Conselho Nacional de Política Energética do Brasil aprova leilão de gás natural do pré-sal; fertilizantes, siderurgia e química têm prioridade
2026-08-01 14:59
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De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do Brasil publicou recentemente uma resolução que cria condições para o leilão da parcela de gás natural pertencente à União nos contratos de partilha de produção do pré-sal, geridos pela Pré-Sal Petróleo (PPSA). A resolução, que surge após anos de discussão, define fertilizantes, siderurgia, química e petroquímica como setores-alvo de políticas de longo prazo, com potenciais beneficiários no setor petroquímico, incluindo a Braskem.

Leilão das áreas não contratadas de Mero, Atapu e Tupi, realizado pela PPSA (fonte da imagem)

A resolução, aprovada na quinta-feira (30 de julho), define dois modelos de leilão: um de curto prazo e outro de longo prazo. Os setores-alvo terão prioridade no leilão de longo prazo, previsto para 2027, com fornecimento a partir de 2031. O leilão de curto prazo, por sua vez, está planejado para ocorrer antes de 2030 e será aberto a qualquer consumidor, incluindo termelétricas a gás, bem como a outros comercializadores interessados em combinar ativos e expandir mercados. O governo brasileiro afirma que a medida visa aumentar a liquidez do mercado.

A divisão entre os dois modelos de leilão está relacionada à curva de oferta de gás da União. De acordo com o planejamento, a oferta de gás da União deve atingir 1 milhão de metros cúbicos por dia por volta de 2027, chegando a 3 milhões de metros cúbicos por dia no final da década. A PPSA planeja realizar o primeiro leilão de curto prazo em novembro ou dezembro de 2026. Antes disso, a PPSA e a Petrobras precisam concluir as negociações em andamento para revisar os contratos de transporte e processamento do gás do pré-sal, cujos termos também afetam o preço da molécula de gás.

No âmbito regulatório, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) criou um comitê especial para investigar controvérsias e possíveis práticas anticompetitivas nas negociações de acesso a infraestrutura.

Em relação aos preços, o Ministério de Minas e Energia (MME) projeta que, com a implementação das novas políticas, os preços das matérias-primas industriais caiam mais de 50%. Atualmente, o gás da União é vendido pela Petrobras a cerca de US$ 12 por milhão de BTU (MMBtu); com a nova política, seu valor pode cair para cerca de US$ 5 por MMBtu. O preço final ainda dependerá do resultado das negociações entre a Petrobras e a PPSA.

A decisão do CNPE foi bem recebida pelos consumidores de energia. A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) considera que o leilão do gás da União pode "revolucionar" o mercado brasileiro e aumentar a competitividade industrial. O presidente da associação, Paulo Pedrosa, destacou que o mercado de gás natural no Brasil não cresce há mais de uma década. Ele afirmou que o consumo industrial de gás no país está estagnado há 14 anos, com o setor químico operando com 37% de capacidade ociosa. Ele concedeu entrevista ao estúdio eixos na quarta-feira (29 de julho) durante o Sergipe Oil & Gas (SOG 2026), realizado em Aracaju.

Sobre o processo de abertura do mercado (gas release), a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou que as mudanças regulatórias no setor de gás podem atrasar o cronograma do Projeto de Águas Profundas de Sergipe (SEAP) e inibir novos investimentos na cadeia produtiva. O senador Laercio Oliveira (PP/SE), relator da Lei do Gás, considera que as controvérsias devem ser resolvidas no âmbito do diálogo e do marco de segurança jurídica, de modo a contemplar os interesses de todos os participantes do setor — incluindo a Petrobras.

Três agências reguladoras estaduais aderiram ao Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural. Na quarta-feira (29), durante a abertura do Sergipe Oil & Gas 2026, a Agrese (Sergipe), a Agems (Mato Grosso do Sul) e a ARSP (Espírito Santo) assinaram os primeiros acordos de cooperação técnica com a ANP e o MME. O diretor de Gás Natural do MME, Marcello Weydt, considera que esses acordos ajudam a evitar novas disputas judiciais e a construir um ambiente regulatório mais harmonizado para o setor.

O governo do estado de Sergipe planeja incluir a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado (Codise) como acionista minoritário da Sergas (companhia de gás natural de Sergipe), a fim de manter a estrutura de capital misto da distribuidora estadual. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Tecnologia, Marcelo Menezes.

A diretora-geral da ANP, Symone Araújo, afirmou que a resolução regulatória sobre acesso a terminais de GNL (gás natural liquefeito), já publicada pela agência, não tem espaço para revisão. Ela declarou que o processo foi amplamente discutido, a decisão está tomada e está "muito bem calibrada". O diretor de Relações Externas da Eneva, Aurélio Amaral, por sua vez, manifestou cautela e preocupação da empresa com a resolução da ANP, considerando que a medida pode gerar insegurança jurídica para investimentos já planejados, especialmente em terminais integrados a termelétricas.

O secretário nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho, afirmou que o MME está em negociação com a Eneva para flexibilizar os contratos das usinas a gás. O acordo pode servir de referência para negociações com outras empresas, com o objetivo de reduzir o corte de geração das usinas de fontes renováveis. O tema foi discutido na quinta-feira (30) em um evento do Tribunal de Contas da União (TCU), e o governo espera fechar o modelo em agosto.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), defendeu na quinta-feira (30) que, em um possível quarto mandato do presidente Lula (PT), não sejam concedidos novos subsídios à geração de energia elétrica. A proposta surge em um contexto de crescimento contínuo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que pressiona as tarifas de energia.

O MME publicou nesta semana a metodologia para seleção de áreas para projetos eólicos offshore, dividindo o processo em três etapas: identificação de áreas potenciais, determinação de áreas de interesse e priorização de áreas. A metodologia, elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é um desdobramento da regulamentação do marco legal da eólica offshore, aprovado em janeiro de 2025.

O vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, defendeu que o processo de industrialização verde no Nordeste não deve se limitar à construção de data centers. Ele considera que o excedente de energia renovável deve ser direcionado a atividades industriais capazes de gerar mais empregos e renda, a fim de reduzir as desigualdades.

No mercado internacional, as usinas nucleares ao longo do rio Danúbio, na Hungria e na Romênia, foram forçadas a reduzir a geração nesta semana e podem ser completamente desligadas nos próximos dias devido aos níveis recordes de baixa do rio. Na França, onde a energia nuclear responde por cerca de dois terços da eletricidade do país, a geração também teve de ser reduzida. As informações são de reportagens da Reuters e do jornal brasileiro Valor Econômico.

Nos preços do petróleo, apesar da continuidade dos ataques militares entre Estados Unidos e Irã, as cotações fecharam em queda na quinta-feira (30). Com Teerã afirmando que negocia com Omã a gestão do Estreito de Ormuz, o fluxo de navios na região diminuiu e os preços recuaram. O petróleo Brent caiu 1,37%, para US$ 86,88 o barril.

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