Cidade do México lança programa de certificação de espaços livres de plásticos descartáveis
2026-06-12 08:56
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De acordo com pt.wedoany.com-A Secretaria do Meio Ambiente da Cidade do México (SEDEMA) lançou o programa de certificação "Espaços Livres de Plásticos Descartáveis", voltado para instituições que já eliminaram ou estão em processo de eliminação de produtos plásticos descartáveis, reconhecendo seus esforços na adoção de alternativas sustentáveis em suas operações.

O programa abrange instituições de ensino, centros culturais, hotéis, restaurantes, cafeterias, edifícios corporativos, escritórios e outros locais dentro de corredores designados pelo governo. Os candidatos devem substituir produtos plásticos descartáveis por alternativas compostáveis ou outras opções sustentáveis. Após a análise documental, a SEDEMA realizará uma inspeção in loco para verificar se as operações estão em conformidade com a Lei de Resíduos Sólidos da Cidade do México. As empresas certificadas receberão um certificado oficial e uma placa, além de benefícios como promoção, inclusão no catálogo municipal de espaços livres de plástico, acesso a treinamentos e conexão com fornecedores sustentáveis.

Desde 2020, a Cidade do México proíbe legalmente a comercialização e circulação de sacolas plásticas. Em 2021, a restrição foi ampliada para incluir talheres, pratos, canudos, balões, copos, bandejas de alimentos e outros produtos plásticos descartáveis. Segundo dados da SEDEMA, até julho de 2023, as autoridades de fiscalização emitiram mais de 70 mil multas. No entanto, a intensidade da fiscalização diminuiu significativamente nos últimos anos: em 2024, foram instaurados 50 casos de infrações, dos quais apenas 3 resultaram em sanções; entre janeiro e outubro de 2025, foram instaurados 18 casos, com apenas 2 resultando em penalidades.

A controvérsia sobre a eficácia das restrições aos plásticos descartáveis se estendeu ao nível nacional. O Relator Especial da ONU sobre Substâncias Tóxicas e Direitos Humanos, Marcos Orellana, declarou em um comunicado, emitido no contexto de uma decisão judicial obtida por várias organizações da sociedade civil, que reconhece a obrigação do Estado mexicano de tomar medidas eficazes para lidar com os impactos ambientais e de saúde relacionados aos plásticos descartáveis. Orellana considera que os mecanismos previstos na Lei Geral de Economia Circular (LGEC) do México "não estabelecem proibições ou medidas específicas capazes de garantir uma redução significativa na produção e consumo desses produtos", e pede o fortalecimento de instrumentos como a Responsabilidade Estendida do Produtor (REP). Susana Hernández, diretora técnica da Associação Nacional da Indústria de Plásticos (ANIPAC), afirmou: "Restringir esses materiais não trouxe uma regulamentação eficaz, pois eles são frequentemente mal utilizados. A informação recebida pela sociedade é ruim, pois os plásticos são substituídos por produtos rotulados como ecológicos, que, após análise técnica, podem não ser." Ela observou que alguns produtos alternativos, como o papel, têm bom desempenho em certas aplicações, mas podem ter uma pegada ambiental enorme quando usados para transportar produtos.

Para responder às preocupações das partes interessadas, a SEDEMA convocou um grupo de trabalho em setembro de 2025 para revisar e propor alterações à norma técnica NACDMX-010-AMBT-2019. O grupo, composto por representantes da indústria, academia, organizações ambientais e órgãos governamentais, visa aumentar a segurança regulatória, prevenir o greenwashing, combater o mercado informal e alinhar a capacidade de infraestrutura necessária para conformidade e verificação.

A poluição global por plásticos é igualmente urgente. De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), cerca de 430 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente no mundo, das quais quase dois terços são produtos de vida curta. Desde a década de 1950, a humanidade acumulou mais de 9,2 bilhões de toneladas de plástico, das quais cerca de 7 bilhões de toneladas se tornaram resíduos, com apenas cerca de 9% sendo efetivamente reciclados globalmente. Entre 19 e 23 milhões de toneladas de plástico entram nos ecossistemas aquáticos anualmente. Mais de 170 países participam das negociações do tratado global sobre poluição plástica liderado pela ONU, mas ainda há divergências sobre se o foco deve ser na gestão de resíduos ou na limitação da produção de plástico virgem. Pesquisas preveem que, sob as políticas atuais, o consumo global de plástico pode triplicar até 2060, passando de 460 milhões de toneladas em 2019 para mais de 1,2 bilhão de toneladas por ano. Um estudo publicado em 2025 mostra que apenas 9,5% do plástico produzido em 2022 veio de materiais reciclados, com o restante dependendo basicamente de matérias-primas à base de combustíveis fósseis.

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