De acordo com pt.wedoany.com-O Comitê Permanente de Licitações (CPL) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu apoiar o recurso administrativo apresentado pela Ebrasil, revogando a decisão anterior que cancelou a elegibilidade de seu consórcio com a Celne no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) realizado em 18 de março.

De acordo com a nota técnica assinada pelo comitê, a decisão recomenda a revogação da Portaria nº 1.850/2026, que anteriormente cancelou a elegibilidade do consórcio da usina termelétrica Monte Fuji M1, restabelecendo agora sua elegibilidade no leilão. Esta foi a primeira desclassificação aplicada pelo comitê neste leilão. Conforme previsto no edital, a empresa recorreu da decisão no prazo de três dias úteis. A usina é movida a gás natural e possui capacidade instalada de 298,99 megawatts.
O consórcio EBrasil/Celne havia vencido o projeto Monte Fuji M1 com uma proposta de R$ 2.323.009,12 por megawatt ao ano, sendo o vencedor do produto de potência termelétrica para 2028. Durante a fase de verificação de elegibilidade, o CPL considerou que o consórcio não atendeu ao requisito de comprovação de patrimônio líquido mínimo proporcional à participação de cada empresa membro, resultando em sua desclassificação.
No recurso apresentado em 26 de maio, a EBrasil argumentou que a exigência de comprovação individual do patrimônio líquido não tem fundamento na Lei nº 14.133/2021 e defendeu que a capacidade econômico-financeira do grupo foi comprovada pelos ativos consolidados das empresas participantes. A empresa destacou que a Celne é uma subsidiária integral da EBrasil, que detém 100% de seu capital social e lidera o consórcio.
Com base nesses argumentos, o CPL solicitou parecer da Procuradoria Federal junto à Aneel. No parecer emitido em 10 de junho, a Procuradoria considerou que a exigência no edital de que cada membro do consórcio atinja individualmente o patrimônio líquido mínimo é legalmente válida e está em conformidade com a Lei nº 14.133/2021, considerando as características específicas dos leilões de energia elétrica. A Procuradoria também apontou que, neste caso, pode ser aplicado o entendimento adotado pela Diretoria da Aneel no Leilão de Transmissão nº 1/2020, que equipara Sociedades de Propósito Específico (SPEs) a subsidiárias integrais para fins de comprovação patrimonial.
O parecer considerou que a relação entre a EBrasil e a Celne demonstra consistência de controle e estrutura patrimonial suficiente para comprovar a capacidade econômico-financeira necessária para a execução do projeto. A Procuradoria destacou que a EBrasil, como líder do consórcio e detentora de 99% das ações, possui patrimônio líquido superior ao mínimo exigido no edital.
De acordo com documentos apresentados à Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o investimento declarado para a usina termelétrica Monte Fuji M1 é de R$ 1,564 bilhão. O requisito mínimo de patrimônio líquido é de 10% desse valor, ou seja, R$ 156,4 milhões. A análise do CPL determinou que a EBrasil possui patrimônio líquido de R$ 321,867 milhões, suficiente para atender aos requisitos do edital. A Procuradoria também reiterou que não podem ser considerados aumentos de capital realizados após a apresentação dos documentos de elegibilidade, pois os requisitos econômico-financeiros devem ser comprovados na data estipulada no edital.
Com base no parecer jurídico e na análise técnica, o CPL concluiu que o consórcio possui as condições necessárias para obter elegibilidade no leilão. A nota técnica recomenda a publicação de uma portaria revogando a decisão anterior de desclassificação e concedendo elegibilidade ao consórcio da usina termelétrica Monte Fuji M1 no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026.
O comitê destacou que a situação merece reflexão em futuros editais, uma vez que o consórcio é composto por duas empresas do mesmo grupo econômico, sendo a sócia minoritária uma subsidiária integral da empresa líder. Segundo o CPL, essa configuração não se alinha totalmente ao propósito tradicional de um consórcio, que é unir forças de diferentes pessoas jurídicas para aumentar a competitividade no leilão. Após o término do prazo recursal e a possível análise de novos recursos, o CPL recomenda que o processo seja encaminhado ao diretor relator para aprovação parcial dos resultados e adjudicação do objeto do leilão.
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