De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a aquisição da Desktop pela Claro, deixando claro que a transação não prejudicará a concorrência no mercado. José Borges, diretor de Concorrência da Anatel, afirmou durante o evento Teletime Tec, organizado pela TELETIME em São Paulo na quinta-feira (11), que, embora ambas as empresas sejam participantes importantes no mercado de banda larga, a transação não impedirá a entrada de concorrentes, e os consumidores nas cidades onde essas empresas operam de forma consolidada ainda terão outras opções.

Esta decisão marca um novo tom da Anatel, que passa a considerar a consolidação como um processo necessário para a maturidade do mercado. Borges afirmou que, do ponto de vista do regulador, o número de participantes é um ativo valioso, e quando ocorre uma consolidação, é necessário observar a estabilidade do mercado, o funcionamento dos mecanismos e se as escolhas dos usuários são preservadas. Ele enfatizou que, desde que o mercado não esteja fechado e os participantes ainda possam competir dentro da estrutura concorrencial, a Anatel manterá a mesma postura em transações semelhantes.
A Anatel também está atenta à sustentabilidade da rede, incluindo a capacidade de cada grupo realizar investimentos e manter níveis de receita compatíveis com as necessidades de investimento. Borges mencionou que as dificuldades de ajuste de preços e a pressão crescente sobre as redes devido a aplicações que exigem maior capacidade de upload justificaram o início da terceira consulta pública sobre a relação entre o setor de telecomunicações e as grandes empresas de tecnologia.
No caso da Claro e da Desktop, a posição da Anatel reflete um novo paradigma de entendimento. A Claro lidera o mercado de banda larga com cerca de 10,76 milhões de assinantes, dos quais 4,58 milhões são clientes em São Paulo; a Desktop opera em aproximadamente 200 cidades no interior e litoral de São Paulo, com 1,2 milhão de clientes. Após a conclusão da transação, a Claro terá quase 12 milhões de acessos de usuários no Brasil e liderará o mercado de São Paulo à frente da Vivo.
Borges enfatizou que a decisão sobre fusões e aquisições não se limita ao Índice Herfindahl-Hirschman (HHI). A análise preliminar indicou que a transação poderia levar a um retrocesso no nível de concorrência no estado de São Paulo, mas a Anatel avalia se existem soluções de rede de transporte e outros provedores localmente, bem como o grau de maturidade concorrencial de cada município. Ele destacou que a Anatel não protege empresas, mas sim o processo concorrencial, e enquanto esse processo estiver em funcionamento, não vê problemas.
O diretor de Concorrência também apontou que, com a regularização de pequenos provedores, a Anatel expandiu suas fontes de informação para subsidiar decisões sobre fusões e aquisições. Ele avalia que há excesso de oferta de fibra no mercado, e os provedores precisam buscar eficiência operacional e ocupação da rede. Borges afirmou que a Anatel não considera o processo de consolidação negativo; pelo contrário, ele pode fortalecer provedores regionais, especialmente em um contexto de taxas de juros elevadas e dificuldades de ocupação da rede.
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