De acordo com pt.wedoany.com-A indústria brasileira de etanol está passando por uma nova onda de diversificação de matérias-primas. Além da cana-de-açúcar e do milho, que dominam o setor, diversas novas matérias-primas, como trigo, agave, batata-doce, subprodutos do processamento da soja e resíduos alimentares, estão sendo desenvolvidas para a produção de biocombustíveis. Essa tendência é vista pelo setor como a "terceira onda" de inovação.

Alexandre Breda, gerente de tecnologias de baixo carbono da Shell Brasil, afirma que o futuro da transição energética não é uma questão de escolha de uma única matéria-prima, mas sim uma solução integrada que envolve cana-de-açúcar, milho, agave, trigo e toda a biomassa. A empresa está investindo R$ 100 milhões para estudar a viabilidade do agave como matéria-prima para biocombustíveis.
A indústria brasileira de etanol é avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, e sua frota de veículos de passeio "flex" pode operar com gasolina misturada com até 30% de etanol anidro ou exclusivamente com etanol hidratado. Dados nacionais do Brasil mostram que, graças ao uso generalizado de biocombustíveis, o preço da gasolina no país subiu de R$ 6,32 por litro em janeiro para R$ 6,62 por litro no final de maio, um aumento de apenas 5%, muito inferior ao aumento de mais de 40% no preço da gasolina nos Estados Unidos no mesmo período.
De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética, em 2026, cerca de 28,5 bilhões de litros (71%) do etanol brasileiro virão da cana-de-açúcar, e 11,2 bilhões de litros virão de outros produtos agrícolas, como milho, soja e trigo. A Be8, maior produtora de biodiesel do país, está investindo R$ 1,7 bilhão na construção de uma biorrefinaria com matéria-prima de trigo no Rio Grande do Sul, com previsão de início de operação em março de 2027. O objetivo é produzir 220 milhões de litros de etanol por ano, além de 155 mil toneladas de grãos secos de destilaria com solúveis (DDG) e 27 mil toneladas de glúten de trigo como subprodutos. O fundador e CEO da Be8, Erasmo Carlos Battistella, destaca que o estado perdeu as ondas anteriores de produção de etanol baseadas em cana-de-açúcar e milho, e agora, com a maturidade tecnológica, aproveitará a abundante matéria-prima local.
No Norte e Nordeste do Brasil, o etanol de milho está se desenvolvendo rapidamente. Renato Cunha, presidente da NovaBio, associação de produtores de etanol de cana da região, expressa preocupação com o excesso de capacidade, afirmando que não se pode simplesmente presumir que todo o etanol produzido será vendido. Enquanto isso, o governo aumentará a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32% em junho, medida que deve aumentar a demanda anual de etanol em cerca de 1 bilhão de litros. Mario Ferreira Campos Filho, presidente da Bioenergia Brasil, prevê que, em cinco a seis anos, 40% a 45% da produção de etanol do Brasil pode vir de grãos.
A Agropecuária Vista Alegre, produtora no estado de São Paulo, está convertendo o excedente de batata-doce em etanol e ração animal. David de Carlo Fernando Junior, gerente industrial da usina, afirma que a medida garante que a safra seja colhida e utilizada, evitando que apodreça no campo por falta de viabilidade econômica. Grandes processadoras de soja, como Caramuru e CJ Selecta, produzem etanol a partir do melaço gerado no processamento da soja. A Ambipar, empresa de serviços ambientais, utiliza resíduos alimentares (como xaropes e itens descartados) para produzir cerca de 2,4 milhões de litros de etanol por ano.
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