Komet Irrigation, da Áustria, investe R$ 2 milhões em laboratório no Brasil
2026-06-27 15:22
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De acordo com pt.wedoany.com-A Komet Irrigation, empresa austríaca, inaugurou um novo laboratório em sua filial brasileira para estudar o comportamento breve das gotas de água, do aspersor ao solo, com o objetivo de otimizar a eficiência da irrigação e reduzir a perda de água. A empresa produz principalmente aspersores, dispositivos que simulam chuva artificial ao fragmentar o fluxo de água em gotas.

Durante a irrigação, as gotas de água, em sua trajetória de voo de um a dois segundos após saírem do aspersor, sofrem perdas devido à evaporação e à ação do vento. Gotas muito pequenas permanecem mais tempo no ar, sendo propensas à evaporação ou à deriva pelo vento; já gotas maiores, embora atinjam o solo mais rapidamente, podem afetar a uniformidade da irrigação. O objetivo central do novo laboratório é justamente encontrar o ponto de equilíbrio ideal entre a interação de gotas de diferentes tamanhos com o ambiente. Antônio Pires de Camargo, responsável pela área de Engenharia Aplicada e Sistemas Digitais da Komet Irrigation, afirma que todos os aspersores fragmentam a água em gotas de diferentes tamanhos, mas, no passado, não se compreendia realmente como esses tamanhos interagem com o ambiente.

O laboratório está equipado com vários sistemas de medição. Um sistema avalia a quantidade de água que realmente atinge a área alvo, para calcular as perdas relacionadas ao vento; outro sistema utiliza uma rede de coletores para medir a uniformidade da distribuição da água, gerando uma "impressão digital" para cada aspersor. Além disso, o laboratório conta com um equipamento capaz de medir o espectro de gotas produzido por cada modelo, permitindo entender quais frações de gotas são mais suscetíveis à evaporação. Estimativas preliminares indicam que, em condições ideais, a taxa de evaporação da água durante a irrigação por aspersão pode chegar a 5%, enquanto aspersores mais antigos ou desgastados podem perder mais de 20% da água devido a perdas ambientais.

Outro foco de pesquisa do laboratório é o desgaste dos aspersores ao longo de sua vida útil e seu impacto na distribuição da água. Com a operação por vários anos, o atrito gerado pelo fluxo de água altera suas características hidráulicas, podendo tornar as gotas menores e aumentar o potencial de evaporação. A empresa utiliza uma câmara de envelhecimento acelerado para simular longos períodos de operação, a fim de determinar com precisão quando um aspersor deixa de operar em condições ideais. A Komet planeja desenvolver uma nova geração de produtos, incluindo sensores capazes de monitorar o estado dos aspersores em tempo real e emitir alertas aos produtores quando a eficiência da irrigação começar a diminuir. Segundo Gustavo Hossri, Diretor Global de Inovação e Gerente Geral para Brasil e América Latina, a combinação de sensores embutidos com informações meteorológicas permitirá estimar com mais precisão as perdas de água durante a operação. A empresa espera concluir os primeiros protótipos até o final deste ano e iniciar a comercialização da tecnologia a partir de 2027.

De acordo com estimativas fornecidas por Hossri, existem cerca de 40.000 pivôs centrais de irrigação em operação no Brasil, com aproximadamente 2.000 novos equipamentos adicionados anualmente, enquanto os Estados Unidos possuem cerca de 300.000 pivôs. A empresa avalia que cerca de metade dos equipamentos existentes pode apresentar oportunidades de modernização. O laboratório recebeu um investimento de R$ 2 milhões. Atualmente, o mercado brasileiro representa cerca de 23% da receita global da Komet, e a empresa detém aproximadamente 35% de participação no mercado brasileiro de novos pivôs centrais. Segundo Hossri, a pesquisa sobre a aplicação e o desempenho da água no campo para sistemas de irrigação é conduzida principalmente pela equipe brasileira, refletindo as condições operacionais únicas da agricultura tropical, incluindo vento, temperatura, umidade e maior intensidade de uso. As áreas irrigadas no Brasil frequentemente operam por mais de 2.500 horas por ano, podendo chegar a 5.000 horas no setor de energia da cana-de-açúcar, enquanto os sistemas de irrigação nos Estados Unidos geralmente operam de 500 a 600 horas por ano.

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