Câmara dos Deputados do Brasil avança com projetos de incentivo a data centers no Nordeste
2026-06-30 09:56
Favoritos

De acordo com pt.wedoany.com-A Câmara dos Deputados do Brasil avançou nas últimas semanas com vários projetos de lei que vinculam a instalação de data centers ao uso de energias renováveis, enquanto o presidente do Senado ainda hesita em pautar a proposta de marco legal especial para o setor, proposta pelo governo. Esse marco legal tem origem na Medida Provisória nº 1318/2025 (MP 1318/2025), que deu origem ao Projeto de Lei nº 278/2026 (PL 278/2026), que visa criar o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), com condições que incluem conteúdo local e uso de energias renováveis ou "energia limpa". No entanto, após aprovação na Câmara na madrugada de 25 de fevereiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), decidiu unilateralmente não submeter o projeto a votação, resultando na perda de validade da medida provisória.

Data center da Microsoft em Cheyenne, Wyoming, em operação desde 2012, parte da região de nuvem do Centro-Oeste dos EUA (foto: divulgação)

É nesse contexto de incerteza que outras propostas começam a avançar no Legislativo. O PL 490/26, aprovado no início de junho pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI) da Câmara, oferece incentivos de energia limpa e competitiva para data centers instalados nas regiões Norte e Nordeste, além de criar uma certificação verde. O texto também será analisado pelas comissões de Minas e Energia; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Finanças e Tributação; e Constituição, Justiça e Cidadania. A proposta, de autoria do deputado Duda Ramos (MDB/RR) e relatada por Josenildo (PDT/AP), tem como um de seus objetivos valorizar o potencial de energias renováveis dessas regiões e "reduzir os conflitos e resistências ambientais relacionados à instalação de data centers". O projeto autoriza o governo federal a incentivar a celebração de contratos de longo prazo de compra de energia (PPA) entre data centers e agentes do setor elétrico, priorizando fontes solar, eólica, biomassa e hidrelétricas de baixo impacto ambiental. O texto não menciona o gás natural, que busca espaço no Redata, mas mantém aberta a possibilidade para "soluções híbridas, sistemas de armazenamento de energia ou outras tecnologias alinhadas à transição energética".

O PL 1680/25, de autoria do deputado Pedro Lucas Fernandes (União Brasil/MA), também foi aprovado na CCTI. O projeto garante prioridade de acesso à rede de transmissão para data centers em regiões com excedente de geração de energia, também com foco no Nordeste. Esta proposta, que cria a Política Nacional de Data Centers, altera a Lei de Concessões de Energia Elétrica, autorizando os data centers a arcar com os custos de obras na rede elétrica, como a instalação de torres de transmissão e cabos de energia, com uso exclusivo ou compartilhado. Segundo o autor, a medida visa garantir o fornecimento de energia para as instalações, desde que os custos do investimento não sejam repassados para a tarifa de energia dos residentes. A CCTI aprovou o substitutivo do relator, deputado David Soares (Progressistas/SP), que removeu as partes do texto sobre isenções fiscais. Em sua justificativa, Soares afirmou que o tema já é tratado pelo Redata e considerou que a garantia de infraestrutura compensa a ausência de incentivos fiscais. Ele também destacou: "A conectividade rápida torna-se uma vantagem competitiva tão importante quanto os incentivos fiscais". A proposta conta com o apoio de empresas do setor, que a veem como um passo para tratar os data centers como parte da agenda de infraestrutura. Leonardo Senra, Chief Revenue Officer da provedora de serviços de computação em nuvem Omid Solutions, comentou: "A aprovação do PL 1680/2025 é um passo importante para que o Brasil trate os data centers como infraestrutura estratégica nacional. Na era da economia digital e da inteligência artificial, capacidade de computação, energia e dados são tão importantes quanto rodovias, portos e redes elétricas."

De acordo com o Ministério de Minas e Energia do Brasil, o interesse de investidores em projetos de data center no país já acumula 38 GW (38.000 MW) em solicitações de parecer de acesso à rede elétrica, dos quais 7,1 GW (7.100 MW) representam investimentos estimados em cerca de 159 bilhões de reais nos próximos anos. No início deste mês, o ministro Alexandre Silveira (PSD) usou esses números para pedir que o Senado avance com o processo do Redata. Silveira afirmou que o Brasil possui condições atrativas para investidores internacionais, como uma matriz elétrica predominantemente renovável e estabilidade regulatória. Ele também destacou que o agravamento dos conflitos no Oriente Médio está direcionando investimentos globais para o Brasil, com empresas que inicialmente planejavam construir data centers na região buscando alternativas no país, e pediu que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acelere a conexão à rede de transmissão. Ele mencionou a criação do Programa Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), que visa gerenciar a fila de pedidos de conexão à rede.

Em outras notícias do setor energético, o governo federal abriu um crédito especial de 550 milhões de reais para subsidiar a importação de diesel rodoviário. A medida provisória publicada nesta segunda-feira (29 de junho) está vinculada ao mesmo programa de apoio ao combustível previsto na MP 1349/2026, visando garantir o abastecimento e mitigar impactos no mercado. Simultaneamente, o Brasil publicou sua primeira regulamentação nacional estabelecendo índices mínimos de eficiência energética para lâmpadas e luminárias LED, medida que pode gerar uma economia acumulada de 283 a 432 TWh de eletricidade até 2040, com produtos fora do padrão tendo que sair do mercado em cinco anos. Além disso, a França registrou cerca de 1.000 mortes em excesso durante o pico da onda de calor na semana passada, e vários países quebraram recordes de temperatura no fim de semana, com a onda de calor se movendo lentamente para o leste do continente europeu. Na área de projetos do Fundo Clima, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de 43,8 milhões de reais para a Ferbasa construir uma nova fábrica de carvão vegetal em Maracás, Bahia, que reduzirá as emissões de gás metano, sendo cerca de 35 milhões de reais provenientes do Fundo Clima.

Este boletim é uma compilação e reprodução de informações de parceiros estratégicos e da internet global, destinado apenas para troca de informações entre leitores. Em caso de infração ou outros problemas, por favor, informe-nos imediatamente, e este site fará as devidas modificações ou exclusões. A reprodução deste artigo é estritamente proibida sem autorização formal. E-mail: news@wedoany.com