De acordo com pt.wedoany.com-O doutor em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Celso Camilo, e outros pesquisadores lançaram o projeto "Mente Figital", com o objetivo de explorar o impacto da hiperconectividade na saúde mental e ajudar o público a identificar riscos de dependência digital. O projeto foca em como algoritmos e sistemas de inteligência artificial organizam conteúdos, recomendam vídeos e personalizam experiências digitais para aumentar o engajamento dos usuários, o que pode levar a estímulos constantes e esgotamento psicológico.

O relatório "Digital 2026" da DataReportal mostra que o número de usuários de internet no mundo já ultrapassou 6 bilhões, com cerca de 5,8 bilhões de contas ativas em redes sociais, das quais mais de 2,4 bilhões de pessoas usam regularmente ferramentas de inteligência artificial generativa. No Brasil, há cerca de 185 milhões de usuários de internet, representando 86,9% da população, e 150 milhões de identidades ativas em redes sociais, tornando o país um dos mercados digitais mais importantes do mundo.
Com a expansão do acesso à informação e serviços por meio da tecnologia, os pesquisadores observam um aumento de fenômenos relacionados à hiperconectividade, como dificuldade em se afastar do celular, verificação frequente de notificações e desconforto ao ficar offline, comportamentos classificados como "ansiedade de desconexão". Camilo aponta que as plataformas digitais utilizam recursos tecnológicos complexos para aumentar a retenção da atenção dos usuários, e há uma enorme assimetria na compreensão pública desse processo e seus impactos. Ele acredita que a dependência digital já não é apenas uma questão de comportamento individual, mas envolve temas como saúde pública, educação e desenvolvimento tecnológico.
Camilo afirma que atualmente as pessoas vivem em um mundo "Figital", onde o físico e o digital se fundem, e as fronteiras entre essas duas dimensões desaparecem, com a vida ocorrendo simultaneamente em ambas. Com base nisso, pesquisadores das áreas de inteligência artificial, psiquiatria, educação e comportamento humano criaram conjuntamente o projeto "Mente Figital", com o objetivo de traduzir descobertas científicas em linguagem acessível, ajudando o público a reconhecer os riscos da dependência digital.
O plano inicial do projeto inclui um podcast com a participação de especialistas de diversas áreas, discutindo o impacto da tecnologia na atenção, bem-estar e saúde mental. Como próximo passo, a equipe planeja desenvolver ferramentas de autoavaliação para ajudar os usuários a identificar sinais de uso excessivo do ambiente digital, como perda de controle do tempo online, oscilações de humor, comprometimento do sono, queda de produtividade e impactos nos relacionamentos. Para os especialistas envolvidos no projeto, o desenvolvimento da inteligência artificial torna essa discussão ainda mais necessária, mas o objetivo não é ver a tecnologia como uma ameaça, sim compreender seus efeitos comportamentais e usar a tecnologia de forma mais consciente em uma sociedade interconectada.
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