De acordo com pt.wedoany.com-O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste (BNB) lançaram conjuntamente o "Edital Público Reecatingar", oferecendo apoio financeiro para projetos de restauração ecológica em terras degradadas da Caatinga, inclusive em Minas Gerais. A chamada pública foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (10) no Palácio do Planalto, em Brasília, com um montante total de R$ 60 milhões destinado a iniciativas como capacitação comunitária, fortalecimento de associações e cooperativas, práticas agroecológicas e sistemas de captação de água. Projetos de armazenamento de água, proteção de nascentes com cercas, bem como ações de recuperação do solo e manejo sustentável também podem solicitar os recursos.

O edital, realizado pelo BNDES e BNB em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), prevê o apoio a 15 a 25 projetos, cada um com área entre 50 e 100 hectares, prazo de execução de até 60 meses e valor por proposta entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões. Além de Minas Gerais, municípios dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe também podem se candidatar, desde que essas regiões apresentem alto grau de degradação do solo e maior vulnerabilidade à seca e ao avanço da desertificação. As propostas devem oferecer contrapartida de pelo menos 5% do valor solicitado, que pode ser em forma de recursos financeiros ou não financeiros, como pessoal, materiais, insumos, serviços, equipamentos ou infraestrutura.
Os municípios elegíveis foram definidos com base na priorização do Observatório da Caatinga e da Desertificação, considerando a degradação do solo e a vulnerabilidade socioeconômica, com prioridade para cidades classificadas como C5 (prioridade extremamente alta) e C4 (prioridade alta). A seleção busca abranger pelo menos um projeto de cada estado coberto pelo edital, desde que as propostas atinjam a pontuação mínima exigida. As instituições participantes devem ser pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos com sede no Brasil, incluindo associações civis, fundações privadas e cooperativas, bem como pessoas jurídicas de direito público federal e estadual (exceto a União e entidades que dependem de transferências do orçamento federal para sua manutenção). Instituições privadas sem fins lucrativos devem estar legalmente constituídas no Brasil há pelo menos dois anos, e as propostas podem incluir parceiros como universidades, institutos de pesquisa e prefeituras.
As propostas devem ser submetidas por meio de planilha eletrônica fornecida pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). O edital prevê rodadas consecutivas de seleção pública, incluindo triagem inicial, avaliação técnica por comitê julgador e classificação das propostas com base em critérios como capacidade técnica, qualidade das atividades de restauração, custo, impacto ecológico e impacto social. Durante a cerimônia de lançamento do Edital Público Reecatingar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a iniciativa conjunta do BNDES e do BNB é crucial para o Brasil demonstrar ao mundo sua capacidade de produzir alimentos enquanto protege as florestas. Ele disse: "Mas temos que lutar para que as coisas aconteçam. Precisamos garantir que as áreas de preservação florestal possam gerar renda para sustentar a vida das pessoas que cuidam dessas regiões." A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o Reecatingar visa apoiar soluções construídas com participação comunitária, combinando restauração ambiental, produção sustentável, recursos hídricos, renda e permanência das famílias no semiárido. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou que não basta parar de destruir o meio ambiente; é preciso restaurar. Com esta chamada pública, o BNDES já investiu mais de R$ 1,28 bilhão em iniciativas que impactam diretamente a Caatinga e o semiárido, nas áreas de restauração ambiental, adaptação às mudanças climáticas, segurança hídrica, fortalecimento da agricultura familiar e inclusão produtiva.
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