De acordo com pt.wedoany.com-A Ciena prevê que seu mercado endereçável dobrará para US$ 50 bilhões até 2029. O CEO da empresa, Gary Smith, afirmou em teleconferência de resultados que as tendências que impulsionam o crescimento não terminarão tão cedo. As empresas de hiperescala já aumentaram seus gastos de capital no primeiro trimestre, e essa tendência deve continuar. Smith destacou que uma parcela cada vez maior desses gastos será destinada a infraestrutura de rede, à medida que as empresas tentam monetizar seus investimentos computacionais limitados.

A inteligência artificial é o principal motor desse crescimento. David Rothenstein, diretor de estratégia da Ciena, afirmou que estamos em uma era de investimentos em IA, com fatores de demanda sem precedentes, e que a IA generativa ainda está em estágio muito inicial. Ele revelou que, apenas em 2026, as empresas de hiperescala e os neoscalers devem investir cerca de US$ 1 trilhão em gastos de capital.
Rothenstein acredita que a IA agêntica (agentic AI) e as redes autônomas estão chegando, inaugurando um ciclo de investimentos de vários anos, e que a IA agêntica pode amplificar as tendências atuais. Ele afirmou que milhões de agentes se comunicarão e agirão entre si, todos precisando de conexão. O volume de dados gerado e a demanda por largura de banda nos data centers e na WAN terão um efeito multiplicador sobre a dinâmica atual.
A construção de data centers existentes enfrenta limitações de energia e espaço, o que impacta a demanda por conectividade. Smith anunciou na teleconferência que a Ciena recebeu seu primeiro pedido de uma empresa de hiperescala para sua solução multi-faixa RLS Hyper Rail, que oferece conectividade de alta capacidade e longa distância. Rothenstein destacou que a demanda por conectividade de alta capacidade e longa distância não se limita às empresas de hiperescala; todos os dados gerados precisam ser movimentados para serem monetizados e devem entrar na WAN.
No primeiro trimestre, a receita da Ciena cresceu 39,5% em relação ao ano anterior, passando de US$ 1,13 bilhão para US$ 1,57 bilhão. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) calculado pelo GAAP aumentou 324%, para US$ 283 milhões, e pelo non-GAAP, cresceu 192,9%, para US$ 341,8 milhões. A diferença entre os dois valores decorre de ajustes como pagamentos baseados em ações, provisões fiscais, redução ao valor recuperável de ativos e custos de reestruturação.
Rothenstein destacou que os neoscalers também aumentarão seus gastos, pois, a longo prazo, não se sentirão confortáveis em confiar seu destino às empresas de hiperescala e desejarão construir sua própria infraestrutura de rede. Esse grupo inclui empresas, provedores de serviços em nuvem e empresas de IA como Anthropic ou OpenAI. Além disso, os provedores de serviços também estão investindo, e Smith afirmou que houve um período de subinvestimento no setor de redes fixas.
Apesar dos resultados financeiros robustos e das perspectivas positivas da diretoria, as ações da Ciena caíram 12,7% após a divulgação dos resultados, em parte devido às altas expectativas dos analistas. No entanto, analistas da Raymond James destacaram que o preço das ações da empresa ainda dobrou desde o último balanço.
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