De acordo com pt.wedoany.com-O presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell d'Andrade, afirmou recentemente que a EDP é o resultado de décadas de decisões difíceis e muitas vezes contraintuitivas, uma história de sucesso forjada pela coragem, resiliência e excelência técnica, com o grupo a prosseguir a ambição de "fazer mais". Cerca de 48 mil pessoas já trabalharam na empresa. A internacionalização começou no final da década de 1990 com a entrada no mercado brasileiro, seguindo-se a entrada em Espanha em 2001 através da aquisição da Hidrocantábrico, a quarta maior elétrica espanhola. Foi também nesse período que um ativo inicialmente subvalorizado se tornou a origem do negócio eólico. O terceiro grande salto ocorreu em 2007 com a entrada no mercado dos EUA, uma transação considerada na altura dispendiosa e que pressionava o balanço, mas que se revelou estrategicamente importante.

Stilwell sublinhou que a oferta pública inicial (IPO) de 2007 permitiu à EDP superar a crise do subprime e, mais tarde, o período da Troika. Desde então, a face da empresa mudou profundamente, passando de uma empresa focada em energia térmica e hídrica para uma empresa que integra gás natural, energia solar e baterias de armazenamento. O CEO afirmou que esta transformação foi crucial para evitar "ficar preso ao seu próprio passado". Atualmente, mais de 90% da produção de eletricidade provém de fontes renováveis e cerca de 80% dos equipamentos não são fabricados na China. Nos últimos quatro anos, o grupo angariou 4,5 mil milhões de euros em capital e reforçou significativamente o balanço, que havia sofrido uma enorme pressão durante o período da Troika, afirmando: "Hoje temos um balanço sólido." Ao mesmo tempo, criticou os "lucros excessivos", a tributação especial e a "carga fiscal extremamente pesada". Stilwell salientou que a energia está no centro da transformação económica global e que a transição energética gera externalidades positivas ao aumentar a independência e eficiência económicas. Acrescentou que Portugal é atualmente o país com maior crescimento na procura de eletricidade, impulsionado em parte pelos centros de dados, cujo impacto se intensificará nos próximos cinco anos.
O crescimento da procura traz desafios. A EDP planeia investir cerca de 3 mil milhões de euros em redes elétricas até 2030, elevando o investimento anual para 600 milhões de euros. No entanto, o CEO alertou para o risco de desequilíbrio entre oferta e procura: "A procura continua a crescer, enquanto a geração de eletricidade tem crescido a um ritmo baixo. É necessário resolver a questão das licenças." Afirmou que, se não for resolvido a tempo, existe o risco de interrupção. "Não faço ideia de como será 2076, mas sei que precisaremos de energia. Vamos usar energia solar, hídrica e eólica – precisamos de melhores redes. A forma mais segura é através de cabos. Laser não funciona." Sobre o recente apagão na Península Ibérica, foi claro: "Sem precedentes em Portugal. É inimaginável que toda a península fique sem energia." Alertou que, se a recuperação não for atempada, podem surgir problemas graves, incluindo em hospitais. Para tal, a EDP irá reforçar a capacidade de arranque autónomo do sistema elétrico, aumentando para quatro o número de centrais com capacidade de "black start", ou seja, infraestruturas capazes de reiniciar a produção de eletricidade sem depender da rede. Quanto à expansão dos centros de dados, o CEO considera os investimentos positivos, mas afirma que "não se pode socializar o custo da energia", sendo necessário avaliar o valor acrescentado para a economia e "garantir que as decisões são tomadas de forma estruturada, o que deve ser pensado antecipadamente."
A nível internacional, a EDP foca-se nos EUA em energia solar e baterias de armazenamento, adotando uma estratégia prudente em relação à eólica onshore devido ao ambiente regulatório, e embora tenha vencido leilões de eólica offshore, enfrenta resistências. O CEO destacou a capacidade de operação do grupo em ambientes complexos: "Desenvolvemo-nos nos EUA com acionistas chineses, o que diz muito sobre a nossa capacidade." O grupo também se expandiu com sucesso em mercados como Austrália e Reino Unido. Sobre a China, reconheceu a existência de tensões, mas sublinhou a capacidade de resposta da empresa. Relativamente à possível criação de um fundo soberano em Portugal, recusou comentar diretamente, limitando-se a lembrar que "este é um mercado livre" e que "todos são bem-vindos". A estratégia futura é reforçar o investimento nas regiões mais rentáveis, com foco nas redes elétricas em Portugal e Espanha. Na geração de eletricidade, a EDP exclui o carvão e mostra pouco interesse na energia nuclear. O CEO afirmou: "Não sou contra, mas é uma tecnologia cara que requer garantias estatais." Considera duvidosa a viabilidade de obter licenças para uma central nuclear em Portugal. Assim, o foco continua na energia eólica, solar e baterias de armazenamento, complementadas pelo gás natural. Se houver leilões, a energia hídrica poderá avançar, mas existem obstáculos como "licenças demoradas e com grande incerteza. Estes investimentos são mais pesados e menos competitivos."
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