OneBio inaugura a maior planta de biometano em Paulínia, Brasil
2026-05-15 17:13
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De acordo com pt.wedoany.com-O governo do estado de São Paulo inaugurou, em março deste ano, a maior planta de biometano do país, na cidade de Paulínia, Brasil. A planta é operada pela OneBio e recebeu financiamento de 450 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Construída dentro de um parque ecológico que substituiu um antigo aterro sanitário, a instalação utiliza resíduos orgânicos para produzir biometano. Este combustível é considerado uma alternativa para o abastecimento de frotas de caminhões e ônibus.

O estado de São Paulo acelera o desenvolvimento do biometano combinando regulação com incentivos públicos. No final de 2025, a agência reguladora estadual estabeleceu novas regras que permitem que novas plantas se conectem diretamente à rede de gasodutos, sem repassar os custos a outros consumidores. Nesse modelo, o próprio fornecedor assume o investimento por meio de uma tarifa específica, criando um ambiente previsível para quem deseja ingressar no setor. A iniciativa está alinhada com as diretrizes estaduais de energia e clima de longo prazo, que posicionam o biometano como um componente-chave para expandir as fontes de energia renovável e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Para liberar investimentos, o governo também adotou medidas como a simplificação do licenciamento ambiental, a oferta de incentivos fiscais e a facilitação da conexão de mercado, incluindo a criação de uma plataforma que conecta produtores, distribuidores e comercializadores. Algumas cidades já começaram a experimentar o abastecimento 100% com biometano nos próximos anos.

Projeções indicam que a produção diária no estado pode ultrapassar 1 milhão de metros cúbicos até 2028, consolidando sua posição como referência na transição energética brasileira. Do ponto de vista ambiental, o biometano, gerado a partir de resíduos orgânicos, integra-se ao ciclo de carbono renovável e pode reduzir significativamente as emissões em comparação com os combustíveis fósseis, chegando a quase 90% em casos específicos. O avanço desse mercado também está relacionado à dependência brasileira do diesel importado. Com o aumento das importações nos últimos anos, o biometano surge como uma alternativa viável para substituir parte do consumo de diesel e abre caminho para, no futuro, substituir o GLP e o gás natural em aplicações específicas.

Embora o Brasil possua uma oferta abundante de resíduos orgânicos, a produção em larga escala ainda enfrenta gargalos regulatórios, logísticos e econômicos. No âmbito regulatório, o arcabouço legal do biometano permanece fragmentado, com regras variando entre os estados e a ausência de um padrão nacional robusto, o que afeta a segurança jurídica para investimentos e dificulta a formação do mercado. Em termos de infraestrutura, a produção de biometano frequentemente se localiza em áreas rurais ou próximas a aterros sanitários, enquanto a rede de distribuição de gás do país é limitada, e a conexão por gasodutos ou o transporte por caminhões elevam os custos. Outro desafio é o financiamento: os projetos exigem alto investimento inicial e, apesar do apoio do BNDES, a facilidade de acesso ao crédito ainda não acompanha a demanda por expansão. Quanto à previsibilidade da demanda, o biometano ainda depende de contratos de longo prazo com frotas pesadas e clientes industriais, e a falta de uma garantia de consumo sólida pode travar novos projetos.

Na área tributária, o setor enfrenta uma concorrência desigual com os combustíveis fósseis, e a falta de incentivos fiscais mais amplos ou de uma política de precificação de carbono reduz a atratividade econômica do biometano. Questões de tecnologia e escala também são proeminentes: embora a matéria-prima seja abundante, a conversão eficiente ainda requer investimento tecnológico e padronização de processos. O biometano disputa espaço com alternativas como a eletrificação, o hidrogênio e os biocombustíveis líquidos, exigindo coordenação estratégica para evitar a sobreposição de incentivos. Mesmo diante dos desafios, o setor continua a se expandir, impulsionado por projetos em aterros sanitários, usinas sucroenergéticas e propriedades rurais. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), Evandro Gussi, afirmou: "O biometano é a nova fronteira da cana-de-açúcar, agregando valor ao Brasil e ampliando a oferta de energia limpa." Nos próximos anos, o desenvolvimento do biometano no Brasil dependerá da evolução regulatória, da expansão da infraestrutura e da criação de condições econômicas favoráveis.

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