De acordo com pt.wedoany.com-Com o renascimento global da energia nuclear e a entrada em operação de novos reatores, o plano de exportação do excedente de urânio brasileiro encontra uma janela de oportunidade estratégica. Impulsionado pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB), o plano visa aproveitar a recuperação dos preços internacionais do concentrado de urânio a partir de 2030.

De acordo com a lei, é permitida a exportação do excedente de urânio desde que seja estabelecida uma reserva estratégica. O ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que a exportação deve ser realizada pela INB como interveniente. O ex-presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães, destacou que a promulgação da Lei nº 14.514, de 2022, removeu os obstáculos legais para a participação privada nos projetos de exploração da INB, tornando a exportação de urânio uma estratégia de longo prazo.
Como controladora da INB, a ENBPar planeja aumentar a produção nacional por meio de parcerias com empresas privadas e exportar o excedente a partir de 2028. A empresa está colaborando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para encontrar mercados potenciais, como China e Europa. Atualmente, o preço do concentrado de urânio é de cerca de 85 dólares por libra, o dobro do valor de cinco anos atrás, e o mercado espera que esse preço continue subindo até depois de 2030.
Leonam Guimarães analisa que a produção global de urânio já está próxima do consumo, e a onda de renascimento nuclear sinaliza grandes oportunidades. No entanto, o plano brasileiro também enfrenta desafios, como a obtenção de licenças ambientais para novas minas e os investimentos na modernização das usinas de processamento de urânio. A mina de Santa Quitéria, localizada no Ceará, é considerada o projeto de maior prioridade. Desenvolvida em parceria com a Galvani, a mina pode produzir 2.300 toneladas de concentrado de urânio e 1,05 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano.
A mina de Santa Quitéria deve obter a licença ambiental em 2027 e iniciar a produção em 2031. A ENBPar está trabalhando com o governo do Ceará para acelerar o processo, mas o procedimento de consulta prévia aos povos indígenas pode atrasar o cronograma. Fontes informadas apontam que, se a mina operar simultaneamente com a mina existente de Caetité, especialmente sem a construção da usina nuclear Angra 3, o suprimento doméstico de urânio do Brasil apresentará excedente. Além disso, a ENBPar está em parceria com o BNDES para buscar parceiros de exploração em cinco estados.
De acordo com o Plano Nacional de Energia (PNE), a capacidade instalada de energia nuclear do Brasil deve aumentar para 14 gigawatts (GW) até 2055, quando a produção anual de concentrado de urânio da INB pode precisar ser elevada para 2.800 a 3.000 toneladas, reduzindo assim o volume previsto de exportação. No entanto, Leonam Guimarães enfatiza que as reservas de urânio do Brasil são enormes, suficientes para sustentar o plano e continuar exportando. Na área de cadeia de suprimentos, o Brasil está colaborando com a Amazul para avançar na nacionalização das etapas de conversão e enriquecimento do urânio.
Atualmente, a capacidade de beneficiamento e conversão do Brasil é limitada: o beneficiamento foi interrompido no país há cerca de dois anos, e a etapa de conversão do yellowcake em hexafluoreto de urânio nunca foi realizada em escala industrial no país. A exportação de yellowcake e os serviços de conversão dependem de contratos com a Internexco GmbH, subsidiária da Rosatom. Leonam Guimarães considera que o caminho ideal seria exportar combustível nuclear de alto valor agregado, mas, na fase inicial, gerar receita com a exportação de concentrado e investir na expansão da capacidade da cadeia produtiva é uma escolha pragmática. A INB afirma que a empresa está se orientando pela estratégia nacional, preparando-se para atender às demandas do programa nuclear brasileiro e desenvolver toda a cadeia de valor do ciclo do combustível.
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