De acordo com pt.wedoany.com-A Compass se tornou a primeira empresa 100% focada em gás natural no Brasil, concluindo sua Oferta Pública Inicial (IPO) na B3, com um volume total de até R$ 3,2 bilhões. O IPO foi precificado no piso da faixa, a R$ 28, mas a demanda superou o volume inicial da oferta, sendo considerado pelo mercado um evento emblemático para testar a capacidade do setor de gás natural de atrair capital.
Como a emissão foi inteiramente secundária, os recursos captados irão para a conta da controladora Cosan, sem injetar capital novo diretamente na Compass. No entanto, Rivaldo Moreira Neto, sócio da A&M Infra, avalia que a forte adesão dos investidores indica que o mercado reconhece a tese de investimento da Compass — com a distribuição regulada de gás proporcionando receita estável, enquanto a comercialização de gás no mercado livre e a distribuição de GNL em pequena escala (negócio off-grid) constituem os motores de crescimento.
Neto destacou que o capital privado já vinha se posicionando ativamente no segmento off-grid: a Perfin Infra e a Ultrapar adquiriram 75% da VirtuGNL (transação superior a R$ 200 milhões), e a Copa Energia comprou 36% da GNLink, controlada pela Lorinvest (cerca de R$ 100 milhões). Ele acredita que o IPO da Compass não é um caso isolado e que o mercado de gás natural ainda conta com outras empresas com potencial para abrir capital.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, por sua vez, avalia que, apesar do sucesso da listagem da Compass, o ambiente atual de juros elevados (Selic ainda em 14,50%) inibe o interesse geral dos investidores, e a janela para IPOs ainda não está totalmente aberta. Cruz projeta que a Cosan poderá diluir ainda mais sua participação no futuro, ampliando o free float da Compass dos atuais cerca de 12% após o IPO.
A estratégia de crescimento da Compass está centrada em sua trading Edge, incluindo a produção de biometano (com a planta da Onebio já operacional), a distribuição off-grid e a venda de gás natural para usinas termelétricas do LRCAP. A empresa busca conectar o terminal de regaseificação de São Paulo à malha da nova transportadora do Sudeste para expandir seu alcance de mercado, enquanto aguarda a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a disputa de titularidade dos gasodutos da Comgás.
Na primeira semana de listagem, as ações da Compass acumularam queda de 5,4%, enquanto o Ibovespa recuou 3,7% no mesmo período. O balanço do primeiro trimestre mostrou que o lucro líquido da empresa caiu 9% na comparação anual, para R$ 382 milhões, a receita operacional líquida recuou 25%, para R$ 3,16 bilhões, enquanto o EBITDA teve leve alta de 2%, para R$ 1,3 bilhão.
Outros destaques do setor de gás natural nesta semana incluem: a reforma do setor de hidrocarbonetos na Bolívia, que pode atrair empresas petrolíferas independentes regionais; a sinalização da Petrobras de que poderá ajustar o preço do gás em agosto de forma parcelada; a suspensão, pela Aneel, da análise do leilão de LRCAP devido a disputas judiciais; a entrada do mercado livre em uma nova fase de migração de pequenos consumidores industriais; os planos da Petrobras de ampliar a capacidade de suas atuais fábricas de fertilizantes; e o lançamento, pela Copersucar, do projeto logístico BioRota, que utiliza caminhões a biometano para o transporte de açúcar para exportação no Porto de Santos.
Este texto foi elaborado por Wedoany. Qualquer citação por IA deve indicar a fonte “Wedoany”. Em caso de infração ou outros problemas, informe-nos prontamente, por favor. O conteúdo será corrigido ou removido. E-mail: news@wedoany.com










