Câmara Brasileira da Indústria da Construção: Estoque do setor é de cerca de 350 mil unidades, lançamentos de novos projetos caem quase 5%
2026-07-07 08:54
Favoritos

De acordo com pt.wedoany.com-A indústria da construção civil no Brasil enfrenta múltiplas pressões, como altas taxas de juros, escassez de mão de obra, mudanças regulatórias e novas tecnologias. Cristiano Gregorius, diretor executivo do ecossistema Sienge, aponta que o nível de vendas atual se mantém estável, mas os lançamentos de novos projetos no primeiro trimestre caíram quase 5%, elevando o estoque de imóveis disponíveis para venda para cerca de 350 mil unidades. Ele acredita que essas variáveis precisam ser urgentemente enfrentadas por meio de uma gestão integrada, o que envolve a adoção de tecnologias de inteligência artificial e mudanças culturais.

Cristiano Gregorius, diretor executivo do ecossistema Sienge, no Construsummit 2026 (foto de divulgação)

De acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas do setor cresceram cerca de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas os lançamentos de novos projetos caíram quase 5%. Gregorius analisa que isso é diretamente impactado pelas taxas de juros, pelo custo do capital e pela incerteza dos empresários em iniciar novos projetos. Atualmente, o estoque do setor é de cerca de 350 mil imóveis, o que equivale a um ciclo de vendas de quase dez meses por unidade. Esse nível não é preocupante, mas está elevado, enquanto o nível histórico normal de estoque fica entre seis e dez meses. Quando o estoque está baixo, o setor acelera os lançamentos de novos projetos, mas atualmente, devido ao alto custo do capital, o mercado esperava que as taxas de juros caíssem mais rapidamente no início de 2026, mas a redução tem sido mais lenta do que o previsto.

A escassez de mão de obra é outro grande gargalo enfrentado pelo setor. Gregorius afirma que as dificuldades ocorrem principalmente nos canteiros de obras, mas também nos escritórios. Após a pandemia, parte dos trabalhadores migrou para empregos mais atrativos, como entregas por aplicativo e transporte, resultando no envelhecimento da mão de obra nos canteiros, cuja idade média atual ultrapassa 42 anos. O setor precisa melhorar os modelos de remuneração, oferecer melhores condições de trabalho e tornar os planos de carreira visíveis. Ele acredita que a industrialização será uma das principais respostas para a escassez de mão de obra nos canteiros, pois a reforma tributária criou equidade fiscal entre a construção tradicional e a construção off-site, o que pode levar mais trabalhadores a ambientes industriais mais seguros e organizados.

Sobre o impacto da reforma tributária, Gregorius aponta que a reforma criou equidade fiscal, mas alguns segmentos pagarão mais impostos. Empresas cuja carga tributária atual é de cerca de 10% podem chegar a aproximadamente 26,5%, dependendo da alíquota final. Parte desse aumento será repassada aos contratantes, podendo haver um período inicial de adaptação e inflação temporária no setor. No médio prazo, a tendência é favorável ao ambiente de negócios, especialmente para empresas que já operam em conformidade, pois o sistema tributário ajuda a reduzir distorções e aumentar a transparência.

Em termos de nível de mecanização, Gregorius considera que o Brasil ainda está muito atrás em comparação com outros países. O mercado de habitação popular (como o programa "Minha Casa, Minha Vida"), voltado para eficiência operacional e margens baixas, tem maior automação devido à repetição de plantas e ganhos de escala. Já o mercado de médio e alto padrão possui um modelo financeiro estabelecido em torno de um prazo de obra de cerca de três anos, onde os compradores pagam parte do imóvel durante a construção. Se o prazo for reduzido por meio de alta mecanização, muitos compradores não teriam capacidade financeira para acompanhar o novo fluxo de pagamentos, criando assim uma limitação no próprio modelo de negócios.

Sobre a aplicação da inteligência artificial, Gregorius afirma que muitas empresas ainda estão em fase de testes, e o foco está no nível individual, não na estratégia corporativa. A falta de um plano de aplicação claro e de uma visão estruturada é a razão pela qual muitas iniciativas não geram resultados práticos. Atualmente, as empresas começaram a usar a tecnologia de forma mais pragmática, com objetivos claros e indicadores de retorno bem definidos. Ele cita como exemplo a automação de regras de cobrança, onde agentes de IA podem interagir com clientes, propor renegociações, emitir faturas, etc. Processos que antes levavam dias agora levam apenas minutos. O ecossistema Sienge já entregou dezenas de funcionalidades baseadas em IA e está avançando para o estágio de modelo de agentes, onde agentes autônomos poderão executar processos completos, ampliando a governança, padronizando processos e reduzindo a dependência de relações informais.

Gregorius acredita que o nível de integração da gestão na construção pesada é mais maduro do que na construção imobiliária. Na construção vertical, o número de áreas e processos é maior, e a falta de integração é amplificada. Os fatores que impactam todo o setor incluem adoção de tecnologia, mudanças regulatórias, taxas de juros e aumento da concorrência. Portanto, a integração é crucial, não apenas internamente, mas também com toda a cadeia de suprimentos.

Este boletim é uma compilação e reprodução de informações de parceiros estratégicos e da internet global, destinado apenas para troca de informações entre leitores. Em caso de infração ou outros problemas, por favor, informe-nos imediatamente, e este site fará as devidas modificações ou exclusões. A reprodução deste artigo é estritamente proibida sem autorização formal. E-mail: news@wedoany.com