De acordo com pt.wedoany.com-Um vereador de Corpus Christi revelou que uma mina de Bitcoin na cidade consome cerca de 100 mil galões de água por dia, valor superior ao limite diário de 100 mil galões estabelecido pela cidade para "usuários de alto consumo". Enquanto isso, diante de uma crise hídrica cada vez mais grave, a prefeitura tenta ocultar os registros mais recentes de consumo de água da mina.
De acordo com registros do departamento de água, a mina consumiu 11.563.000 galões de água entre maio e agosto do ano passado, com uma média diária de aproximadamente 127.500 galões, superando o padrão de 100 mil galões por dia para "usuários de alto consumo" da cidade. Esses registros foram obtidos por moradores locais por meio de solicitações de acesso à informação. O Texas Observer revelou anteriormente que a cidade já instalou um novo cano de 4 polegadas para a mina, a fim de ajudá-la a utilizar a tecnologia de "imersão líquida" para resfriar o hardware de computação. O vereador Roland Barrera afirmou que funcionários da prefeitura o informaram que o consumo médio diário atual da mina ainda gira em torno de 100 mil galões, ou seja, cerca de 3 milhões de galões por mês. Em comparação, usuários industriais, como refinarias petroquímicas da cidade, podem consumir até 90 milhões de galões por mês.
Agora, em resposta a uma solicitação de acesso à informação feita pelo Texas Observer, a cidade se recusa a divulgar os registros de consumo de água da mina para 2026, alegando disposições do Código de Utilidades do Texas que protegem a privacidade das contas de clientes individuais. Essa prática difere da situação do ano passado. A cidade está recorrendo da decisão ao gabinete do procurador-geral do Texas. O procurador-geral tem 45 dias úteis para confirmar ou rejeitar a decisão da cidade de ocultar os registros.
A cidade já lidou anteriormente com solicitações semelhantes de sigilo de informações. Em fevereiro deste ano, a cidade se recusou a fornecer dados sobre o consumo de água de lava-rápidos comerciais, e o procurador-geral manteve a decisão, argumentando que a prefeitura utilizava um sistema de medição avançado para essa empresa. Citando esse precedente, a cidade argumenta, no caso da mina, que precisa obter o consentimento por escrito do operador da mina para divulgar as informações, com base em uma lei originalmente destinada a proteger a privacidade dos residentes.
A vereadora Sylvia Campos manifestou insatisfação com a ocultação. Ela destacou que a crise hídrica da cidade se tornou um foco de atenção. Previsões indicam que, sem chuvas adicionais ou novas fontes de água, a demanda por água da cidade pode superar a oferta já no próximo verão. Desde dezembro de 2024, os moradores estão sujeitos a restrições de uso de água, com atividades como irrigação de gramados e lavagem de carros sendo controladas. A próxima fase, que pode começar já em dezembro, exigirá que residentes e empresas reduzam o consumo de água em 25%.
Segundo Barrera, a mina, localizada fora do limite noroeste da cidade e ocupando 75 acres, também estará sujeita a essas restrições. O desenvolvedor do projeto havia firmado um Acordo de Área Industrial (IDA) com a prefeitura, comprometendo-se a pagar em troca da "desanexação" da propriedade, isentando o desenvolvedor do pagamento de mais de US$ 70,5 milhões em royalties e impostos sobre vendas de eletricidade. No entanto, com o colapso da bolsa FTX em 2022, o projeto foi reduzido, resultando no desenvolvimento de apenas uma mina no local. A Peak Mining, sediada na Virgínia, adquiriu o projeto em dezembro de 2023. Posteriormente, em 2024, o IDA foi renegociado, eliminando a principal fonte de receita: o imposto sobre propriedade pessoal de servidores e hardware relacionado. De acordo com registros, de 7 de fevereiro de 2023 a 8 de janeiro de 2025, o operador da mina pagou apenas US$ 2.639 à cidade como pagamento em substituição ao imposto.
Registros recentes mostram que a cidade emitiu uma fatura de US$ 1.631,65 ao operador da mina em novembro de 2025, e o operador pagou US$ 1.647,97 em 6 de março do ano seguinte, muito após o vencimento. Em abril, o operador pagou apenas US$ 16,48. Além disso, de acordo com a diretora de comunicações da cidade, Elisa Olson, o operador também deve um valor de US$ 100 mil. No entanto, o operador da mina pagou quase US$ 1 milhão em imposto sobre a propriedade ao Condado de Nueces em janeiro.
Diante da crise hídrica e do déficit de receita, Barrera considera pedir ao conselho municipal que encerre o IDA de 2024 da mina antes do vencimento em 2039. Campos também acredita que o acordo precisa ser reavaliado. Enquanto isso, o governador Greg Abbott apresentou várias propostas regulatórias, incluindo a revogação da isenção de imposto sobre vendas para data centers e minas de criptomoedas, e a exigência de que essas instalações adotem sistemas de água fechados mais eficientes e relatem seu consumo. Eli McKay, voluntário do Sierra Club, pede que o conselho municipal tome medidas para reanexar o terreno da mina à cidade.
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