De acordo com pt.wedoany.com-A indústria da construção civil no Brasil enfrenta múltiplas pressões, como altas taxas de juros, escassez de mão de obra, mudanças regulatórias e novas tecnologias. Cristiano Gregorius, diretor executivo do ecossistema Sienge, aponta que o nível de vendas atual se mantém estável, mas os lançamentos de novos projetos no primeiro trimestre caíram quase 5%, elevando o estoque de imóveis disponíveis para venda para cerca de 350 mil unidades. Ele acredita que essas variáveis precisam ser urgentemente enfrentadas por meio de uma gestão integrada, o que envolve a adoção de tecnologias de inteligência artificial e mudanças culturais.

De acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas do setor cresceram cerca de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas os lançamentos de novos projetos caíram quase 5%. Gregorius analisa que isso é diretamente impactado pelas taxas de juros, pelo custo do capital e pela incerteza dos empresários em iniciar novos projetos. Atualmente, o estoque do setor é de cerca de 350 mil imóveis, o que equivale a um ciclo de vendas de quase dez meses por unidade. Esse nível não é preocupante, mas está elevado, enquanto o nível histórico normal de estoque fica entre seis e dez meses. Quando o estoque está baixo, o setor acelera os lançamentos de novos projetos, mas atualmente, devido ao alto custo do capital, o mercado esperava que as taxas de juros caíssem mais rapidamente no início de 2026, mas a redução tem sido mais lenta do que o previsto.
A escassez de mão de obra é outro grande gargalo enfrentado pelo setor. Gregorius afirma que as dificuldades ocorrem principalmente nos canteiros de obras, mas também nos escritórios. Após a pandemia, parte dos trabalhadores migrou para empregos mais atrativos, como entregas por aplicativo e transporte, resultando no envelhecimento da mão de obra nos canteiros, cuja idade média atual ultrapassa 42 anos. O setor precisa melhorar os modelos de remuneração, oferecer melhores condições de trabalho e tornar os planos de carreira visíveis. Ele acredita que a industrialização será uma das principais respostas para a escassez de mão de obra nos canteiros, pois a reforma tributária criou equidade fiscal entre a construção tradicional e a construção off-site, o que pode levar mais trabalhadores a ambientes industriais mais seguros e organizados.
Sobre o impacto da reforma tributária, Gregorius aponta que a reforma criou equidade fiscal, mas alguns segmentos pagarão mais impostos. Empresas cuja carga tributária atual é de cerca de 10% podem chegar a aproximadamente 26,5%, dependendo da alíquota final. Parte desse aumento será repassada aos contratantes, podendo haver um período inicial de adaptação e inflação temporária no setor. No médio prazo, a tendência é favorável ao ambiente de negócios, especialmente para empresas que já operam em conformidade, pois o sistema tributário ajuda a reduzir distorções e aumentar a transparência.
Em termos de nível de mecanização, Gregorius considera que o Brasil ainda está muito atrás em comparação com outros países. O mercado de habitação popular (como o programa "Minha Casa, Minha Vida"), voltado para eficiência operacional e margens baixas, tem maior automação devido à repetição de plantas e ganhos de escala. Já o mercado de médio e alto padrão possui um modelo financeiro estabelecido em torno de um prazo de obra de cerca de três anos, onde os compradores pagam parte do imóvel durante a construção. Se o prazo for reduzido por meio de alta mecanização, muitos compradores não teriam capacidade financeira para acompanhar o novo fluxo de pagamentos, criando assim uma limitação no próprio modelo de negócios.
Sobre a aplicação da inteligência artificial, Gregorius afirma que muitas empresas ainda estão em fase de testes, e o foco está no nível individual, não na estratégia corporativa. A falta de um plano de aplicação claro e de uma visão estruturada é a razão pela qual muitas iniciativas não geram resultados práticos. Atualmente, as empresas começaram a usar a tecnologia de forma mais pragmática, com objetivos claros e indicadores de retorno bem definidos. Ele cita como exemplo a automação de regras de cobrança, onde agentes de IA podem interagir com clientes, propor renegociações, emitir faturas, etc. Processos que antes levavam dias agora levam apenas minutos. O ecossistema Sienge já entregou dezenas de funcionalidades baseadas em IA e está avançando para o estágio de modelo de agentes, onde agentes autônomos poderão executar processos completos, ampliando a governança, padronizando processos e reduzindo a dependência de relações informais.
Gregorius acredita que o nível de integração da gestão na construção pesada é mais maduro do que na construção imobiliária. Na construção vertical, o número de áreas e processos é maior, e a falta de integração é amplificada. Os fatores que impactam todo o setor incluem adoção de tecnologia, mudanças regulatórias, taxas de juros e aumento da concorrência. Portanto, a integração é crucial, não apenas internamente, mas também com toda a cadeia de suprimentos.










