Consumo global de suco de laranja cai 46,5% em 16 anos, redução de cerca de 2 bilhões de caixas
2026-06-09 10:57
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De acordo com pt.wedoany.com-O mercado global de suco de laranja está passando pela reestruturação mais significativa das últimas décadas. Uma pesquisa baseada em dados históricos do relatório "Citrus: Mercado e Comércio Mundial" do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostra que, entre as safras 2010/11 e 2025/26, o consumo global de suco de laranja caiu 46,5%, enquanto a produção mundial de laranja no mesmo período recuou apenas 18%. Isso significa que, nos últimos 16 anos, o consumo global de laranjas na forma de suco diminuiu em cerca de 2 bilhões de caixas (cada caixa com 40,8 kg).

A pesquisa foi realizada pela CitrusBR (entidade que representa os principais exportadores dessa commodity). Na safra 2010/11, o consumo global de suco de laranja equivalia a 588,4 milhões de caixas de laranja, enquanto na safra 2025/26 a previsão é de apenas 314,5 milhões de caixas. O mercado encolheu quase pela metade em 15 anos. Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, aponta que essa contração não pode ser atribuída inteiramente a mudanças no comportamento do consumidor. Ele afirma que a escassez de frutas devido a quebras de safra elevou os preços do suco a níveis sem precedentes nas três safras de 2023/24, 2024/25 e 2025/26, impactando os preços nas prateleiras para as envasadoras e para os consumidores nos Estados Unidos e na Europa.

A crise de oferta acelerou a crise de demanda. No Brasil, maior produtor e exportador global de suco de laranja, a propagação do greening e as sucessivas quebras de safra reduziram drasticamente a oferta de laranjas disponíveis para processamento. O cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro, a maior região produtora de suco de laranja do mundo, sofre com a pressão crescente de anomalias climáticas e da propagação de doenças. A previsão para a safra 2026/27 indica uma queda de quase 13% na produção, enquanto o greening já afeta quase metade das árvores frutíferas da região. Entre 2023 e 2025, os preços internacionais do suco de laranja atingiram os níveis mais altos da história, tornando o produto significativamente mais caro para envasadoras, varejistas e consumidores finais.

Os consumidores reduziram as compras, os varejistas diminuíram as promoções e o suco de laranja foi substituído por outras bebidas consideradas mais acessíveis em vários mercados. A situação dos estoques no Brasil também ilustra essa mudança. Dados divulgados pela CitrusBR em 2026 mostram que os estoques globais de suco de laranja brasileiro aumentaram 75,4%. Esse crescimento não se deve a um aumento na oferta, mas sim à menor absorção do produto pela demanda após os preços recordes anteriores. Ibiapaba Netto comentou na época que o aumento dos estoques reflete, de modo geral, a estabilização da demanda em mercados-chave após o período de preços elevados na safra anterior.

Dados do USDA mostram que o consumo global de laranja in natura permaneceu basicamente estável. Na safra 2010/11, cerca de 706 milhões de caixas de laranja foram destinadas ao mercado in natura, enquanto na safra 2025/26 a previsão é de 698 milhões de caixas, uma queda de apenas 1,1%. Os consumidores globais ainda consomem laranjas, mas a forma de consumo mudou. A participação da fruta fresca no uso global de laranja saltou de 51,5% para 62%, enquanto a parcela destinada ao processamento caiu de 47,6% para 37%. Na safra 2010/11, a indústria de processamento processava cerca de 653 milhões de caixas de laranja por ano; na safra 2025/26, esse número será de apenas 418 milhões de caixas, uma redução de 235 milhões de caixas de laranja que entram nas fábricas de suco anualmente. A CitrusBR afirma que cerca de 95% da redução total da oferta global de laranja nesse período foi absorvida justamente pela indústria de processamento.

A diferença entre os indicadores de produção e consumo sugere que o setor enfrenta mais do que um simples ciclo de baixa oferta. Entre 2010/11 e 2025/26, a produção global caiu 18%, enquanto o consumo de suco caiu 46,5%. Essa disparidade indica que a participação do setor no próprio mercado de laranja está diminuindo. Essa mudança decorre, em parte, do surgimento de novas bebidas, da ascensão de produtos considerados mais saudáveis ou funcionais, da redução na ingestão de açúcar e do enfraquecimento do hábito tradicional de tomar suco de laranja no café da manhã nos mercados desenvolvidos. Os preços recordes dos últimos três anos aceleraram o declínio de uma demanda que já vinha sendo gradualmente corroída. Agora, o desafio para a cadeia global de citros é como reconquistar os consumidores perdidos, justamente quando a oferta brasileira começa a dar sinais de recuperação e os preços internacionais também estão caindo. Ibiapaba Netto questiona: quando os preços finalmente recuarem para níveis mais acessíveis, quantos consumidores retornarão às prateleiras? Essa é a questão que o setor enfrenta.

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