Primeira fábrica mundial de transformação de resíduos de bauxita em ferro verde da New Wave Brasil inicia operação em novembro
2026-06-27 12:01
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De acordo com pt.wedoany.com-A New Wave está construindo, dentro da refinaria Alunorte, em Barcarena, Pará, a primeira fábrica do mundo que utiliza tecnologia de micro-ondas para transformar resíduos de bauxita em ferro verde.

Segundo o fundador e CEO da empresa, Gustavo Emina, o projeto está programado para iniciar a produção em novembro. A fábrica utilizará recursos secundários para produzir ferro com baixa pegada de carbono, gerando também um subproduto inerte que pode ser usado na indústria da construção. Emina afirmou, durante o evento "Diálogos da Transição" da Energy Summit 2026, realizado em 26 de junho no Rio de Janeiro, que atualmente são geradas 180 milhões de toneladas de resíduos de bauxita por ano no mundo, com um estoque acumulado superior a 4 bilhões de toneladas. Ele destacou que a demanda por alumínio impulsionada pela transição energética deve aumentar esse número para 210 milhões de toneladas até 2032, tornando a solução da New Wave uma alternativa global.

A fábrica transformará rejeitos de bauxita — o segundo maior resíduo industrial do mundo, rico em óxido de ferro — em um produto com pureza de 96%, superior ao ferro-gusa e próximo ao nível do aço. O processo utiliza micro-ondas para alterar a fase mineral e alcança a neutralidade do ciclo do carbono por meio do carbono. O subproduto inerte e não tóxico gerado pode ser utilizado na fabricação de cimento, substituindo o clínquer, ampliando assim o impacto ambiental positivo da solução.

A New Wave também está desenvolvendo tecnologia para refinar lítio no Brasil, com planos de construir uma fábrica com capacidade de produção anual de 20 mil toneladas. O objetivo é transformar o concentrado de espodumênio, atualmente exportado para a China, em carbonato de lítio grau bateria, com custo competitivo em relação ao produto chinês. Emina afirmou que 94% do lítio mundial é refinado na China, e o Brasil não está agregando valor, enquanto a tecnologia da empresa pode alcançar custos mais baixos que os da China. O processo de micro-ondas também pode reduzir o impacto ambiental ao tratar os resíduos gerados (que representam 95% do material extraído) e evitar o descarte inadequado.

O CEO criticou a lentidão na aprovação de licenças ambientais no Brasil, que pode levar de 10 a 12 anos desde a maturação do projeto até a aprovação. Ele enfatizou que o mundo está investindo em capacidade, enquanto o Brasil está na contramão; existe uma janela tecnológica, e se começarmos a discutir e criar gargalos, perderemos a oportunidade. Emina mencionou os incentivos dos Estados Unidos, que estabelecem metas de 3 anos, e defendeu que o Brasil deve diversificar suas parcerias com EUA, Europa e Japão, evitando criar gargalos que impeçam investimentos. Ele acredita que o Brasil possui energia limpa e barata, recursos naturais e água, mas sem essa agilidade, acabará não sendo competitivo.

Emina elogiou as políticas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já aprovou linhas de crédito para a fábrica de Barcarena. No entanto, ele observou que o modelo ainda exige garantia total do tomador, com 100% do risco sobre o mutuário. O executivo defendeu que o Brasil avance na inovação de mecanismos de financiamento, permitindo que o BNDES opere com mais flexibilidade, como em outros países, e coloque a economia circular como agenda estratégica nacional. Ele concluiu afirmando que é crucial focar em economia circular, descarbonização e transição energética, com ênfase na mineração de múltiplos minerais, e não apenas de um único mineral.

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