A "Conta Energética" por Trás da Copa do Mundo EUA-Canadá-México
2026-06-15 15:04
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De acordo com pt.wedoany.com-Na madrugada de 12 de junho, a Copa do Mundo EUA-Canadá-México foi oficialmente inaugurada na Cidade do México.

Estados Unidos, Canadá e México unem forças: 16 cidades, 48 seleções, 104 partidas, 39 dias de competição — cada número quebra recordes históricos da Copa do Mundo.

Todo o torneio se estende pelo continente norte-americano, com seleções e torcedores precisando se deslocar entre cidades distantes, como Vancouver e Miami.

Por trás deste grande festival de futebol, há uma conta energética...

Emissões de Carbono: De 2,17 Milhões a 9 Milhões de Toneladas

De acordo com relatórios da FIFA, as emissões de carbono das Copas do Mundo anteriores apresentaram uma tendência de aumento gradual. A Copa do Mundo de 2018, na Rússia, emitiu 2,17 milhões de toneladas de carbono, com o transporte representando 57% do total (cerca de 1,6 milhão de toneladas). Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, as emissões subiram para 3,63 milhões de toneladas, um aumento de quase 70% em relação a 2018. Na estrutura de emissões, o transporte continuou em primeiro lugar, com cerca de 52% (principalmente viagens aéreas internacionais), enquanto a construção de estádios e a hospedagem representaram aproximadamente 25% e 20%, respectivamente.

As emissões estimadas de carbono para a Copa do Mundo de 2026, nos EUA, Canadá e México, elevam esse número a um novo patamar.

De acordo com uma análise da empresa francesa de contabilidade de carbono Greenly, a pegada de carbono deste torneio é de aproximadamente 7,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o equivalente às emissões anuais de cerca de 1,7 milhão de carros ou à pegada de carbono anual de Serra Leoa, na África Ocidental.

O relatório "FIFA Climate Blind Spot", publicado pelo think tank britânico "New Weather Institute" em parceria com organizações como a Global Responsibility Scientists e a Environmental Defense Fund, apresenta um número ainda maior: as emissões de carbono desta Copa do Mundo são de pelo menos 9 milhões de toneladas, aproximadamente equivalentes à pegada de carbono anual de 1,1 milhão de franceses, quase o dobro da média de 4,7 milhões de toneladas das Copas do Mundo entre 2010 e 2022. Em um cenário mais pessimista, as emissões podem chegar a 15 milhões de toneladas.

As conclusões do diretor de pesquisa climática do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), David Faranda, são altamente consistentes com os dados acima, com sua estimativa de emissões de carbono variando entre 7 e 8 milhões de toneladas, podendo chegar a 9 milhões no cenário máximo. O cientista afirmou diretamente: "Sem dúvida, as emissões deste torneio estabelecerão um recorde. As estimativas iniciais da candidatura estavam completamente fora da realidade."

Viagens Aéreas: O "Grande Impulsionador" das Emissões de Carbono

De onde vêm emissões de carbono tão altas? De acordo com estimativas da Greenly, as emissões de carbono das viagens dos torcedores (principalmente aéreas) representam 87% do total de emissões do torneio. Segundo a Reuters, milhões de torcedores voando pelo continente norte-americano fazem com que as emissões de carbono das viagens representem a grande maioria das emissões totais do evento.

A particularidade deste torneio reside, em primeiro lugar, na sua extensão geográfica. Os 16 estádios estão distribuídos de forma extremamente dispersa, com uma distância em linha reta de mais de 4.500 km entre Vancouver, no extremo norte do Canadá, e Miami, nos EUA. Em segundo lugar, a América do Norte carece de uma rede ferroviária de alta velocidade eficiente que conecte essas cidades — um contraste gritante com a Eurocopa de 2024, que, graças ao sistema ferroviário desenvolvido da Alemanha e países vizinhos, reduziu as emissões de carbono do transporte em cerca de 21%. Os deslocamentos entre cidades para seleções e torcedores dependem quase exclusivamente de viagens aéreas. De acordo com o relatório "FIFA Climate Blind Spot", apenas o transporte aéreo gerará mais de 7,7 milhões de toneladas de emissões de carbono, com as emissões dos voos podendo aumentar de 160% a 325% em comparação com as Copas do Mundo anteriores.

