De acordo com pt.wedoany.com-Em 4 de junho, a empresa brasileira de energia Raízen anunciou a venda de suas operações argentinas (refino e comercialização de combustíveis) por US$ 1,42 bilhão para a Latam Downstream Holdings e Silver Projects I, controladas pela multinacional suíça de commodities Mercuria Energy Group. A transação será paga em dinheiro, com o comprador assumindo também as dívidas das operações argentinas da Raízen. A medida é vista como necessária para aliviar as dificuldades financeiras da empresa.

Um dia após divulgar o resumo do plano de recuperação extrajudicial, a Raízen anunciou a venda de ativos. A empresa afirmou que os recursos serão utilizados para a gestão da estrutura de capital e que a operação está alinhada com a estratégia de otimização do portfólio de ativos, simplificação da estrutura operacional e alocação disciplinada de capital, com foco em mercados e regiões prioritárias. A venda dos ativos argentinos visa reduzir a alavancagem financeira, que subiu para 5,3 vezes no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26 (encerrado em dezembro). O valor obtido superou as expectativas — na teleconferência de resultados do segundo trimestre, o CEO Nelson Gomes havia indicado que a transação poderia arrecadar cerca de US$ 1 bilhão.
Desde sua oferta pública inicial (IPO) em 2021, a Raízen iniciou um ciclo massivo de investimentos, tendo captado na época cerca de R$ 7 bilhões. Segundo cálculos da Levante Investimentos, desde o IPO, a Raízen investiu um total de R$ 46,8 bilhões, grande parte destinada à construção de novas usinas de etanol de segunda geração (E2G). No balanço do terceiro trimestre, a empresa informou que os desinvestimentos já anunciados na época deveriam gerar cerca de R$ 5 bilhões em caixa e melhorar o portfólio de ativos. No entanto, Gomes enfatizou que apenas a venda de ativos e a reestruturação operacional não seriam suficientes para resolver os problemas, sendo necessária também uma injeção de capital para reduzir a alavancagem para a faixa ideal de 2,0 a 2,5 vezes, considerada "equilíbrio contábil".
Após repetidas negociações entre acionistas e credores, a Raízen apresentou em 3 de junho uma versão do plano de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, que será analisada pelos credores. O plano prevê uma injeção de R$ 3,5 bilhões pela Shell, equivalente a 45% da conversão da dívida, enquanto a Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto, pode injetar mais R$ 500 milhões. O plano converterá 45% da dívida total reestruturada em ações ao preço de R$ 0,25 por ação, e os 55% restantes serão convertidos em novos instrumentos de dívida, distribuídos entre a Raízen Combustíveis e a Raízen Energia. O plano também inclui duas opções de pagamento: uma com desconto de 80% sobre os créditos incluídos na reestruturação, com pagamento único até 31 de março de 2047; e outra com pagamento em dinheiro, no valor do menor entre 75% do crédito correspondente e R$ 9.750, com limite total de R$ 150 milhões. Além disso, o plano prevê mudanças na estrutura de governança, com um conselho de administração composto por sete membros, dos quais quatro serão indicados pelos credores que apoiarem o plano (incluindo o presidente), três pela Shell, e a Cosan não participará.
As ações da Raízen fecharam em alta de 2,63% em 3 de junho, a R$ 0,39. Até então, o papel acumulava queda de 51,2% no ano, com valor de mercado reduzido a R$ 527,8 milhões.
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