Aneel suspende operação de termelétrica da BBF e aplica multa de R$ 191 milhões
2026-07-11 11:01
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De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) suspendeu a operação comercial da termelétrica BBF Água Branca, da empresa Brasil Biofuels Pará II (BBF), localizada em Itaituba, no Pará. A BBF reconheceu que a usina nunca injetou energia no sistema, pois toda a sua receita de geração foi retida pela distribuidora Equatorial Pará para compensar multas regulatórias aplicadas pela Aneel à empresa.

A usina foi contratada no terceiro lote do leilão de sistemas isolados de 2021, sendo construída pelo Consórcio BBF Energia Pará, composto pela Brasil Bio Fuels (com 95% de participação) e pela Amazonbio Indústria e Comércio de Biodiesel da Amazônia (com 5%). A usina obteve autorização para operação comercial em 3 de junho de 2025, com dois grupos geradores totalizando 0,63 MW de capacidade instalada, já aprovados pela Aneel.

Segundo relato da Equatorial Pará à Aneel, a usina não conseguiu assumir carga mesmo após cumprir todos os requisitos operacionais, nunca fornecendo energia ao sistema. A BBF respondeu que a paralisação se deve ao fato de toda a receita de geração estar sendo retida pela distribuidora para pagamento de multas impostas pela Aneel devido ao atraso na implementação de outros contratos do mesmo leilão. A empresa considera que a retenção integral dos recebíveis torna economicamente inviável a operação da usina.

A multa decorre do Despacho nº 3.335/2025, que prevê a cobrança de R$ 110,8 milhões por indisponibilidade e R$ 80,2 milhões por rescisão parcial de contratos, totalizando cerca de R$ 191 milhões. A decisão também excluiu formalmente as termelétricas BBF Faro, BBF São Sebastião da Boa Vista, BBF Porto de Moz, BBF Muaná, BBF Gurupá e BBF Terra Santa do Contrato de Comercialização de Energia em Sistemas Isolados (CCESI) nº 3/2021.

Em sua análise técnica, a Aneel apontou que a indisponibilidade da usina não foi causada por falhas operacionais ou problemas técnicos, mas que a justificativa financeira apresentada pela empresa não elimina a necessidade de suspensão da operação comercial. A Aneel enfatizou que a regulamentação exige que usinas em operação comercial estejam efetivamente disponíveis para o sistema elétrico, independentemente de razões econômicas, e que a retenção de receitas não se enquadra nas situações previstas na regulamentação para justificar a indisponibilidade de geração. Atualmente, a Superintendência de Regulação Técnica iniciou um processo administrativo para avaliar a possível revogação da licença da usina. Se a irregularidade for confirmada, poderá resultar na cassação da concessão. Após a retomada das operações, a empresa poderá solicitar à Aneel o restabelecimento da operação comercial.

A paralisação da termelétrica BBF Água Branca é o mais recente episódio de uma série de problemas enfrentados pela empresa em sistemas isolados. As dificuldades decorrem de atrasos na construção das usinas contratadas no leilão de 2021. Como resposta, o governo federal teve que prorrogar contratos de geração existentes no Pará para evitar riscos de desabastecimento antes da entrada em operação dos projetos da BBF. Os atrasos nos projetos também motivaram ações do Ministério Público Federal, que já exigiu a substituição da empresa como prestadora de serviços em Rondônia para evitar apagões nos sistemas isolados atendidos pelos contratos. No âmbito regulatório, a empresa já acumula perdas de concessões e multas. Em outubro de 2025, a Aneel revogou a licença da décima usina da empresa e aplicou uma multa de R$ 2,7 milhões. Em meio a dificuldades financeiras e regulatórias, a BBF já iniciou os preparativos para vender o controle de suas operações no estado do Acre.

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