O geógrafo da Universidade de Lausanne, na Suíça, David Gogishvili, deu uma avaliação instigante em entrevista à Reuters: "Eliminamos uma fonte de impacto ambiental negativo, mas a intensificamos em outro aspecto."

Dilema da Redução de Emissões: Compensação de Carbono Dificilmente Alcança a Meta

Diante da pressão sem precedentes das emissões de carbono, o investimento verde da FIFA neste torneio também é o maior da história.

No âmbito dos estádios, de acordo com a Associated Press, até o início do torneio, 13 dos 16 estádios obtiveram a certificação LEED de construção verde, sendo que 10 deles a receberam após rigorosa auditoria a partir de 2024. Esses estádios certificados já instalaram mais de 11.500 painéis de células solares para geração de energia limpa, economizando mais de 100 milhões de galões de água potável por ano e reduzindo o uso de mais de 5 milhões de itens de plástico descartável. Vale notar que este torneio utiliza quase exclusivamente instalações esportivas existentes na América do Norte, evitando as enormes emissões de carbono da construção de novos estádios do zero.

No quesito uniformes, a Nike lançou para esta Copa do Mundo camisas feitas com tecnologia de reciclagem química, compostas por "100% de resíduos têxteis", transformando roupas usadas em fios de poliéster reciclado de alta qualidade. Segundo relatos, a Zhejiang Jiren New Materials Co., Ltd. forneceu quase 7.000 toneladas de fios de poliéster reciclado para 12 seleções nacionais. No entanto, algumas análises apontam que essas camisas ainda são essencialmente fibras de poliéster de base petrolífera, e a dificuldade da tecnologia de reciclagem química em lidar com componentes misturados em resíduos têxteis pós-consumo é muito maior do que com resíduos industriais bem separados nas fábricas, estando ainda longe de alcançar uma verdadeira economia circular.

Compensação de carbono e combustíveis sustentáveis. Segundo relatos, a FIFA anunciou a compensação das emissões geradas durante o torneio por meio da compra de créditos de carbono — o que significa que, contabilmente, esta Copa do Mundo pode alcançar a "neutralidade de carbono" em nível de evento. Além disso, na área de redução de emissões da aviação, a FIFA está negociando com várias companhias aéreas para adicionar Combustível de Aviação Sustentável (SAF) em algumas rotas oficiais. No entanto, de acordo com dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a produção de SAF em 2025 representou apenas 0,6% do consumo total de querosene de aviação global, e a previsão para 2026 é de um aumento para apenas 0,8%. Aos preços atuais, o prêmio do SAF já resultou em um custo adicional de US$ 3,6 bilhões para a indústria da aviação em 2025, sendo seu preço geralmente o dobro do querosene tradicional e, em alguns mercados de uso obrigatório, até cinco vezes maior.

Vale destacar que, em 2021, a FIFA aderiu ao quadro "Esporte pela Ação Climática" da ONU na COP26, comprometendo-se a reduzir suas próprias emissões em 50% até 2030 e a atingir emissões líquidas zero até 2040. Como apontou Alexis Normand, fundador da Greenly, empresa francesa: "Faltando apenas quatro anos para a meta de 'reduzir pela metade as emissões', elas duplicaram."

Esta Copa do Mundo EUA-Canadá-México não é o ponto final da "expansão" dos torneios da FIFA. A Copa do Mundo de 2030 será realizada em três continentes — América do Sul, África e Europa — e já há discussões internas na FIFA para expandir ainda mais o número de seleções participantes para 64.

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