De acordo com pt.wedoany.com-O setor bancário brasileiro prevê investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, um aumento de 8% em relação aos R$ 46,8 bilhões de 2025. Os dados são da 34ª edição da Pesquisa de Tecnologia Bancária da Febraban (realizada com o apoio da Deloitte). Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela pesquisa, afirmou que o orçamento de tecnologia do setor acumulou um crescimento de 58% nos últimos cinco anos.

Mulinari destacou, durante a apresentação da pesquisa, que a tecnologia deixou de ser apenas uma área de suporte e passou a ocupar uma posição central nos negócios bancários. A edição deste ano registrou um número recorde de participantes: na primeira fase, 25 bancos participaram, representando cerca de 85% dos ativos bancários do país; além disso, 53 executivos de tecnologia foram entrevistados. Na segunda fase, 23 bancos participaram, representando cerca de 82% dos ativos do setor. A Febraban divulgou antecipadamente os principais dados e informou que informações complementares serão apresentadas durante o Febraban Tech, evento que ocorrerá entre 24 e 26 de agosto.
Em 2025, o investimento total em inteligência artificial foi de R$ 826 milhões, um aumento de 39% em relação aos R$ 596 milhões de 2024. Os gastos com migração para a nuvem atingiram R$ 3,9 bilhões, um crescimento de 30%. Desse total, a nuvem pública representou a maior parte, com R$ 3,5 bilhões; os gastos com nuvem privada cresceram 87%, alcançando R$ 385 milhões. Mulinari afirmou que as áreas com maior investimento dos bancos são inteligência artificial, migração para a nuvem e modernização.
A segurança cibernética continua sendo a principal prioridade dos bancos. Todas as instituições entrevistadas a classificaram como prioridade média ou alta. A nuvem e a inteligência artificial generativa vêm em seguida, cada uma com 84%, e a inteligência artificial com 80%. A segurança cibernética geralmente representa cerca de 10% do orçamento de tecnologia dos bancos; com base nos R$ 50,4 bilhões previstos para 2026, cerca de R$ 5 bilhões são destinados especificamente à proteção de sistemas.
Em relação ao treinamento de funcionários, o setor investiu R$ 46,4 milhões em capacitação técnica de profissionais de TI em 2025, um aumento de 38%. No ano passado, um total de 226,1 mil profissionais bancários receberam treinamento técnico. Mulinari considera que esse dado indica que a transformação digital já envolve todos os funcionários. Atualmente, 11% dos profissionais do setor bancário trabalham na área de TI, e 42% das instituições entrevistadas planejam expandir suas equipes de tecnologia, com um crescimento médio esperado de 22%.
A digitalização também se reflete no comportamento dos clientes. Em 2025, o setor bancário registrou 2,408 trilhões de transações, das quais 78% foram realizadas por meio de dispositivos móveis. Considerando todos os canais digitais, essa proporção chega a 83%. Em cinco anos, o volume de transações via mobile banking cresceu 169%, passando de 69,6 bilhões em 2021 para 187,5 bilhões em 2025. O número de clientes ativos nesse canal atingiu 145,3 milhões, um aumento de 11%. 76% dos clientes de canais digitais são usuários intensivos, responsáveis por mais de 80% das transações nesses canais.
O Pix continua sendo o principal motor da digitalização bancária. Em 2025, o número médio mensal de usuários intensivos do sistema atingiu 73,7 milhões, um aumento de 70% em relação ao ano anterior. Desse total, 70 milhões são pessoas físicas e 3,7 milhões são pessoas jurídicas. O avanço do Pix aumentou a necessidade de investimentos em infraestrutura, estabilidade e segurança.
Na estratégia dos bancos, a experiência do cliente e a segurança estão empatadas como prioridades de diferenciação, cada uma mencionada por 80% das instituições. No atendimento ao cliente, 71% dos bancos afirmaram que expandirão as transações realizadas por meio de chatbots, utilizarão inteligência artificial generativa e explorarão aplicativos de mensagens para melhorar o relacionamento com os clientes. A inteligência artificial já está envolvida em diversas etapas, como recomendação de produtos, atendimento ao cliente e abertura de contas. Em 2024, 5% dos bancos relataram ganhos de eficiência no atendimento ao cliente por meio de inteligência artificial e inteligência artificial generativa; em 2025, esse percentual subiu para 19%.
A segurança cibernética é vista como um fator de diferenciação competitiva. Entre os bancos que utilizam inteligência artificial para segurança, 77% aplicam a tecnologia para análise preditiva de riscos cibernéticos, e outros 77% para detecção de ameaças e identificação de padrões anômalos. Os principais desafios são privacidade, governança de dados e uso ético da tecnologia, mencionados por 68% das instituições.
A inovação tecnológica é vista como prioridade de diferenciação por 72% dos bancos. A mesma proporção de instituições planeja aumentar os investimentos em nuvem. A nuvem ajuda os bancos a acessar tecnologias avançadas, integrar ecossistemas, melhorar a eficiência operacional e sustentar o crescimento dos canais digitais. A pesquisa também revelou que 68% dos bancos consideram a personalização de produtos e serviços como uma estratégia de diferenciação, e 52% esperam obter alto valor do open finance. A sustentabilidade é vista como prioridade por 40% das instituições, e 87% afirmam já oferecer produtos ESG aos clientes.









