De acordo com pt.wedoany.com-O diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, presidente da cúpula da COP30 realizada no ano passado em Belém, Brasil, enfatizou que a implementação global da ação climática não deve esperar por consenso. Ele disse ao Diálogo Terra que a diplomacia climática precisa focar mais em ação e cooperação, afirmando: "Tomar decisões requer consenso, mas implementar não." Corrêa do Lago continuará como presidente da Cúpula do Clima das Nações Unidas até novembro deste ano, quando a Turquia assumirá a presidência da COP31.

Corrêa do Lago afirmou que a implementação da ação climática enfrenta desafios, incluindo os impactos da saída dos EUA de vários acordos climáticos e o crescimento de vozes contrárias aos custos da ação climática. Na COP30, os países concordaram em triplicar o financiamento para adaptação às mudanças climáticas e criar um mecanismo de "transição justa", mas não conseguiram chegar a um consenso sobre combustíveis fósseis ou desmatamento. Ele enfatizou que as negociações internacionais dependem do consenso de quase 200 países, o que confere legitimidade aos acordos, mas torna o progresso lento.
Corrêa do Lago acredita que a implementação da ação climática é crucial devido à urgência de tempo. Ele apontou que os países podem agir de acordo com suas próprias circunstâncias, e pequenas coalizões podem avançar em questões como transição energética ou desmatamento. Quando divergências políticas interferem na cooperação, focar na implementação ajuda a manter o ímpeto. O papel dos EUA, como um dos principais emissores, constitui um desafio, mas a ação climática não se limita ao governo federal; comunidades, empresas e outros também podem participar.
Acordos de conferências climáticas anteriores ainda não foram totalmente implementados; por exemplo, as metas de financiamento para adaptação climática foram repetidamente não alcançadas, e embora a COP28 tenha exigido um afastamento dos combustíveis fósseis, novas licenças continuam sendo aprovadas. Corrêa do Lago alertou que os ataques crescentes à lógica econômica da ação climática podem ser ainda mais perigosos. No Brasil, o governo se apresenta como um líder climático, mas suas prioridades de desenvolvimento incluem a expansão de combustíveis fósseis, que competem com as metas de redução de emissões.
Corrêa do Lago promove dois roteiros: redução do desmatamento e transição para longe dos combustíveis fósseis, avançando em paralelo com base em compromissos existentes. Isso ocorre paralelamente à tarefa da COP29 de estabelecer um roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035. Em fevereiro, ele visitou a Turquia para promover o roteiro; a COP31 será realizada em Antália, e a Austrália liderará as pré-negociações com países do Pacífico.

O Brasil está desenvolvendo um roteiro nacional para transformar sua liderança climática em uma transição justa, mas o plano ainda não divulgou uma estrutura de implementação. O Observatório do Clima do Brasil criticou o roteiro do governo, alertando para contradições entre políticas e descarbonização. Corrêa do Lago observou que essa contradição não é exclusiva do Brasil; a competição por prioridades dentro dos governos e a dependência da receita de combustíveis fósseis refletem a limitação de alternativas.
Em abril, Santa Marta, na Colômbia, sediará a primeira conferência sobre transição para longe dos combustíveis fósseis, liderada pela Colômbia e pelos Países Baixos. Corrêa do Lago afirmou que o evento é complementar e paralelo ao roteiro da COP30. Ele está otimista de que o foco mais forte na implementação e ação persistirá, e que a Turquia e a Austrália já adotaram uma nova estrutura de agenda de ação baseada na implementação.
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