Aquisição de seis usinas termelétricas da BBF pela Aggreko no Brasil é aprovada pelo Cade
2026-06-04 09:30
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De acordo com pt.wedoany.com-A empresa brasileira de biocombustíveis (Brasil Bio Fuels, BBF) planeja vender participações em seis usinas termelétricas como parte de seu processo de recuperação judicial. A transação envolve as usinas termelétricas pertencentes ao Consórcio Geração Amazonas (CGA), e a BBF pretende firmar um acordo com a empresa de locação de geradores de energia Aggreko para que esta adquira os ativos relacionados.

Usina híbrida da BBF em Roraima

O acordo envolve a aquisição, pela Aggreko Energia Locação de Geradores, de 100% das ações ou títulos representativos do capital social de uma ou mais Sociedades de Propósito Específico (SPEs) a serem constituídas pela Brasil Bio Fuels e pela Amazonbio Indústria e Comércio de Biodiesel da Amazônia. A transação foi aprovada nesta quarta-feira (3 de junho) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas sua conclusão ainda depende da obtenção de uma série de aprovações, consentimentos e autorizações regulatórias, contratuais e judiciais.

Essas autorizações incluem a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a licença do Governo Federal por meio do Comando de Fronteira do Solimões/8º Batalhão de Infantaria da Selva, o consentimento das comunidades indígenas de Feijoal e Belém do Solimões, e as licenças da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Amazonas Energia. A transação também requer autorização judicial no âmbito da recuperação judicial da BBF, além de atender a outras condições necessárias para a transferência, conformidade, posse, propriedade, uso e gestão dos ativos e das SPEs. De acordo com o plano de recuperação aprovado (com base na Lei nº 11.101/2005), a BBF e outras empresas do mesmo grupo econômico podem vender ativos e participações por meio de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs). A transação é estruturada através da criação de UPIs e SPEs, permitindo a transferência dos ativos ao comprador, que não assume as dívidas do vendedor, desde que cumpridas as leis, exigências regulatórias e judiciais aplicáveis.

As seis usinas termelétricas envolvidas na transação são: Belém dos Solimões (0,89 MW), Envira (4,1 MW), Estirão do Equador (0,63 MW), Feijoal (1,18 MW), Ipixuna (4,09 MW) e Palmeiras do Javarí (0,63 MW). Todas estão localizadas no estado do Amazonas e operam com diesel e/ou biodiesel. Esses ativos pertencem ao Consórcio Geração Amazonas (CGA), vencedor do Leilão nº 02/2016 da Aneel, responsável pela geração e fornecimento de energia em sistemas isolados dos lotes A/II e A/III, sob o regime dos Contratos de Comercialização de Energia Elétrica em Sistemas Isolados (CCESIs), abrangendo 32 usinas termelétricas (UTEs) em diferentes localidades do interior do Amazonas.

Atualmente, a Aggreko detém 99% de participação no CGA e opera 26 usinas. A Brasil Bio Fuels e a Amazonbio detêm conjuntamente os 1% restantes de participação no consórcio e operam as seis usinas termelétricas objeto desta transação. Em nota enviada ao Cade, as empresas afirmaram que a transação é justificada econômica, regulatória e operacionalmente, visando proteger a continuidade de ativos importantes relacionados ao fornecimento de energia em sistemas isolados do Amazonas, mitigar os riscos decorrentes da situação financeira das empresas da BBF e concentrar ativos já pertencentes ao mesmo consórcio e sob os mesmos contratos regulatórios sob o principal operador do CGA. As empresas afirmam que a importância da transação em nível setorial foi corroborada pela ata da 290ª Reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) de abril de 2024, que apontou a situação financeira da BBF como um ponto de atenção para o suprimento de sistemas isolados, e que a transação contribui para manter a segurança e estabilidade do fornecimento de energia em regiões remotas, sem causar alterações concorrenciais significativas. O acordo também pode gerar eficiências operacionais, uma vez que a Aggreko já é a principal consorciada do CGA, detendo 99% de participação e operando 26 das 32 usinas termelétricas abrangidas pelos contratos CCESI. Portanto, a aquisição desses ativos pela Aggreko permitiria centralizar a gestão das seis usinas termelétricas da transação com um "agente que já possui experiência operacional, escala logística e conhecimento dos arranjos regulatórios aplicáveis aos sistemas isolados atendidos pelo CGA".

Em abril deste ano, a Brasil Biofuels Acre submeteu ao Cade um pedido de venda de seus ativos de geração no estado do Acre para a Japaratinga Participações, controlada pela Geribá Investimentos. A transação foi aprovada pela autoridade antitruste, mas ainda depende do consentimento da Aneel. Ambas as vendas fazem parte da estratégia da empresa para resolver sua crise financeira. A BBF, que possui 25 usinas termelétricas em operação com capacidade de 86,8 MW, aprovou em outubro de 2025 o pedido de recuperação judicial e o cancelamento de seu registro de emissor de valores mobiliários de "Classe B" na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Atualmente, a empresa tem seus fundos bloqueados judicialmente e alega não ter condições de pagar fornecedores de combustível, transporte e logística. Em maio deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Rondônia (MPRO) ingressaram com um pedido de tutela de urgência na Justiça Federal para garantir a continuidade do fornecimento de energia elétrica a comunidades remotas em Rondônia, devido ao risco de interrupção do serviço que afetaria cerca de 9.000 ribeirinhos, quilombolas e moradores rurais fora do Sistema Interligado Nacional (SIN). O MPF solicitou medidas emergenciais, incluindo a substituição temporária da BBF pela distribuidora Energisa Rondônia na operação dos sistemas isolados, até que um novo processo licitatório seja realizado. Em resposta ao MPF, a Procuradoria Federal junto à Aneel informou que a operação das usinas da BBF já vinha sendo alvo de ações regulatórias contínuas nos estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima e Pará. Segundo o órgão, a deterioração financeira da empresa levou à emissão do Ofício nº 81/2024, após a constatação de falhas operacionais agravadas pela recuperação judicial da holding. Na ocasião, a área técnica propôs a revogação das autorizações dos projetos da BBF e de suas subsidiárias para o fornecimento de energia a regiões isoladas. O órgão também afirmou ter adotado medidas especiais para garantir o fornecimento. Em março de 2024, autorizou o pagamento direto a fornecedores dos custos de combustível, transporte e logística relacionados aos contratos da BBF. Em dezembro de 2025, a medida foi ampliada para incluir despesas com locação e transporte de grupos geradores, bem como o fornecimento de lubrificantes e filtros.

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