Família Priori investe R$ 780 milhões em usina de etanol de milho no Brasil
2026-07-02 11:11
Favoritos

De acordo com pt.wedoany.com-A indústria brasileira de etanol de milho está entrando em uma segunda fase, dominada por fazendas familiares e projetos regionais de médio e pequeno porte. A família Priori, em Jataí, Goiás, torna-se um caso emblemático dessa transformação: por meio de seu grupo agrícola Grupo Paraíso, planeja investir cerca de R$ 780 milhões na construção de uma usina de etanol de milho com capacidade de processamento de 1.200 toneladas por dia. A usina, que será operada pela Paraíso Biocombustível, está prevista para entrar em operação nos próximos 24 a 36 meses, localizada ao lado das instalações de armazenagem de grãos já existentes do grupo.

Usinas "familiares" plantam segunda fase da indústria de etanol de milho

Entre 70% e 80% do milho necessário para o projeto virá das próprias fazendas da família, que produzem cerca de 400 mil toneladas de milho por ano, volume praticamente equivalente à capacidade de processamento da usina. O coordenador do projeto, Luiz Cesar Priori, afirma que a agricultura e a indústria operarão como empresas independentes, com o milho sendo precificado a valores de mercado. A fonte de receita não reside na compra interna a preços baixos, mas no equilíbrio entre segurança de abastecimento e margem de lucro. Essa integração vertical reduz a exposição às flutuações do mercado e aos riscos logísticos, ao mesmo tempo que aumenta a previsibilidade dos negócios. Priori resume essa estratégia de integração como "hedge natural". A capacidade inicial da usina é de 1.200 toneladas por dia, com espaço reservado para futuras expansões para 2.400 ou até 3.600 toneladas, mas o objetivo prioritário é consolidar a primeira fase de operação.

A decisão da família de investir em etanol de milho decorre da consideração de não depender mais exclusivamente da venda de grãos in natura e de entrar em elos de maior valor agregado na cadeia produtiva agrícola. Após concluir investimentos significativos no setor de terras em 2019, a família estudou alternativas como laminação e produção de farinha, mas concluiu que o etanol de milho era economicamente mais atraente.

Segundo Hugo Morais, diretor de Desenvolvimento de Negócios da empresa de tecnologia americana Katzen, que participou do projeto da usina, a escala da usina Priori é ligeiramente inferior à média nacional, mas não se trata de uma planta de pequeno porte. Ele acrescenta que a característica diferenciadora refletida neste caso não é a capacidade produtiva em si, mas a mudança no perfil dos investidores. Em apenas um ano, a Katzen recebeu consultas para sete projetos de usinas de médio porte com capacidade de processamento de cerca de 1.000 toneladas por dia. Dados mostram que o Brasil possui atualmente 35 biorrefinarias autorizadas para produzir etanol de grãos, das quais 25 são exclusivamente de grãos e 10 são flexíveis, além de 19 projetos em construção. Relatórios da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e de institutos de pesquisa vinculados ao Banco do Nordeste apontam que a segunda onda de crescimento do setor é caracterizada pela interiorização das usinas e pela diversificação dos modelos de negócios, não se limitando mais ao modelo único de grandes plantas.

A família Priori avalia que o principal risco do negócio não é a demanda por combustíveis, mas sim as mudanças regulatórias, como o controle artificial dos preços dos combustíveis ou o ajuste das proporções obrigatórias de mistura. A Lei nº 14.292/2022, em vigor desde janeiro de 2022, permite que o etanol seja vendido diretamente das usinas para os postos de gasolina, contornando os distribuidores tradicionais, o que indiretamente estimulou o avanço de projetos de diferentes portes. A usina também está projetando, em sua fase de projeto, um centro de treinamento para enfrentar o desafio da escassez de mão de obra especializada; durante a fase de construção, deverá empregar cerca de 150 pessoas. Um estudo do Rabobank divulgado este ano indica que a indústria brasileira de etanol de milho pode estar se aproximando de um ponto de inflexão, onde a velocidade de expansão da capacidade supera o crescimento natural da demanda. Participantes do mercado acreditam que a competitividade futura das biorrefinarias dependerá cada vez mais da receita de vendas de produtos derivados, como DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) e óleo de milho, para reduzir a dependência do mercado único de combustíveis veiculares. As perspectivas do setor também apontam para áreas de maior valor agregado, como Combustível Sustentável de Aviação (SAF), combustível marítimo, insumos farmacêuticos e alimentícios.

Este boletim é uma compilação e reprodução de informações de parceiros estratégicos e da internet global, destinado apenas para troca de informações entre leitores. Em caso de infração ou outros problemas, por favor, informe-nos imediatamente, e este site fará as devidas modificações ou exclusões. A reprodução deste artigo é estritamente proibida sem autorização formal. E-mail: news@wedoany.com