De acordo com pt.wedoany.com-O setor de banda larga brasileiro enfrenta atualmente múltiplas pressões, como excesso de oferta de serviços e taxas de juros elevadas. Embora tenham ocorrido recentemente transações importantes de fusão e aquisição, como a aquisição da Desktop pela Claro e a consolidação impulsionada pela Brasil TecPar, o ambiente geral de negócios não é favorável. Esta é a análise de mercado compartilhada por José Valder Nogueira, diretor de banco de investimento do Santander, e Gustavo Rheingantz, sócio e diretor do BR Partners, durante o evento Teletime Tec.

Especialistas em fusões e aquisições apontam que, do final da década de 2010 ao início da pandemia de Covid-19, as operadoras tiveram um ambiente favorável de crescimento. Na época, as taxas de juros estavam significativamente reduzidas — entre agosto de 2020 e março de 2021, a taxa Selic era de 2% ao ano — e ainda havia grande espaço para a implantação de redes de fibra óptica em todo o país, com os clientes começando a se conectar posteriormente. No entanto, atualmente, o excesso de oferta de serviços de banda larga impede o ajuste de preços e a valorização dos ativos de fibra óptica, enquanto as taxas de juros inibem a atividade empresarial no setor produtivo. As operadoras deixaram de ser o principal alvo dos fundos de investimento em infraestrutura.
Nogueira afirmou que as expectativas de avaliação do mercado não correspondem ao ambiente atual. As operadoras estavam em uma situação extremamente favorável, mas essa dinâmica não existe mais. Ele enfatizou que, com juros a 2%, era possível fazer muitas tentativas no setor, mas, desde o final de abril, com a taxa Selic em 14,5% ao ano, a situação é muito diferente.
Rheingantz, do BR Partners, destacou que, além de fatores macroeconômicos e competitivos, os fundos que investem em fibra óptica também atuam em outras áreas de infraestrutura, como torres e data centers, gerando concorrência por capital. Devido à enorme demanda de investimento em data centers impulsionada pela inteligência artificial, fundos que antes se concentravam em fibra óptica agora preferem data centers, considerados o setor com maior potencial de crescimento. Os fundos de private equity geralmente têm ciclos de investimento de 5 a 10 anos e, com base na lógica de alocar capital em setores em crescimento, o momento para a banda larga teoricamente já passou.
Nogueira também confirmou a concorrência por capital entre os setores, mencionando que já teve contato com vários fundos interessados em apoiar o desenvolvimento de data centers. O capital é limitado; recursos que antes eram usados para construir redes de fibra óptica e móveis agora são direcionados para a compra de terrenos já energizados, e a demanda dos bancos nesse sentido é muito grande.
Nogueira acrescentou que alguns processos potenciais de fusão e aquisição estão estagnados porque os ISPs ainda não avaliaram o impacto da reforma tributária em seus negócios. Quando o novo sistema tributário entrar em vigor, a situação das operadoras de banda larga pode piorar significativamente. Ele afirmou que o impacto da reforma tributária ainda não foi precificado, e algumas fusões e aquisições não podem avançar por esse motivo.
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