Governo da Venezuela lança fundo de 200 milhões de dólares para reconstrução após terremoto de junho
2026-06-30 15:51
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De acordo com pt.wedoany.com-O governo da Venezuela anunciou a criação de uma comissão para avaliar o impacto do terremoto na infraestrutura e as necessidades de reconstrução. Este terremoto já é considerado o pior desastre natural já sofrido pelo país.

A comissão é liderada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e inclui representantes dos ministérios responsáveis por Assuntos Sociais, Habitação, Justiça e Paz, Força Armada Nacional Bolivariana, Economia e Finanças, além dos governadores dos estados de La Guaira, Aragua, Miranda, Carabobo e Falcón. A presidente interina, Delcy Rodríguez, declarou em uma rede social que a reunião discutiu os edifícios severamente danificados pelo duplo terremoto de 24 de junho, bem como a situação das pessoas que perderam suas casas, enquanto tentava avaliar o grau de afetação da infraestrutura, como a rede rodoviária.

Até o momento, o governo venezuelano registrou 1.450 mortos e pelo menos 3.150 feridos. O presidente da Assembleia Nacional afirmou que este terremoto é o pior desastre natural da história do país. A extensão total dos danos à infraestrutura ainda é incerta, e as autoridades continuam a limpar os escombros de edifícios e propriedades desabados.

Um comunicado da ONU indica que a infraestrutura do país sofreu graves danos, incluindo oito hospitais e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar. Todos os voos foram suspensos, representando um grande desafio logístico para a chegada de ajuda humanitária.

Terremoto expõe grandes desafios de reconstrução na Venezuela

Como parte dos esforços de reconstrução, o presidente interino anunciou na semana passada a liberação de um fundo inicial de 200 milhões de dólares dos recursos da Venezuela depositados no Fundo Monetário Internacional (FMI), destinado à reconstrução de infraestrutura e hospitais, bem como à provisão de moradias para as pessoas que perderam suas casas. O Fundo de Emergência da ONU já destinou 15 milhões de dólares para atividades emergenciais.

Meses antes do terremoto, a Venezuela passou por uma turbulenta transição de governo. No início de 2026, o então presidente Nicolás Maduro foi capturado por forças militares dos EUA, e desde então o país é liderado interinamente por Delcy Rodríguez. Desde a mudança de governo, o país implementou uma série de medidas para atrair investidores privados para os setores econômicos mais promissores, como petróleo, gás e mineração, e busca estreitar relações com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Segundo a mídia especializada, antes do terremoto, o governo interino se preparava para lançar uma operação de reestruturação da dívida soberana de cerca de 240 bilhões de dólares, considerada a maior desse tipo na história do setor soberano.

Especialistas apontam que uma tragédia humanitária em um governo com problemas estruturais significativos aumenta o risco de conflitos sociais no país. O analista André Pereira César, da consultoria política Hold Consultoria Política, disse à BNamericas que há sinais de crescente insatisfação da população venezuelana com os esforços de resgate, pois o governo carece de capacidade institucional para lidar com um desastre de tal magnitude. A Venezuela, em meio a uma complexa situação econômica e política, corre o risco de uma escalada de conflitos sociais nas próximas semanas e meses. César acredita que não há possibilidade de o governo venezuelano responder de forma independente às necessidades de assistência e reconstrução de toda a população, sendo necessária a colaboração de vários países, especialmente os Estados Unidos. Ele afirmou que este desastre exigirá um grande esforço de reconstrução, que impactará diretamente os planos dos EUA e poderá atrasar o processo de investimento em setores como petróleo e mineração.