Tribunal de Contas da União encerra investigação sobre sobrecusto na usina de Três Lagoas por prescrição
2026-06-15 15:21
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De acordo com pt.wedoany.com-O Tribunal de Contas da União (TCU) encerrou formalmente a investigação sobre um suposto sobrecusto de R$ 13,8 milhões na ampliação da Usina Termelétrica Luís Carlos Prestes (UTE Três Lagoas), por considerar que o caso já havia prescrito, e determinou o arquivamento do processo.

Usina Termelétrica Três Lagoas - Petrobras (foto de divulgação)

A decisão baseia-se no Acórdão nº 1319/2026, aprovado pelo Plenário do TCU. O tribunal atribuiu a responsabilidade pelas irregularidades ao então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, e a cinco gerentes departamentais envolvidos no processo licitatório, sendo as empresas Zopone Engenharia e Comércio e Engecampo também partes no caso.

O caso originou-se de uma auditoria realizada em 2010 no âmbito do plano Fiscobras, que identificou possíveis irregularidades nos contratos de obras civis e montagem eletromecânica firmados entre as partes. De acordo com o acórdão, a Unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear (AudElétrica) e o Ministério Público junto ao TCU concluíram que, com base nos critérios estabelecidos pela Resolução TCU nº 344/2022, os prazos para aplicação de penalidades e para a cobrança de ressarcimento aos responsáveis já haviam expirado. Os ministros, portanto, reconheceram a prescrição das pretensões punitiva e de ressarcimento, consideraram incabíveis as medidas corretivas anteriormente determinadas no Acórdão nº 396/2011 e decidiram pelo arquivamento definitivo do processo. Os autos indicam que a decisão do TCU não reexaminou o mérito das irregularidades apontadas na auditoria original, mas encerrou o processo por reconhecer a prescrição.

A obra investigada era o projeto de ampliação da usina termelétrica de Três Lagoas, localizada no Mato Grosso do Sul, que previa a instalação de um ciclo combinado para elevar a capacidade de geração de 124,8 MW para 360 MW, visando aumentar a eficiência das unidades sem consumo adicional de combustível. O projeto, de responsabilidade da Petrobras, fazia parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O investimento estimado na época era de aproximadamente R$ 381 milhões, distribuídos em dezenas de contratos. A auditoria concentrou-se nos contratos que representavam mais de 70% do valor total do projeto, incluindo a aquisição de caldeiras e turbinas a vapor, fornecimento de materiais e serviços para a estação de tratamento de água e efluentes, além de serviços de montagem de equipamentos modulares e obras civis.

O Fiscobras apontou uma série de irregularidades na auditoria, incluindo a falta de detalhamento suficiente nas planilhas de formação de preços, dificultando a análise de custos, e a consideração de que os critérios de compensação por paralisação eram "antieconômicos", como o pagamento de equipamentos parados por chuva como se estivessem em operação. Outro ponto de destaque foi a inviabilidade econômica da usina, com estudos indicando um retorno negativo de US$ 711 milhões entre 2008 e 2030 devido ao alto custo do gás natural. Apesar disso, a construção do ciclo combinado foi vista como uma opção para reduzir o prejuízo operacional. A auditoria também apontou que a Petrobras não cumpriu as determinações do TCU para regulamentar adequadamente os procedimentos licitatórios, violando o parágrafo 4º do artigo 22 da Lei nº 9.784/1999.

Antes da decisão final, o TCU havia determinado a citação dos responsáveis e das empresas contratadas para apresentação de defesa e alegações, além de solicitar à Petrobras informações detalhadas sobre a composição dos custos unitários. Simultaneamente, o TCU permitiu a continuidade das obras durante a investigação, destacando a importância do projeto para a eficiência energética e o desenvolvimento regional. Atualmente, a usina possui capacidade instalada de 386 MW e foi contratada no leilão de reserva de capacidade realizado em março deste ano.

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