BP planeja vender participações minoritárias em dois grandes projetos de águas profundas no Golfo do México dos EUA, cada um com capacidade de 80.000 barris/dia
2026-06-18 11:26
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De acordo com pt.wedoany.com-A BP está buscando parceiros para seus dois principais projetos de águas profundas no Golfo do México dos EUA, Kaskida e Tiber, e já iniciou a venda de participações minoritárias. Conforme noticiado anteriormente, a BP considerou vender até 50% de cada projeto. Esta transação pode chegar a dezenas de bilhões de dólares e faz parte da estratégia da nova CEO, Meg O'Neill, que assumiu o cargo em abril deste ano, sendo a primeira líder externa da BP em mais de um século. Embora os dois projetos estejam localizados no lado americano, o processo de venda e sua lógica estratégica têm relevância direta para a forma como os projetos de águas profundas no México são conduzidos.

BP comercializa participações em dois megaprojetos no Golfo dos EUA

Kaskida e Tiber são alguns dos projetos offshore mais importantes da BP no Golfo do México dos EUA. Cada projeto tem capacidade de produção estimada de 80.000 barris por dia após o início da operação. A BP aprovou o projeto Kaskida em 2024, que será seu sexto hub de produção operacional no Golfo do México, com previsão de primeira produção em 2029. A fase inicial de desenvolvimento incluirá a construção de uma plataforma de produção flutuante e a conexão de poços submarinos. A empresa aprovou em 2025 o projeto Tiber-Guadalupe, de propriedade integral da BP, que se tornará seu sétimo hub operacional no Golfo do México, com previsão de primeira produção em 2030. Esses dois projetos fazem parte do desenvolvimento dos recursos da camada Paleogena, uma região rica em petróleo em águas profundas do Golfo do México. O campo Kaskida está localizado no bloco Keathley Canyon, no Golfo do México dos EUA, com reservas geológicas de petróleo de aproximadamente 3 bilhões de barris, descoberto em 2006 a uma profundidade de água de cerca de 1.790 metros, comparável à profundidade na fronteira da Cintura Dobrada Perdido, no México.

Esta venda de participações ocorre após a BP ajustar sua estratégia corporativa e reorientar o foco para o negócio de petróleo e gás. Nos últimos anos, a BP reduziu sua ênfase em energias renováveis, uma mudança impulsionada pela pressão dos investidores e pelo desempenho das ações abaixo do esperado. A empresa enfrenta pressão contínua para melhorar os retornos e fortalecer seu portfólio de ativos upstream. A BP vê o mercado dos EUA como um dos principais motores de sua expansão futura, com a meta de aumentar a produção nos EUA para cerca de 1 milhão de barris equivalentes de petróleo por dia até 2030. Vender participações minoritárias em Kaskida e Tiber, mantendo a operação, é uma estratégia de reciclagem de capital: atrai capital de parceiros para financiar o desenvolvimento, enquanto mantém o controle da BP sobre a execução. Essa estrutura é a mesma dos contratos mistos e joint ventures usados por empresas petrolíferas multinacionais no México.

O Golfo do México dos EUA e a fronteira marítima do México compartilham a mesma geologia: a Cintura Dobrada Perdido e a camada Paleogena mais ampla se estendem por ambos os lados. Em contraste, a maior parte das águas profundas do México permanece inexplorada; até 2016, a estatal mexicana PEMEX, com restrições financeiras, era a única empresa a realizar exploração em águas profundas desse lado. Apesar da falta de investimento, a perfuração exploratória na Cintura Dobrada Perdido já confirmou a presença de hidrocarbonetos significativos. Em 2019, antes da pandemia, a produção do Golfo do México dos EUA atingiu um pico de mais de 2 milhões de barris por dia, enquanto o México ainda não havia produzido petróleo em águas profundas. O primeiro projeto de águas ultraprofundas do México, Trion, descoberto pela PEMEX em 2012, foi aprovado pela Comissão Nacional de Hidrocarbonetos (CNH) do México e está sendo desenvolvido em parceria com a Woodside, com previsão de início de produção em 2028 e pico de produção de cerca de 110.000 barris de petróleo e 101 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia. Dezesseis anos após sua descoberta, este projeto continua sendo o único projeto de águas profundas no México com potencial para primeira produção, enquanto a BP já possui sete hubs operacionais do outro lado da fronteira.

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