De acordo com pt.wedoany.com-A pressão de baixa no mercado físico do boi gordo brasileiro continua, conforme aponta o relatório de mercado divulgado pela consultoria Agrifatto. A instituição destacou que a piora na qualidade das pastagens de outono e o consumo interno enfraquecido de carne bovina na segunda quinzena do mês, combinados com o aumento na oferta de animais prontos para abate, impulsionaram esse cenário.
No levantamento de quinta-feira, 21 de maio, a Agrifatto registrou queda na cotação da arroba (@, unidade de medida para bovinos vivos no Brasil) em 5 das 17 regiões monitoradas, abrangendo os estados do AC, GO, MA, MG e TO. Com exceção da alta no preço do boi gordo em Rondônia, os preços da arroba nas demais regiões acompanhadas permaneceram estáveis. No interior de São Paulo, o boi gordo padrão não-exportação foi cotado a R$ 345/@, enquanto o "Boi China", voltado ao padrão de exportação para o país asiático, foi negociado a R$ 355/@.
Dados da consultoria Scot também corroboram essa dinâmica de mercado. No mercado paulista, a cotação do boi gordo para o mercado doméstico foi de R$ 345/@, a vaca gorda a R$ 318/@, a novilha a R$ 330/@ e o "Boi China" a R$ 350/@ (preço bruto, pagamento a prazo). Os analistas da Scot enfatizaram que a oferta de gado continua atendendo à demanda atual, enquanto as vendas domésticas de carne seguem fracas, resultando em pressão contínua sobre o mercado. Para animais jovens, com idade de abate de até 30 meses, o bom ritmo dos negócios de exportação atua como fator de sustentação.
A Agrifatto prevê que novos ajustes negativos nos preços da arroba podem ocorrer nos próximos dias, pelo menos até o final de maio de 2026. A consultoria aponta que o mercado ainda é caracterizado por escalas de abate confortáveis, consumo interno enfraquecido e expectativas concentradas no avanço da demanda externa. A escala média nacional de abate situa-se entre 8 e 9 dias, o que significa que os frigoríficos brasileiros não têm pressa para comprar boi gordo.
Em contraste com a fraqueza do mercado físico, o mercado futuro do boi gordo se mantém firme. Os analistas da Agrifatto explicam que os preços dos contratos são sustentados por rumores de que a China pode flexibilizar as medidas de salvaguarda, e o mercado começa a considerar a possibilidade de o Brasil utilizar as cotas de importação não preenchidas por outros países. Isso melhora o sentimento no setor exportador e oferece suporte às negociações futuras. O mercado físico e o futuro seguem em um cabo de guerra, de um lado a pressão da oferta e a desaceleração do consumo, do outro a expectativa de melhora no cenário externo.
A Agrifatto, com foco no mercado chinês, destacou que um clima de profunda incerteza estrutural pairou sobre a feira SIAL Xangai, encerrada em 20 de maio. A principal divergência tática concentrou-se nos prazos de segurança para os embarques brasileiros. Embora o consenso especulativo aponte que os navios devem zarpar até o final de junho de 2026 para garantir tarifas preferenciais, os operadores adotaram estratégias de risco assimétricas. Exportadores mais agressivos defendem embarques na segunda quinzena de junho, na expectativa de que 80% do volume entre normalmente na cota e os 20% restantes sejam escoados por canais alternativos; no entanto, importadores que buscam evitar riscos regulatórios já estão rejeitando sistematicamente cargas embarcadas após 15 de junho. Nesta semana, as ofertas de dianteiro bovino brasileiro para exportação à China situaram-se entre US$ 6.700 e US$ 6.800 por tonelada, estáveis em relação à semana anterior.
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