JBS registra receita de US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre; membro da família assumirá como CEO
2026-08-11 15:52
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De acordo com pt.wedoany.com-A JBS divulgou nesta segunda-feira (10 de agosto) os resultados do segundo trimestre de 2026 e, simultaneamente, anunciou a mudança de CEO: o atual CEO global, Gilberto Tomazoni, deixará o cargo no final deste ano, sendo sucedido por Wesley Batista Filho, encerrando assim o período de oito anos em que o maior grupo global de proteína animal foi liderado por executivos não pertencentes à família.

De acordo com o balanço, a receita líquida da companhia no trimestre atingiu um recorde de US$ 23,9 bilhões, um aumento de 14% em relação ao ano anterior, mas a rentabilidade apresentou queda: o Ebitda ajustado caiu 18% em relação ao ano anterior, para US$ 1,429 bilhão, enquanto no segundo trimestre de 2025 esse número foi de US$ 1,754 bilhão, com a margem recuando de 8,4% para 6,0%. A queda no desempenho foi atribuída principalmente ao negócio de carne bovina nos Estados Unidos.

O anúncio da mudança de CEO foi divulgado algumas horas antes da publicação dos resultados financeiros. Wesley Filho, de 34 anos, é filho de Wesley Batista, um dos acionistas controladores da holding familiar J&F. Ele ingressou na JBS por volta de 2013, começando a carreira em uma posição operacional em uma planta de abate e processamento no Colorado, nos EUA. Posteriormente, atuou na exportação de carne bovina em São Paulo e foi enviado ao Uruguai, Paraguai e Canadá para comandar os negócios locais de carne bovina. Ele descreveu o período no Uruguai como sua "escola de operação de plantas de abate". Em 2018, retornou ao Brasil para assumir como CEO da JBS Brasil e, desde 2020, passou a responder também pelo negócio Seara. Durante esse período, a receita líquida da JBS quase dobrou entre 2018 e 2021, atingindo R$ 53,8 bilhões. Em 2022, foi promovido a presidente global de operações e, um ano depois, assumiu o comando da JBS USA — a maior unidade de negócios da companhia em termos de receita.

O novo CEO assume em um momento em que o setor de carne bovina nos EUA entra em uma fase complexa: a oferta de bois gordos caiu para o nível mais baixo em quase 70 anos, e o alto custo do boi gordo continua a comprimir as margens do setor. No trimestre, a JBS Beef North America registrou receita recorde de US$ 7,8 bilhões, alta de 14,2%, mas o Ebitda ajustado foi de -US$ 100 milhões (margem de -1,3%). Segundo a companhia, a alta no preço do boi gordo superou a valorização do preço da carne bovina, e, com a oferta restrita de bois gordos e a importação limitada do México, o spread do setor permanece sob pressão.

No trimestre, a JBS registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões, impactado principalmente por itens não recorrentes, incluindo prêmio e custos da oferta de recompra de dívidas (US$ 172 milhões), acordo antitruste (US$ 133 milhões) e o cálculo do ganho final na aquisição da Mantiqueira Alimentos (US$ 81 milhões). Excluindo esses efeitos, o lucro líquido ajustado foi de US$ 218 milhões, com lucro por ação ajustado de US$ 0,20, abaixo dos US$ 0,52 do mesmo período do ano anterior.

O negócio doméstico brasileiro também foi afetado pelo preço do boi gordo. A JBS Brasil registrou receita de US$ 4,6 bilhões no trimestre, alta de 28%, com Ebitda ajustado de US$ 273 milhões, crescimento de 22,1%, o maior nível para um segundo trimestre, mas a margem caiu de 6,2% para 5,9%, impactada principalmente pelo aumento médio de 12% no preço do boi gordo em relação ao ano anterior, para cerca de R$ 353 por arroba.

Outras unidades de negócios compensaram parcialmente a queda na rentabilidade: a Seara registrou crescimento de receita de 18,2%, para US$ 2,5 bilhões, com margem de Ebitda de 12,3%; a JBS USA Pork teve Ebitda ajustado de US$ 184 milhões, alta de 38%, com margem de 8,9%; a JBS Austrália registrou crescimento de receita de 30%, para US$ 2,6 bilhões, com Ebitda ajustado de US$ 218 milhões. O fluxo de caixa livre foi positivo em US$ 130 milhões, uma melhora de US$ 185 milhões em relação ao ano anterior; a alavancagem líquida ao final do trimestre foi de 3,10 vezes, acima da meta de longo prazo da companhia; o prazo médio da dívida foi de 15,3 anos, com custo médio anual de 5,7%.

Tomazoni assumirá, a partir de janeiro, o cargo de vice-presidente do conselho de administração da companhia, além de atuar como consultor sênior, presidente do conselho da Pilgrim's Pride Corporation (PPC) e presidente do conselho do Instituto J&F. Durante sua gestão, a receita da JBS cresceu de US$ 49,7 bilhões para US$ 86,2 bilhões, um aumento de 73%, e a companhia realizou sua listagem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

Wesley Filho afirmou no comunicado que, ao longo de mais de uma década trabalhando ao lado de Tomazoni, construíram uma boa relação de trabalho e uma visão compartilhada. Como membro da família Batista, ele enfrentará mais escrutínio do que seus antecessores — além dos resultados operacionais, o mercado também observará a governança do grupo. Sob a liderança de profissionais não pertencentes à família, a JBS recuperou sua imagem, danificada por escândalos de corrupção no início da década, e o novo CEO precisará provar a cada trimestre que pode dar continuidade a essa trajetória.

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