Delegação da UE visita Brasil esta semana para avaliar mercado de peixes
2026-06-09 10:57
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De acordo com pt.wedoany.com-A delegação da União Europeia deve chegar ao Brasil esta semana para reavaliar o mercado local de peixes, abrangendo os setores de pesca e aquicultura, o que pode abrir caminho para a retomada das exportações brasileiras de peixes para a UE.

As vendas de peixes do Brasil para a UE estão paralisadas desde 2018. Na época, o Ministério da Agricultura do Brasil decidiu implementar um "autoembargo" para adequar a indústria nacional às exigências dos auditores europeus. Um relatório de auditoria apontou problemas sanitários nos barcos de pesca brasileiros. Desde então, as exportações de todo o setor pesqueiro, incluindo a aquicultura, para a Europa foram suspensas.

Francisco Medeiros, CEO da Peixe BR (Associação Brasileira de Piscicultura), afirmou em entrevista à CNN Agro News que, do ponto de vista da criação de tilápia, o setor está bastante otimista, pois, se já atendia às exigências em 2018, hoje o Brasil está ainda melhor em todos os aspectos, especialmente em sustentabilidade. Medeiros disse que as duas empresas de tilápia que serão inspecionadas pela delegação já adotam os mais altos protocolos operacionais do mundo desde então e possuem certificações internacionais.

O setor de criação de tilápia enfrenta atualmente diversas questões e múltiplos desafios. Um dos desafios vem do aumento das importações de tilápia do Vietnã; outro é a possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos; e o que mais preocupa o setor é a discussão no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre a inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras. O representante da Peixe BR avaliou que as dificuldades internas do setor são tantas que a questão das possíveis tarifas dos EUA acabou sendo temporariamente deixada de lado.

As importações de tilápia do Vietnã crescem a uma taxa média anual de 10%, tendência que já impacta a produção nacional brasileira. Medeiros destacou que, nos primeiros quatro meses de 2026, as importações de tilápia vietnamita no estado de São Paulo equivaleram a 30% da produção local no mesmo período. Isso não significa que o consumo local aumentou 30%, mas sim que as vendas das empresas locais caíram 30%. Ele acredita que as regras de produção, subsídios e políticas tributárias do Vietnã e da China são muito diferentes das do Brasil; os concorrentes recebem subsídios, enquanto as empresas brasileiras arcam com impostos mais altos.

Em 2 de junho, o governo do estado de São Paulo anunciou a publicação de um decreto que aplica um Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) específico sobre filés de tilápia importados. Medeiros explicou que a medida ajuda, mas ainda não atingiu o nível necessário para o setor. Anteriormente, os produtos vietnamitas entravam no Brasil com alíquota zero. O setor havia solicitado uma taxa de 18% sobre as importações, mas o decreto estadual adotou 7%, igualando à alíquota paga pela indústria local.

Medeiros classificou a possível inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras pelo Ibama como o maior risco para a aquicultura brasileira. A tilápia representa 70% do negócio de peixes cultivados no Brasil, e esse risco pode se estender a outras espécies. Em março deste ano, o Ibama já incluiu o pirarucu na lista de espécies exóticas invasoras. Um criador no Espírito Santo recebeu uma notificação do órgão ambiental estadual exigindo o abate de todos os indivíduos em 90 dias, com base na Instrução Normativa nº 07/2026. Medeiros enfatizou que, uma vez que a tilápia seja incluída, o governo brasileiro teria a obrigação, de acordo com acordos de biodiversidade firmados com 187 países, de controlá-la e erradicá-la, o que significaria, na prática, o desaparecimento da aquicultura brasileira. Embora a avaliação tenha sido prorrogada por 90 dias após pressão do setor, Medeiros afirma que o risco persiste. O setor acompanha a tramitação de um projeto de lei no Senado, já aprovado na Câmara, que exige que o Ministério da Agricultura se manifeste previamente antes de qualquer medida que afete espécies de valor econômico.

A possibilidade de os Estados Unidos imporem novos impostos sobre produtos brasileiros também está no radar do setor. A tilápia é o peixe mais exportado pelo Brasil, e seus filés frescos são altamente competitivos no mercado americano. Em 2025, as empresas absorveram os custos tarifários, mantendo o volume de exportações semelhante ao de 2024. Medeiros afirmou que a decisão final sobre as novas tarifas deve ser tomada em julho e, se confirmada, o setor precisará buscar alternativas, como expandir as exportações para o Canadá.

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