Primeira fábrica de captura e armazenamento de carbono de etanol de cana-de-açúcar será construída em São Paulo
2026-06-12 09:38
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De acordo com pt.wedoany.com-O estado de São Paulo, no Brasil, construirá a primeira fábrica de captura e armazenamento de carbono voltada para o processo de produção de etanol de cana-de-açúcar. O anúncio foi feito pelo governador Tarcísio de Freitas durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente, em 10 de junho, quando também foi assinado o acordo para a criação do Centro de Tecnologia em Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio).

O centro é um Centro de Desenvolvimento Científico (CCD) financiado pela FAPESP, sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), e conta com a parceria da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semil), da Petrobras, do Grupo São Martinho e do escritório de advocacia Rolim Goulart Cardoso. A equipe tem a missão de estudar a viabilidade e planejar a construção da nova fábrica.

São Paulo é o maior produtor de etanol e açúcar do Brasil. A tecnologia, conhecida como BECCS (Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono), teoricamente pode tornar o etanol paulista um combustível de "carbono negativo". Isso porque, ao capturar o CO₂ liberado durante a produção de etanol e armazená-lo no subsolo, espera-se reverter o equilíbrio das emissões de gases de efeito estufa.

O professor da Poli-USP e diretor do CTCCSBio, Bruno Souza Carmo, afirma que a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar já é considerada uma alternativa mais sustentável em relação aos combustíveis fósseis, pois emite menos dióxido de carbono. Ao capturar esse gás e injetá-lo no subsolo, é possível remover o carbono presente no ciclo de vida da planta. Atualmente, o etanol ainda possui uma pegada de carbono positiva; com a remoção, é possível alcançar uma pegada negativa, o que é muito benéfico para o setor sucroenergético e para o país.

Segundo Carmo, a tecnologia para realizar a captura e o armazenamento de carbono já existe; o maior desafio do novo centro é torná-la viável no contexto do estado de São Paulo e do setor sucroenergético. O armazenamento de carbono não gera receita diretamente; o centro estudará mecanismos de monetização, como o mercado de carbono, compensações ambientais e políticas de incentivo.

O centro atuará de forma multidisciplinar, reunindo especialistas em engenharia, geologia, economia, direito e psicologia. As principais atividades incluem avaliar a viabilidade econômica e analisar o marco regulatório para a obtenção de créditos de carbono. Os pesquisadores também realizarão estudos geológicos para determinar os locais mais adequados para instalar a fábrica e armazenar o CO₂ capturado. A fábrica precisará estar próxima a aquíferos salinos profundos, ou seja, formações geológicas compostas por rochas porosas e saturadas com água de alta salinidade, a profundidades superiores a 1.000 metros.

O projeto terá duração de cinco anos, com um investimento total estimado em cerca de 30 milhões de reais, dividido em duas fases. Na primeira fase, com duração de dois anos, a equipe buscará locais para a construção da fábrica e analisará o potencial de uso da tecnologia no estado de São Paulo, considerando fatores como geologia, proximidade com a fábrica, infraestrutura, custos, impactos ambientais e percepção social. Na segunda fase, o projeto avançará para a construção e operação da nova fábrica.

Atualmente, o Brasil possui apenas uma fábrica de captura e armazenamento de carbono, localizada no estado do Mato Grosso, focada em etanol de milho. A fábrica de São Paulo será a primeira dedicada ao etanol de cana-de-açúcar.

Durante o lançamento do novo centro, o governador Tarcísio de Freitas destacou a importância da FAPESP no avanço científico do estado. A secretária da Semil, Natália Resende, afirmou que o projeto está alinhado com o "Plano de Ação Climática 2050" e o "Plano Energético Estadual", e que o BECCS é essencial para descarbonizar o setor agroindustrial paulista e manter sua competitividade internacional diante das crescentes exigências ambientais globais.

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