CNPEM do Brasil desenvolve processo para nanocelulose de bagaço de cana com ampliação de escala de 500 vezes
2026-07-15 10:58
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De acordo com pt.wedoany.com-O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) do Brasil desenvolveu um processo simplificado para extrair nanofibrilas de celulose oxidada (TOCNFs) diretamente do bagaço de cana-de-açúcar, ampliando a escala de laboratório em até 500 vezes para nível piloto, com rendimento de celulose de aproximadamente 91%. A nanocelulose é uma forma nanométrica de fibra vegetal, com alta resistência, baixo peso e biodegradabilidade, apresentando potencial de aplicação em áreas como embalagens e biomedicina.

A produção tradicional de nanocelulose requer múltiplas etapas de reação química e consome grande quantidade de energia, enquanto o novo método realiza a oxidação diretamente no bagaço de cana, reduzindo etapas de processamento mecânico de alta intensidade, tornando o fluxo mais simples. O estudo foi liderado por Pedro Alonso, aluno do curso de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no CNPEM. Ele afirmou que ajustar uma tecnologia inovadora da escala laboratorial para a industrial é um grande desafio, e o CNPEM, por dispor simultaneamente de equipamentos analíticos de ponta e de uma planta piloto próxima da realidade industrial, favorece esse processo de validação.

A orientadora da pesquisa, a pesquisadora do CNPEM Juliana da Silva Bernardes, destacou que a singularidade do processo reside na produção em uma única etapa operacional, sem necessidade de alta pressão e alta temperatura, reduzindo o consumo de energia e facilitando a ampliação de escala. O chefe do Grupo de Ampliação de Bioprocessos do CNPEM, Carlos Filho, complementou que a interação contínua entre a planta piloto e a equipe de desenvolvimento de processos da instituição com a equipe de pesquisa permitiu que o processo fosse validado em um ambiente industrialmente relevante, apresentando maior robustez operacional e potencial de aplicação.

As nanofibrilas produzidas por esse método possuem dimensões nanométricas e alta estabilidade coloidal, com desempenho que atende aos requisitos de aplicações industriais. Como material renovável e biodegradável, a nanocelulose também pode ser utilizada em compósitos leves, dispositivos eletrônicos, sistemas de administração de medicamentos e remediação ambiental. Bernardes afirmou que, embora o Brasil ainda tenha limitações regulatórias, o material já é estudado e aplicado em outros países. Os resultados da pesquisa indicam que resíduos agrícolas podem ser transformados em produtos de alto valor agregado, contribuindo para o avanço da bioeconomia e da transição para materiais sustentáveis.

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