De acordo com pt.wedoany.com-O Governo Federal do Brasil está estudando modificar a política de compras públicas, propondo ampliar a margem de preferência para bens de capital nacionais, a fim de fortalecer o apoio à indústria nacional e adotar a certificação Finame do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como critério central.

A proposta está contida em uma nota técnica elaborada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), com o objetivo de fundamentar as decisões do Comitê Interministerial de Compras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (CICS). De acordo com as regras, o governo pode conceder uma vantagem competitiva de até 10% para produtos manufaturados nacionais em licitações públicas da administração direta federal, autarquias e fundações, dentro dos limites previstos na lei de licitações. O CICS foi criado para regulamentar o uso de margens de preferência na administração pública federal, mecanismo este originado da Lei nº 14.133/2021 e da Constituição Federal, sendo utilizado como instrumento de política para estimular o desenvolvimento econômico e a inovação.
A margem de preferência proposta de 10% permite que produtos nacionais vençam licitações mesmo diante de ofertas de importação mais baratas, desde que seu preço não ultrapasse em 10% a melhor oferta estrangeira e que o produto possua código CFI válido e ativo no catálogo do BNDES, compatível com os códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) definidos na resolução. O órgão estabeleceu na nota técnica que a aplicação da margem de preferência estará vinculada ao Catálogo de Finame (CFI), sistema do BNDES para certificação de fabricantes e produtos financiáveis. Nesse modelo, o CFI torna-se o critério central para identificar bens nacionais elegíveis, substituindo mecanismos paralelos de comprovação de conteúdo local. Os fabricantes precisam obter o código Finame para incluir seus produtos no sistema, condição necessária para acessar linhas de financiamento do BNDES voltadas à aquisição de máquinas e equipamentos.
Nos últimos anos, a importância do CFI ultrapassou o âmbito do financiamento, passando a ser utilizado como referência em diferentes políticas públicas, incluindo compras governamentais, programas de investimento como o Novo PAC e iniciativas relacionadas ao setor energético. De acordo com a fundamentação técnica, o uso do CFI pode aumentar a segurança metodológica, reduzir custos administrativos de verificação e evitar a criação de novos padrões de certificação, ao mesmo tempo que fortalece a demanda por produtos manufaturados nacionais. A proposta abrange cerca de 32 mil produtos, envolvendo mais de 9 mil empresas, com predominância de máquinas e equipamentos industriais. O texto mantém a aplicação da margem de preferência "normal" e abre espaço para futuras margens adicionais para produtos com inovação tecnológica, mediante regulamentação específica.
O objetivo da medida é fortalecer a integração entre o poder de compra do governo e o financiamento produtivo via Finame, visando reforçar a política industrial brasileira. Esta iniciativa está alinhada com programas como "Nova Indústria Brasil", "Novo PAC" e a "Estratégia Nacional de Compras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável". O governo acredita que a medida pode estimular a produção nacional, expandir o emprego e aumentar a arrecadação fiscal, direcionando parcela relevante das compras públicas para fornecedores brasileiros.
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