Flying Rivers Capital, do Brasil, recebe compromisso de R$ 500 milhões do BNDES e foca em investimentos em biometano
2026-05-28 16:26
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De acordo com pt.wedoany.com-Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen e presidente da iniciativa SB COP, lançada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para promover a participação do setor privado na agenda da COP 30 ao longo de 2025, tornou-se recentemente sócio da gestora de recursos Flying Rivers Capital. Fundada por Luciana Antonini Ribeiro, a empresa é focada em investimentos em descarbonização e soluções climáticas, sendo uma derivada da vertical climática da eB Capital, de Eduardo Sirotsky Melzer (Duda Melzer), com ativos sob gestão de R$ 1 bilhão.

Mussa revelou que, antes de se tornar sócio, já atuava como membro do conselho de administração da Flying Rivers e participava ativamente da estratégia da empresa. Ele acredita que a nova posição lhe permite combinar sua experiência no mercado financeiro com sua vivência operacional. Atualmente, a empresa possui quatro investimentos, incluindo a Cirklo, de reciclagem de PET, a Bioo, plataforma de produção de biometano a partir de resíduos agroindustriais, e a Blue Health, que atua no aluguel, manutenção e distribuição de equipamentos médicos.

A empresa está captando seu segundo Fundo de Investimento em Participações (FIP), que já recebeu um compromisso de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com a Plataforma de Investimentos Climáticos e Transição Ecológica do Brasil (BIP), a meta de captação do fundo é de até US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão). Mussa afirmou que a conclusão da captação está prevista para entre o final de 2026 e o início de 2027, com os primeiros investimentos a serem anunciados por volta de julho do mesmo ano.

Os temas de investimento da Flying Rivers abrangem três grandes áreas: transição energética (com foco em biocombustíveis), segurança alimentar e minerais críticos. Mussa considera que o atual ciclo de baixa no agronegócio cria um momento favorável para a aquisição de ativos maduros. Ele prefere projetos que já possuam escala operacional ou estejam próximos da fase de consolidação, em vez de projetos greenfield, iniciados do zero. Como exemplo, a Bioo construiu uma planta de biometano em Triunfo, no Rio Grande do Sul, com investimento superior a R$ 200 milhões, que entrou em operação recentemente.

Biometano e biofertilizantes são direções prioritárias no pipeline de projetos da empresa. Mussa destacou que a Lei do Combustível do Futuro estabelece, a partir deste ano, um aumento gradual da mistura obrigatória de biometano ao gás natural, começando com 0,5%, o que proporciona uma política de crescimento previsível para o mercado. Ele considera que esse mecanismo é semelhante à trajetória inicial do mercado de biodiesel — que se expandiu continuamente desde 2005, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que tornou obrigatória a adição de 5% de biodiesel ao diesel. Mussa enfatizou que a vantagem do Brasil em resíduos agroindustriais confere competitividade natural ao desenvolvimento do biometano. No segmento de biofertilizantes, ele acredita que o setor é estratégico para o país, mas a empresa prefere buscar projetos maduros em fase de consolidação, para reduzir os riscos associados a projetos greenfield.

A entrada na Flying Rivers permite a Mussa dar continuidade à sua trajetória de transição energética desde a época da Raízen. Durante sua liderança na Raízen, ele foi um dos principais defensores da produção de etanol de segunda geração (E2G). Alega-se que essa tecnologia possui uma pegada de carbono cerca de 30% menor que a do etanol de primeira geração e até 80% menor que a dos combustíveis fósseis. Mussa planejava construir 20 plantas de produção de E2G na Raízen até 2030, com investimento estimado em pelo menos R$ 25 bilhões. No entanto, apenas uma planta foi construída e entrou em operação, e o projeto acabou sendo congelado pela nova gestão da Raízen, que atualmente passa por uma recuperação extrajudicial.

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