MRN do Brasil desenvolve modelo de classificação de textura de bauxita para otimizar processo de mineração
2026-06-25 11:26
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De acordo com pt.wedoany.com-A Mineração Rio do Norte (MRN), em parceria com pesquisadores, desenvolveu um modelo integrado de classificação textural para bauxita na região de Porto Trombetas (Pará), na Amazônia brasileira, visando otimizar os processos de lavra e beneficiamento. O estudo investigou sistematicamente as propriedades físicas, químicas, mineralógicas e microestruturais de quatro texturas típicas de bauxita encontradas nas frentes de lavra da MRN: porcelanosa (PO), auréola (AU), brechada (BW) e granular (GR).

Estudo revela relação entre textura da bauxita e lavra, otimizando processos industriais

O estudo testou parâmetros críticos de processo, como densidade, umidade, porosidade, secagem auxiliar e tenacidade, em um total de 148 amostras. A análise revelou que as texturas auréola e porcelanosa apresentam melhor desempenho e maior ganho de qualidade durante a secagem; enquanto as texturas granular e brechada com revestimento de quartzo geram mais finos, retêm maior umidade e exibem maior abrasividade. O estudo destacou que, apesar da baixa porosidade total, a textura auréola possui alta conectividade entre os poros, o que favorece a difusão de umidade, explicando sua rápida secagem; inversamente, o aumento da porosidade nem sempre melhora o desempenho, pois uma alta tortuosidade pode obstruir o fluxo de água.

Em relação ao comportamento de retenção de umidade, as diferentes texturas apresentaram diferenças significativas: a textura brechada, devido à alta conectividade dos poros, retém mais umidade de forma estável; texturas mais densas, como porcelanosa e auréola, mantêm baixo teor de umidade e baixa variabilidade; a textura granular, por sua heterogeneidade, apresenta comportamento intermediário, mas é crucial para o controle operacional da lavra e beneficiamento. O estudo também apontou que o ganho de qualidade, definido pela redução relativa de sílica reativa e mínima perda de massa, é proporcional à tenacidade e densidade do material, sendo maior nas texturas auréola e porcelanosa; enquanto texturas de menor densidade apresentam maior perda de massa e menor ganho de qualidade.

A análise química granulométrica revelou ainda que os finos gerados por diferentes texturas possuem teores distintos de sílica reativa (SIR). Com base nisso, a equipe de pesquisa propôs que, ajustando a classificação por ciclones ou otimizando estratégias de mistura, é possível melhorar a recuperação de qualidade e aumentar a eficiência de separação de sílica para as texturas auréola e porcelanosa. Para estimar os ganhos potenciais antes do beneficiamento, o estudo desenvolveu um modelo preditivo inicial. Esse modelo demonstrou que o planejamento da redistribuição da lavra de bauxita em escalas mensal ou anual, com base na classificação textural, pode reduzir o consumo de água, aumentando assim a eficiência operacional geral da planta.

Este estudo mostra que a classificação textural é uma ferramenta robusta e aplicável na geometalurgia da bauxita, capaz de prever o comportamento do minério, ajustar rotas de processo, otimizar o consumo de energia, controlar a geração de finos e minimizar perdas relacionadas à sílica reativa. Fundada em 1967, a Mineração Rio do Norte (MRN) iniciou suas operações em Porto Trombetas, Pará, em 1979, e atualmente é a maior produtora de bauxita do Brasil, com capacidade anual de aproximadamente 12 milhões de toneladas. Em abril deste ano, a MRN obteve a licença de instalação para o "Projeto Nova Mina", que pode estender suas operações locais até 2041, com investimento total estimado em 9 bilhões de reais e meta de produção anual de bauxita de 12,5 milhões de toneladas.

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