Petrobras planeja expandir capacidade de nitrogênio e elevar meta de participação para 75%
2026-06-12 10:50
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De acordo com pt.wedoany.com-A Petrobras está estudando expandir a capacidade de suas fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafens), com o objetivo de elevar sua participação no suprimento da demanda brasileira por nitrogênio de cerca de 35% para 75%. Este plano é visto como uma medida estratégica para reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança alimentar nacional, mas análises apontam que a proposta praticamente considera a rota do gás natural como a única solução, ignorando as dificuldades históricas enfrentadas por esse caminho.

A produção de amônia e ureia depende diretamente de gás natural abundante e barato. Historicamente, o gás natural brasileiro não tem sido competitivo para sustentar uma expansão em larga escala das Fafens. Atualmente, a estatal aposta que o aumento da produção doméstica de gás natural trará maior oferta e preços mais baixos. Paralelamente, o conflito entre Irã e Estados Unidos intensifica as preocupações com a segurança energética global e pressiona o mercado de fertilizantes nitrogenados. Entre 2021 e 2022, os custos de produção de fertilizantes no Brasil dispararam, com aumentos superiores a 100% para algumas culturas, como o café arábica, cujo custo ultrapassou R$ 10 mil por hectare, enquanto algodão, soja e milho também registraram fortes altas. Essa elevação ocorreu no contexto do conflito Rússia-Ucrânia, que impulsionou os preços do gás natural, dos fertilizantes nitrogenados e das taxas de câmbio. Como os fertilizantes representam uma parcela significativa dos custos de produção de diversas culturas e o Brasil depende fortemente de importações, novos choques geopolíticos podem novamente elevar os preços dos fertilizantes, aumentando os custos agrícolas e pressionando os preços dos alimentos.

Análises indicam que investimentos industriais na escala das Fafens precisam ser sustentados por décadas, e não aproveitar ciclos temporários de preços elevados. Esse tipo de decisão pode levar a um travamento tecnológico, ou seja, a um bloqueio em combustíveis fósseis. Quando o mercado internacional retornar aos níveis normais, a produção brasileira de nitrogênio pode perder competitividade tanto em preço quanto em emissões de gases de efeito estufa. Entre os quatro maiores consumidores mundiais de fertilizantes, os Estados Unidos dependem 17% do gás natural, enquanto a China tem dependência próxima de zero, apoiando-se respectivamente no gás natural mais competitivo do mundo e no carvão barato. A produção de amônia na Índia é basicamente autossuficiente, mas 85% depende de gás natural importado, encontrando-se em alto estado de insegurança energética. Portanto, defende-se que a "diversificação" deve orientar a política brasileira de fertilizantes, buscando o desenvolvimento industrial por meio de inovações e rotas renováveis, como os biofertilizantes.

Alternativas incluem substituir o gás natural por biometano e construir novas fábricas que utilizem hidrogênio renovável como matéria-prima, aproveitando as vantagens domésticas do Brasil e oferecendo potencial de mitigação climática. Embora os biofertilizantes representem apenas um nicho de mercado, seu crescimento tem sido significativo nas últimas safras, oferecendo potencial para descentralização da produção. O Plano Nacional de Fertilizantes do Brasil aponta que se deve buscar reduzir vulnerabilidades e expandir a capacidade doméstica de produção, com a meta de aumentar a produção de nitrogênio para 3,2 milhões de toneladas por ano até 2050, incorporando soluções biológicas e nacionais em sua ambição. O plano também indica o caminho para a descarbonização da rota sintética, conectando a cadeia produtiva ao hidrogênio verde e ao biometano, adicionando gradualmente "amônia verde equivalente" para induzir a diversificação de matérias-primas.

Armazém de fertilizantes da Fafen (BA) durante visita de Lula ao Polo Industrial de Camaçari em 15 de maio de 2026 (Foto: SEAUD/PR)

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