Estudo da EPE sugere liberação de até 4 GW de capacidade para energia limpa no Nordeste
2026-06-25 11:37
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De acordo com pt.wedoany.com-A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em um de seus estudos prospectivos, aponta que o sistema de transmissão elétrica da região Nordeste do Brasil pode, a partir de 2032, acomodar adicionalmente até 4 gigawatts (GW) de grandes consumidores de energia, liberando espaço para novos projetos industriais, como centros de dados e hidrogênio verde. A região concentra um dos maiores potenciais de geração de energia renovável do país.

Canal Solar - Estudo da EPE sugere liberação de até 4 GW para novos projetos de energia limpa no Nordeste

O relatório, intitulado "Estudo Prospectivo para Introdução de Cargas Eletrointensivas no Nordeste", foi elaborado pela EPE com o objetivo de fornecer suporte técnico para futuras decisões do Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a expansão da infraestrutura elétrica. O estudo concentra-se na avaliação de planos de expansão da rede elétrica em Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí, regiões que estão se tornando polos de atração para novos investimentos industriais relacionados à transição energética.

A EPE não propõe uma expansão total única, mas sim uma configuração escalável que permita que os investimentos sejam realizados em etapas, conforme o avanço real dos projetos de consumo. A proposta visa acomodar cargas em qualquer combinação entre as duas regiões, com capacidade total limitada a 4 GW. Esse desenvolvimento gradual pode reduzir o risco de superdimensionamento da rede, evitando a construção prematura de ativos desnecessários, ao mesmo tempo que oferece flexibilidade de planejamento para lidar com a incerteza quanto ao ritmo de implantação de projetos na economia do hidrogênio e de infraestrutura digital.

Para viabilizar a conexão de novos consumidores, a EPE analisou 12 alternativas de expansão do sistema de transmissão antes de selecionar a recomendada. As obras sugeridas incluem a construção de uma nova subestação Pecém IV em 500 kV, próxima às subestações existentes Pecém II e Pecém III, e a construção de 1.848 km de novas linhas de transmissão em 500 kV, conectando os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Essas obras não apenas ampliarão a capacidade de atendimento a novos consumidores, mas também eliminarão gargalos existentes entre os sistemas de transmissão dos dois estados diretamente beneficiados. Segundo a EPE, em um cenário de alta geração local de energia eólica e solar, essa configuração pode permitir a conexão adicional de 4 GW, aumentando a capacidade de absorção de energia renovável na região.

O custo estimado da solução recomendada é de aproximadamente 5,68 bilhões de reais. Desse total, cerca de 1,09 bilhão de reais corresponde à primeira fase das obras sugeridas, prevista para 2032; os 4,59 bilhões de reais restantes serão executados gradualmente, conforme a efetiva concretização dos projetos de consumo e as necessidades de expansão da rede. Com essa abordagem, a EPE busca alinhar o planejamento de longo prazo da transmissão com o ritmo esperado dos investimentos industriais na região.

A proposta ainda não constitui uma decisão final de investimento, mas sim um subsídio técnico para futuras avaliações do governo federal sobre novos projetos de transmissão e possíveis leilões de expansão da rede. O estudo indica que, do ponto de vista da infraestrutura elétrica, os estados do Ceará e do Piauí já possuem um caminho de expansão planejado para receber este novo ciclo de investimentos, desde que os projetos previstos avancem e justifiquem a implementação faseada das obras de reforço propostas.

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