De acordo com pt.wedoany.com-O mercado imobiliário mexicano enfrenta uma profunda transformação estrutural. O aumento dos custos dos terrenos, a crescente dificuldade de acesso ao crédito hipotecário, a reconfiguração do espaço urbano e as mudanças no perfil dos compradores estão levando o setor a repensar os modelos de construção, financiamento e habitação.

Recentemente, a conferência "Capítulo 3 de Liga Inmobiliaria" reuniu representantes de órgãos públicos, incorporadoras, bancos, empresas de análise, instituições de avaliação e especialistas internacionais para analisar as tendências, desafios e oportunidades que impactam o desenvolvimento urbano e habitacional no México. A mensagem central do evento foi que os desafios atuais não podem mais ser analisados apenas sob a ótica da construção de novas moradias, mas exigem uma perspectiva integrada que considere a cidade, a acessibilidade e o bem-estar.
José Shabot, CEO da Quiero Casa, pediu em seu discurso uma reflexão sobre o significado da habitação, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento imobiliário. Ele destacou que a moradia não é apenas metros quadrados e renderizações, mas sim lar, qualidade de vida e patrimônio. O maior desafio atual não é apenas construir edifícios, mas criar melhores formas de viver. Ele também alertou que a tendência contínua de adensamento urbano exige que as incorporadoras desenvolvam projetos mais eficientes, melhor integrados ao ambiente urbano e próximos a transporte, serviços, emprego e espaços públicos. José Shabot enfatizou que a acessibilidade é o maior desafio do setor, um problema que só pode ser resolvido com a coordenação entre governo, incorporadoras e sistema financeiro.
Marissa González Guzmán, economista sênior do BBVA Research, apresentou a pressão estrutural que o mercado de crédito hipotecário sofre devido ao rápido aumento dos preços dos imóveis. Os dados mostram que, entre 2016 e 2024, os preços das casas no México subiram quase 92%, enquanto a renda familiar cresceu apenas 14%, tornando cada vez mais difícil o acesso formal à moradia. Marissa González Guzmán acredita que a demanda por habitação existe, mas o problema é que um número crescente de pessoas não pode pagar. O desafio da acessibilidade exige novas políticas públicas, novos produtos financeiros e novas formas de entender a renda. Ela acrescentou que o crescimento do emprego formal e da classe média oferece oportunidades ao mercado, mas ainda há grandes desafios para incluir trabalhadores autônomos e informais no sistema de financiamento.
Marina Muñoz García, gerente regional do Urban Housing Practitioners Hub (UHPH), apontou que a América Latina está passando por uma transformação no conceito de habitação, e os modelos tradicionais já não são suficientes para lidar com a realidade social atual. Ela afirmou que a crise habitacional não pode ser resolvida apenas com a construção de novas moradias, sendo necessário considerar aluguel, autoconstrução, reformas e novos modelos híbridos. Dado que mais da metade da população economicamente ativa do México trabalha no setor informal, Marina Muñoz García enfatizou a necessidade de desenvolver soluções financeiras e habitacionais para as pessoas excluídas do sistema tradicional. Ela destacou que vários países da região já estão implementando medidas como modelos inovadores de poupança, aluguel institucional e análise alternativa de risco para ampliar o acesso à moradia.
Francisco Valle, diretor de emissores da Bolsa Institucional de Valores (BIVA) do México, destacou o papel do mercado de capitais como fonte de capital para empresas do setor imobiliário. Ele informou que, até o final de 2026, a BIVA já havia financiado mais de 340 bilhões de pesos, grande parte destinada a empresas relacionadas à habitação e infraestrutura imobiliária.
No âmbito da tecnologia e aplicação, Romain Benenati, CEO da Creditaria México, apontou que um dos principais problemas do setor imobiliário é a perda de negócios devido à falta de um perfil financeiro oportuno. Ele apresentou ferramentas tecnológicas capazes de determinar a capacidade de crédito de potenciais compradores em segundos no ponto de venda. Alfonso Penela, diretor geral da Corporación Mexicana de Valuación, explicou que os avanços da inteligência artificial transformarão profundamente o trabalho de avaliação imobiliária, mas esclareceu que o julgamento humano ainda é indispensável.
Sob a perspectiva do desenvolvimento urbano, Enrique Téllez, codiretor da incorporadora del parque®, afirmou que o desenvolvimento de grandes projetos em áreas consolidadas da Cidade do México, como a região metropolitana, exige considerar transporte, comunidade, infraestrutura, segurança e simbiose urbana. Ele destacou que o sucesso de um grande desenvolvimento não depende apenas da construção em si, mas de como ele se integra à cidade e cria valor para moradores novos e antigos. Os projetos devem atender às demandas de adensamento, vida urbana e redução do tempo de deslocamento por meio da proximidade com corredores urbanos estratégicos.
No âmbito das políticas, Jabnely Maldonado, membro executivo do Fovissste, anunciou que a instituição retornará à construção de moradias sociais como parte do programa "Vivienda para el Bienestar" promovido pelo governo mexicano. Ela afirmou que a instituição participará das metas nacionais de construção habitacional, voltadas para trabalhadores de baixa renda, e destacou que o aumento contínuo dos preços dos imóveis reduziu significativamente as oportunidades das famílias de obter soluções habitacionais. Circe Díaz Duarte, diretora geral de Política Habitacional da Sedatu, revelou que o governo federal está promovendo uma profunda coordenação normativa para fortalecer a política nacional de habitação e consolidar o conceito de moradia adequada no marco legal mexicano. Ela apontou que um dos principais objetivos é articular efetivamente as políticas de habitação, uso do solo e ordenamento territorial, e enfatizou que a Sedatu está avançando na atualização regulatória, em novos mecanismos de coordenação com governos locais e em medidas para lidar com questões como a autoconstrução de moradias.
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