Novas regras da UE sobre antibióticos forçam pecuária de corte brasileira a ajustar formulações nutricionais
2026-05-18 17:05
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De acordo com pt.wedoany.com-Padrões mais rigorosos da União Europeia para resíduos de antibióticos nas exportações de carne bovina brasileira estão forçando o setor pecuário do país a reavaliar as atuais formulações nutricionais. Nutricionistas animais apontam que aditivos melhoradores de desempenho, como a virginiamicina, são o principal alvo das restrições da UE.

A União Europeia reforçou, a partir de abril deste ano, as exigências regulatórias para o uso de antibióticos na produção de carne bovina, determinando que a carne exportada para o mercado europeu deve ser totalmente isenta de determinados princípios ativos antibióticos. O Doutor em Zootecnia Dhones Rodrigues de Andrade, diretor técnico da Facholi Sementes e Nutrição, afirmou em entrevista que a situação atual envolve uma sobreposição de fatores sanitários, comerciais e diplomáticos. Ele destacou que concorrentes do Brasil no mercado europeu, como Uruguai, Chile e Argentina, já estabeleceram protocolos de produção "livres de antibióticos" mais rigorosos, enquanto o Brasil ainda precisa encontrar saídas em alternativas técnicas e negociações diplomáticas.

No sistema intensivo de confinamento brasileiro, o uso combinado de monensina e virginiamicina tem sido, há muito tempo, a estratégia nutricional central para melhorar a conversão alimentar, estabilizar a função ruminal e promover o ganho de peso. Dhones explicou que, em dietas de alta energia, a ação sinérgica dos dois aditivos melhora significativamente o desempenho produtivo e reduz o risco de distúrbios metabólicos. Ele enfatizou que a virginiamicina complementa o efeito da monensina, proporcionando um nível mais alto de segurança nutricional no processo de engorda.

No entanto, as novas regras da UE exigem uma comprovação completa da cadeia de suprimentos, atestando a total ausência do uso desses compostos durante a produção da carne. Dhones afirmou que a UE busca o "uso zero", e não um "limite seguro", o que representa um desafio direto ao modelo de produção atual do Brasil. Atualmente, o setor discute duas vias de resposta: buscar isenções parciais por meio de negociações diplomáticas ou estabelecer uma cadeia de suprimentos exclusiva para carne "livre de antibióticos", completamente segregada e altamente rastreável.

O setor empresarial está acelerando o desenvolvimento de alternativas, incluindo o uso de aditivos não antibióticos, como óleos essenciais, leveduras e extratos vegetais, para melhorar o microambiente ruminal. Contudo, Dhones ressalta que as alternativas existentes dificilmente superam os antibióticos em eficácia de forma abrangente e exigem doses mais elevadas, elevando diretamente o custo da dieta. Ele afirmou que a pressão final do aumento dos custos de produção será transferida para as fazendas, e a questão central é se os produtores conseguirão obter uma compensação de preço (prêmio) correspondente.

Apesar da pressão regulatória, a escala dos confinamentos brasileiros continua a se expandir. Dados de mercado mostram que cerca de 20% do gado de corte brasileiro é atualmente abatido proveniente de sistemas intensivos de confinamento, proporção que cresceu significativamente na última década. Dhones acredita que, mesmo com desacelerações de curto prazo devido ao ciclo pecuário, ao plantel de matrizes e às flutuações nos custos de reposição, a tendência de expansão estrutural permanece inalterada.

O setor avalia, de forma geral, que a controvérsia em torno do uso de antibióticos já transcendeu a questão puramente sanitária, transformando-se em uma nova barreira técnica ao comércio. O governo brasileiro e as empresas de nutrição animal estão respondendo pelas frentes diplomática e de pesquisa e desenvolvimento, respectivamente, mas o consenso no setor é que qualquer mudança afetará a estrutura de custos internos das fazendas. Sem um mecanismo correspondente de prêmio de mercado, o setor produtivo terá dificuldade em absorver os custos adicionais.

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