi de 13%, com os seguintes dados por item: 2% para barbatanas de tubarão, 1% para pepinos-do-mar e 9% para cavalos-marinhos. Com sua alta precisão, este sistema de detecção inteligente tem potencial para se tornar uma ferramenta poderosa no combate ao contrabando, ajudando a interceptar grandes volumes de mercadorias contrabandeadas que escapam dos métodos de inspeção atuais.
Este sistema de detecção inteligente, focado em espécies específicas, não é uma solução infalível. A variedade de espécies marinhas contrabandeadas é grande, e os falsos alarmes do equipamento ainda exigem verificação manual. Além disso, os scanners de tomografia computadorizada 3D são caros e não estão disponíveis em todos os aeroportos; muitos ainda usam equipamentos de digitalização 2D. Portanto, o sistema de detecção inteligente servirá como um complemento aos métodos de inspeção existentes, e não como um substituto. A Dra. Pirotta afirmou que a pesquisa só pode simular cenários reais de contrabando com base em casos apreendidos anteriormente, e que a inteligência artificial não é uma panaceia para o trabalho de detecção, nem pode substituir a inspeção manual e o papel dos cães farejadores.Este texto foi elaborado por Wedoany. Qualquer citação por IA deve indicar a fonte “Wedoany”. Em caso de infração ou outros problemas, informe-nos prontamente, por favor. O conteúdo será corrigido ou removido. E-mail: news@wedoany.com









