De acordo com pt.wedoany.com-O governo do Burkina Faso lançou uma operação de inspeção de algumas infraestruturas públicas de telecomunicações em todo o país, com o objetivo de proteger estes equipamentos para garantir o acesso estável à Internet e aos serviços digitais. A inspeção, iniciada pelo Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Comunicações Eletrónicas no dia 15 de junho, decorrerá até 24 de junho, abrangendo redes de fibra ótica, equipamentos técnicos, sistemas de fornecimento de energia e outras instalações essenciais para o funcionamento dos serviços de telecomunicações. O ministério afirmou num comunicado que a medida visa proteger o investimento público neste setor, prevenir falhas, melhorar o desempenho das infraestruturas e aumentar gradualmente a qualidade da conectividade em benefício da população.

Esta operação de inspeção ocorre vários meses após o lançamento da construção do centro de supervisão de infraestruturas digitais pelas autoridades do Burkina Faso. O centro, com um custo estimado de 3,05 mil milhões de francos CFA (cerca de 5,4 milhões de dólares), deverá entrar em funcionamento em outubro de 2026, tendo como principais tarefas a monitorização centralizada da rede backbone nacional, a segurança do ciberespaço, a operação de centros de dados, bem como a manutenção e proteção das infraestruturas digitais críticas do país.
As infraestruturas digitais do Burkina Faso enfrentam múltiplos riscos, sendo os atos de vandalismo uma das principais ameaças. As atividades de destruição concentram-se principalmente nas redes de fibra ótica e cabos de cobre, manifestando-se através de roubos individuais e danos nos cabos, cujos componentes metálicos são revendidos no mercado informal. Além disso, obras públicas e privadas, como remodelações urbanas, desenvolvimento imobiliário, reparação de estradas ou instalação de redes de abastecimento de água, também causam frequentemente danos nos cabos.
Para além da fibra ótica e dos cabos de cobre, os locais de telecomunicações dos operadores também são alvos, com roubos frequentes de geradores, painéis solares ou combustível diesel, equipamentos essenciais para o funcionamento das estações base. No Burkina Faso, a situação de segurança tem um impacto grave nas redes de telecomunicações, com cerca de um quarto das antenas das estações base destruídas por grupos armados, resultando numa redução estimada de 10% a 20% na cobertura dos serviços móveis e de Internet, e numa deterioração geral da qualidade do serviço.
De acordo com um estudo da Autoridade Reguladora das Comunicações Eletrónicas e dos Correios (ARCEP), o número de torres de telecomunicações destruídas aumentou de 11 em 2019 para 106 em 2022. Simultaneamente, o número de locais inoperacionais ou inacessíveis passou de 632 em 2022 para 681 em agosto de 2023. Os operadores Orange e Moov Africa relataram o impacto destas destruições nas suas operações.
Os esforços para proteger as infraestruturas digitais estão a decorrer no âmbito do processo de transição digital do país. Estas infraestruturas são essenciais para o funcionamento do governo, das empresas e dos serviços digitais, com uma procura crescente de acesso à Internet por parte dos utilizadores domésticos, enquanto as empresas necessitam delas para colaboração, serviços na nuvem e gestão de dados. O governo do Burkina Faso planeia alcançar a cobertura nacional de banda larga de alta velocidade até 2030. De acordo com dados da União Internacional das Telecomunicações, em 2024, cerca de 28,3% da população do país tinha acesso à Internet, e a taxa de penetração da telefonia móvel era de 63,9%.
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