Maior projeto de transmissão subterrânea do Brasil entra em operação em março, com investimento superior a R$ 1,1 bilhão
2026-06-09 13:47
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De acordo com pt.wedoany.com-A maior linha de transmissão subterrânea do Brasil, o Projeto Riacho Grande, entrou em operação no final de março no estado de São Paulo, com 44,6 km de extensão e investimento superior a R$ 1,1 bilhão. Desenvolvido pela ISA Energia Brasil, o empreendimento foi energizado cinco meses antes do prazo estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Foto aérea de torres de transmissão próximas a reservatórios e áreas florestais em São Paulo, parte da infraestrutura relacionada ao Projeto Riacho Grande.

O projeto conecta a cidade de São Paulo à região do ABC Paulista, área de alta demanda energética, forte industrialização e densidade urbana. A infraestrutura combina trechos subterrâneos e aéreos de 345 kV, incluindo 9 km de segmento aéreo, aumentando a capacidade de fornecimento em uma das regiões de maior pressão do sistema elétrico nacional. Com escala inédita no segmento subterrâneo, o Projeto Riacho Grande reúne transmissão de alta tensão, engenharia urbana complexa e reforço direto no suprimento de energia. Embora outras linhas subterrâneas já operem no Brasil, nenhuma atinge a magnitude deste projeto.

A nova configuração permite que a energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu abasteça diretamente o ABC e parte da capital paulista, tornando o sistema mais seguro em horários de pico de consumo, sobrecarga ou eventos climáticos extremos. As obras incluíram a ampliação da Subestação Miguel Reale e da Subestação Sul, além da construção da nova Subestação São Caetano do Sul. A instalação tem capacidade de 800 MVA, desempenhando papel central na distribuição da energia transmitida pelo projeto.

A implantação de mais de 40 km de cabos subterrâneos na região metropolitana exigiu soluções de engenharia e logística para minimizar impactos no trânsito e no cotidiano da população, com o projeto atravessando uma área urbana de alta complexidade. A Subestação São Caetano do Sul foi construída em uma área de 11.800 m², utilizando tecnologia de equipamentos de manobra isolados a gás (GIS), sistemas que ocupam menos espaço e geram menor ruído, aspecto crucial em regiões urbanas densamente povoadas.

Em área urbana de São Paulo, equipe de obra instala cabos de transmissão subterrâneos ao lado de torres de transmissão, como parte do Projeto Riacho Grande.

A subestação atende mais de 2 milhões de pessoas, equipada com três transformadores de 400 MVA, dos quais dois operam continuamente e o terceiro serve como reserva para aumentar a confiabilidade operacional. O projeto também inclui a construção de uma torre de 120 metros de altura próxima à Represa Billings e a conexão com subestações existentes, combinando trechos subterrâneos, linhas aéreas e instalações auxiliares em pontos críticos do sistema.

Os cabos subterrâneos contam com sistema de monitoramento em tempo real para operação e manutenção da rede, permitindo acompanhamento técnico contínuo e resposta mais rápida em caso de anomalias. Segundo dados fornecidos pela ISA Energia Brasil, o projeto gerou cerca de 2.200 empregos diretos e indiretos durante a construção.

A entrada em operação do projeto ocorre em um momento de crescimento da demanda energética e aumento da pressão sobre as redes de transmissão, especialmente nas regiões metropolitanas. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), projetos como este aumentam a flexibilidade operacional e fortalecem a segurança do Sistema Interligado Nacional. O Ministério de Minas e Energia avalia que a expansão da rede de transmissão é essencial para acompanhar o crescimento do consumo e integrar novas fontes de geração.

Em uma região onde consumo, indústria e população avançam juntos, será que um empreendimento subterrâneo dessa escala pode redefinir a segurança elétrica urbana?

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