Estudo brasileiro mostra que SAF de canola pode reduzir emissões em 55%
2026-05-15 17:13
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De acordo com pt.wedoany.com-Um estudo concluído recentemente pela Universidade de Brasília (UnB) em conjunto com a unidade de Bioenergia e Meio Ambiente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que o combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) produzido a partir de canola pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 55% ao longo de todo o ciclo de vida, em comparação com o querosene de aviação fóssil tradicional.

O estudo avaliou todo o ciclo de vida do combustível, desde o cultivo da canola até a queima do SAF nas aeronaves. O modelo utilizado é chamado de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), que mede os impactos ambientais de toda a cadeia produtiva. Segundo a analista da unidade de Meio Ambiente da Embrapa, Priscila Sabaini, esse percentual de redução representa um cenário otimista e ainda hipotético, que depende de avanços tecnológicos e regulatórios.

Atualmente, uma das limitações é a restrição à mistura do SAF produzido pela rota HEFA (uma tecnologia baseada em óleos vegetais e gorduras) com combustível fóssil tradicional. A proporção permitida hoje é de cerca de 50% de SAF para 50% de querosene convencional, o que impede a substituição total do combustível fóssil.

Pesquisa analisa produção em condições tropicais

O estudo utilizou dados reais de produtores brasileiros e analisou o cultivo de canola em sistemas de segunda safra, geralmente em rotação com a soja. O trabalho considerou três cenários: uso apenas de querosene fóssil Jet-A1, mistura de 50% de SAF com 50% de combustível convencional e uso de 100% de SAF. O estudo também modelou a rota tecnológica HEFA (Ésteres e Ácidos Graxos Hidroprocessados), que converte óleos vegetais em combustível de aviação por meio de hidroprocessamento.

De acordo com a doutoranda da UnB e colaboradora da unidade de Meio Ambiente da Embrapa, Giulia Lamas, o diferencial do estudo reside justamente na análise da canola cultivada em condições tropicais brasileiras, uma realidade ainda pouco estudada internacionalmente. A investigação também dialoga com planos e programas de descarbonização, como o programa Corsia da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), o programa RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.

Fase agrícola concentra a maior parte das emissões

Os pesquisadores descobriram que a fase agrícola ainda é responsável pela maior parte das emissões associadas ao SAF de canola. Os principais fatores são o uso de fertilizantes nitrogenados e as emissões de óxido nitroso liberadas pelo solo. Segundo o pesquisador da unidade de Bioenergia da Embrapa, Alexandre Cardoso, a produção e aplicação de fertilizantes representam o principal ponto crítico ambiental da cadeia, tanto em termos de emissões quanto de impactos sobre os recursos hídricos e ecossistemas.

O estudo também aponta que os impactos ambientais relacionados ao uso intensivo de fertilizantes incluem a eutrofização (excesso de nutrientes em ambientes aquáticos) e a toxicidade humana. Para os pesquisadores, práticas agronômicas mais eficientes e o avanço dos bioinsumos podem reduzir significativamente esses impactos.

Hidrogênio verde amplia a redução de emissões

Outro fator considerado determinante para o desempenho ambiental do SAF é a origem do hidrogênio utilizado na fase industrial de produção do combustível. O estudo mostra que, quando o hidrogênio de origem fóssil é substituído por hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis, como energia solar e eólica, as emissões da etapa industrial podem cair entre 86% e 94%. Os pesquisadores apontam que a integração da bioenergia com o hidrogênio renovável é considerada uma das estratégias mais promissoras para reduzir a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação.

Brasil tem vantagens competitivas no cultivo de canola

Os pesquisadores destacam que o Brasil possui uma característica considerada favorável à sustentabilidade da canola: o cultivo ocorre majoritariamente como segunda safra, em rotação com a soja, sem a necessidade de abertura de novas áreas agrícolas. Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade de Bioenergia da Embrapa, Bruno Laviola, isso diferencia a produção brasileira da de países onde a canola ocupa áreas de cultivo exclusivo. O estudo também ressalta que não foram consideradas as emissões indiretas associadas à mudança no uso da terra, questão que poderá ser aprofundada em pesquisas futuras.

Dados podem apoiar certificação e políticas públicas

Os resultados da pesquisa também podem contribuir para o aperfeiçoamento dos mecanismos de certificação ambiental no Brasil. Atualmente, a canola ainda não está incluída na rota HEFA da RenovaCalc, ferramenta do programa RenovaBio utilizada para calcular a intensidade de carbono dos biocombustíveis e emitir Créditos de Descarbonização (CBIOs). Os pesquisadores avaliam que a inclusão dessa matéria-prima poderia ampliar as opções de certificação e fortalecer o desenvolvimento do SAF no Brasil. Além das emissões de carbono, o estudo considera que a sustentabilidade dos combustíveis de aviação também deve considerar seus impactos sobre a água, o solo e os ecossistemas, especialmente no contexto da expansão das metas de descarbonização do setor aéreo global.

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