De acordo com pt.wedoany.com-O projeto de transmissão Piraquê, da ISA Energia Brasil, com investimento de R$ 3,85 bilhões, entrou oficialmente em operação. O empreendimento adicionou mais de 1.000 km de linhas de transmissão, capazes de entregar 6 GW de capacidade ao sistema elétrico.

O projeto Piraquê conecta o norte de Minas Gerais — uma das maiores regiões de geração solar fotovoltaica do Brasil — à região de Governador Valadares, de onde a energia pode ser transmitida, por meio de outras linhas, para os grandes centros consumidores do Sudeste. O projeto também inclui um trecho no estado do Espírito Santo. Dayron Urrego, diretor executivo de Projetos da ISA Energia Brasil, afirmou que, dos 6 GW de capacidade total, cerca de 2 GW já estão em operação, e os 4 GW restantes virão de novos projetos na região. Ele explicou que o empreendimento foi proposto pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), considerando outros projetos a ele interligados, ajudando a escoar a geração existente, reduzir restrições e fornecer acesso a novas usinas.
Durante a cerimônia de inauguração, realizada em 2 de julho em Janaúba, Mariana Espécie, diretora de Transição Energética e Planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME), afirmou que o projeto Piraquê contribui para aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia e apoia a gestão dos recursos disponíveis pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), reduzindo assim o corte de geração de energia renovável. Ela considerou razoável que quase 70% da nova capacidade de transmissão seja destinada a fontes renováveis, e que essa energia que entra no sistema está alinhada com as expectativas de crescimento da matriz elétrica brasileira. Espécie destacou que, com o crescimento econômico e populacional, a demanda por energia está aumentando, e o acesso a energia de alta qualidade, com menos interrupções e cortes, atende às expectativas do país.
O projeto Piraquê foi o vencedor do Lote 3 do Leilão de Transmissão nº 01/2022 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e foi entregue 16 meses antes do prazo estipulado pela agência. A Receita Anual Permitida (RAP) do projeto é de R$ 343,1 milhões (ciclo tarifário 2025/2026). O empreendimento inclui a construção de 8 linhas de transmissão, sendo 7 de 500 kV e 1 de 345 kV, totalizando cerca de 1.000 km, atravessando os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. As obras também incluem a construção de duas novas subestações, Janaúba 6 e Capelinha 3, e a ampliação de seis subestações existentes: Jaíba, Janaúba 3, Governador Valadares 6, João Neiva 2, Viana e Viana 2.
Bruno Isolani, diretor de Operações da ISA Energia Brasil, afirmou que este é o maior projeto de transmissão já implementado pela empresa. O projeto utilizou inovações tecnológicas, como o uso de drones e laser para a poda de árvores e vegetação dentro da faixa de servidão. Urrego explicou que os operadores podem usar o laser para mirar nas copas das árvores que precisam ser podadas, cortando os galhos com o feixe de laser. Essa inovação aumentou a segurança no manejo da vegetação, reduziu os riscos para os trabalhadores e tornou possível a construção de linhas em áreas íngremes ou de difícil acesso. O projeto também utilizou torres de transmissão com topo em forma de taça, um design que reduz as perdas de energia, considerando as regiões por onde o projeto passa.
Urrego acrescentou que, além de fornecer um corredor de transmissão para a região de geração solar fotovoltaica, o projeto Piraquê está relacionado a outros dois projetos da ISA Energia. O projeto Serra Dourada atravessará o estado da Bahia, conectando o norte do estado ao norte de Minas Gerais, com mais de 1.100 km de linhas e investimento previsto de R$ 3,2 bilhões, com obras já iniciadas. O projeto Itatiaia começará no ponto final do Piraquê, reforçando a transmissão de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, com 522 km de linhas e investimento de R$ 2,7 bilhões, já tendo obtido a licença preliminar. Urrego descreveu essa série de projetos como "um grande corredor de energia renovável".










