De acordo com pt.wedoany.com-No calendário de leilões de concessão de saneamento básico do Brasil em 2026, os projetos regionalizados tornaram-se uma tendência evidente, com Lavras (MG), Erechim (RS) e Tangará da Serra (MT) incluídos nos planos de concessão regional. O primeiro caso de implementação de projeto regional veio do município de Timbó, em Santa Catarina, que concluiu o leilão de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no início de julho.
O leilão de Timbó foi vencido pela empresa estatal Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) com a maior outorga de R$ 60 milhões, retomando a gestão dos serviços de saneamento do município após 24 anos. O contrato tem prazo de 35 anos, com investimento previsto de R$ 1,95 bilhão para manutenção e expansão dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
O projeto de concessão de Erechim deve gerar R$ 637,5 milhões em despesas de capital (capex) ao longo do contrato de 30 anos, com previsão de chegar ao mercado no terceiro trimestre deste ano, com tarifas de água definidas em patamar inferior ao do atual concessionário. As empresas que já apresentaram propostas incluem o Consórcio Erechim Saneamento e a Aegea.
Levantamento do Radar PPP mostra que os municípios são a principal fonte do pipeline de projetos no Brasil, com cerca de 1.444 acumulados desde 2023, 118 em nível estadual e 17 em nível federal nos últimos quatro anos. No total, há 1.785 projetos de saneamento em diferentes estágios de maturação no país, dos quais 78 têm maior probabilidade de se converterem em contratos assinados nos próximos meses.
Entre os projetos municipais, o maior número está em cidades com mais de 100 mil habitantes, com 576; municípios com até 20 mil habitantes somam 546; cidades entre 20 mil e 50 mil têm 408; e entre 50 mil e 100 mil, 255. Nas menores cidades, com até 20 mil habitantes, 12 projetos já estão em estágio de estruturação mais avançado, com expectativa de contratação nos próximos meses.
Fernando Vernalha, especialista do setor de saneamento e sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, avalia que os blocos regionais de saneamento devem ser organizados sob a liderança dos governos estaduais, que conseguem desenhar os agrupamentos de forma mais estruturada, combinando municípios com diferentes capacidades de geração de receita. Em entrevista à CNN, ele afirmou que não há impedimento legal ou constitucional para que municípios realizem concessões locais por conta própria, mas falta liderança dos estados.
"Em muitos casos, os estados não implementaram a estrutura regionalizada nem definiram políticas estaduais de delegação dos serviços à iniciativa privada", disse Vernalha. "Diante dessa lacuna, os municípios acabam tomando a iniciativa." Ele acrescentou que, enquanto a regionalização não se concretiza de fato, os municípios que realizam concessões locais não devem ser criticados — estão exercendo seu direito e melhorando os serviços para os usuários locais.
Vernalha também destacou que a concessão isolada de municípios com maior potencial de geração de receita pode agravar o problema. Uma vez que essas cidades concluam suas próprias concessões, faltarão receitas para subsidiar municípios com menor densidade populacional e menor capacidade econômica. Essas cidades costumam ser capitais e localidades mais densamente povoadas ou com renda mais concentrada, onde as operações de saneamento frequentemente apresentam superávit.








